Abragao

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Abragão é uma freguesia portuguesa do concelho de Penafiel, com 8,87 km² de área e 2 341 habitantes (2011). Densidade: 263,9 hab/km². Foi elevada a vila em 12 de Julho de 2001.

Na economia de Abragão assumem particular relevo a extracção e transformação de granitos e a agricultura, sendo a primeira a mais importante da vila.

Em Abragão celebra-se a Festa da Nossa Senhora da Saúde (Abragão), todos os anos, no primeiro fim de semana de Setembro.

Também conhecida como Igreja de São Pedro de Abragão, este monumento fica situado na freguesia de Abragão, concelho de Penafiel.

No decorrer dos trabalhos do arranjo urbanístico do Centro Cívico de Abragão, integrado na Rota do Românico do Vale do Sousa, foi encontrada, no edifício de apoio à Junta de Freguesia, uma significativa série de elementos arquitectónicos da época românica, provenientes da igreja. Na construção das paredes do edifício – utilizado como oficina de ferreiro – foram incluídas várias peças, umas aparelhadas e outras esculpidas, pertencentes à antiga nave da igreja reedificada na segunda metade do século XVII.

Monumento Nacional por Dec. Nº 129/77, DR 226, de 29 de Setembro de 1977.

Esta igreja integra a Rota do Românico do Vale do Sousa.

Não é porém um dado incontroverso que a igreja tenha sido mandada edificar por D. Mafalda. Sabe-se da existência, na freguesia, de pelo menos duas igrejas no séc. X, da invocação de S. Félix, uma, e S. Mamede, a outra. O abade Ero incartou-as, por volta de 950, à condessa portucalense Mumadona Dias. Teria D. Mafalda mandado reedificar uma igreja pré-existente? Recentemente - embora o facto seja conhecido há muito tempo - ficaram à vista (por causa da demolição do telhado da casa que as alberga) pedras pertencentes a uma casa rústica, edificada nas proximidades da igreja, que sugerem uma porta, com o seu lintel de motivos mamiformes e cordiformes, uma imposta (que lembra vagamente as de S. Gião, na Nazaré), e notáveis desenhos decorativos, um deles de feição antropomórfica. As pedras que estão visíveis sugerem o estilo românico. Deviam ser vistas por um especialista. Seria interessante, a partir dos textos existentes - nomeadamente o inventário de Dona Muma, que fala de igrejas já existentes no século X - averiguar se há alguns vestígios de basílica visigótica ou astur, ou mesmo portucalense (dos condes de Portucale).

Vol.1 [págs. 98 a 99]

ABRAGÃO. Freg. do conc. e com. de Penafiel, distr. e bisp. do Pôrto, a 12 km. da sede do conc.. Orago, S. Pedro. 394 fogos, 1562 habit., com quatro escolas para os dois sexos e um pôsto de socorros médicos onde um clínico presta assistência aos pobres. Além da tradicional feira dos Reis, em 6 de Janeiro de cada ano, realiza-se ali uma feira mensal, em cada dia 8, de alfaias agrícolas e gados lanígero, suíno e bovino, e ainda um mercado semanal. Segundo alguns arqueólogos, o nome de Abragão provém de um poderoso emir árabe, chamado Agam, que reinou no ano de 1000 e era pai de Zahara, mulher do emir de Lamego. A sua fortaleza ficava no monte dos Castelos, em Vila Cova. Quando D. Moninho Viegas, o gasco, veio do Pôrto por Vandoma, freguesia de Paredes, e se aliou com os Mendes de Sousa para atacar êste território povoado pelos árabes, levou de escalada o castelo de Vila Cova, de que ainda existem ruínas, e, descendo a Abragão, matou, conforme a lenda, o rei Agam, aprisionando Zahara, depois resgatada pelos moçarabes. Indo em seguida pôr cêrco à fortaleza do monte Arado, em Aviz. e como se lhe tornasse duvidosa a batalha por ter vindo em refôrço do castro de Arado o emir de Lamego, D. Moninho fêz voto de edificar o convento de Vila Boa do Bispo (povoação esta, freguesia do concelho de Marco de Canavezes), caso a vitória o favorecesse, como aconteceu. Crê-se, porém, que a terra de Agam, a actual Abragão, houvesse ficado, com aquelas guerras, arrasada, e por isso se diz que ela deve a sua fundação, nos fins do séc. XII, em 1170, à rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques. Abragão era solar dos Mourões Guedes e pertenceu ao couto de Vila-Boa-de-Quires, e depois aos marqueses de Fontes, que apresentavam os abades. A igreja matriz, da invocação de S. Pedro, é um bom templo de estilo românico, mandado construir em 1200 por Santa Mafalda, filha de D. Sancho I. Em 1668, Frei Ambrósio Vaz Golias, do mosteiro de Paços de Sousa (Penafiel) e natural de Guimarães, mandou-a reedificar à sua custa, fazendo também dali sua residência, tendo sòmente, na reconstrução, sido respeitado o estilo românico na capela-mor. E no ano de 1820 foram, pelo padre José de Matos Almeida, introduzidos mais alguns melhoramentos e construída a tôrre, sendo, em 1920, por subscrição pública, dotada a igreja com um relógio. Antes da construção da igreja de S. Pedro, havia uma nas Portelas e outra em Santôme, em cujo sítio, agora chamado Campo Santo, se descobriram, em 1717, algumas sepulturas rasas e um grandioso túmulo de pedra. O orago da freguesia é festejado, luzidamente, no seu dia. Abragão é, das 36• freguesias do concelho, a mais importante. De grande fertilidade, os seus vinhos verdes, tipo regional, são de reconhecido valor. Passa-lhe perto o rio Tâmega, cuja nova ponte lhe dá fácil e rápida ligação com o concelho de Marco de Canavezes, na freguesia de Vila Boa do Bispo. BIBL. Portugal, dic., e O Minho Pitoresco. ABRAGÃO.

Vol.37 [págs. 480 a 482]

ABRAGÃO. Freg. do conc. de Penafiel. Pop.: 2.051 hab. em 464 fogos (1950). Não são aceitáveis os factos de natureza histórica que é costume referirem-se a respeito desta freg., ainda que neles possa encontrar-se certo fundo de verdade – muito deturpada e fantasiada, porém. Em todo o caso, os autores tinham perante si uma localidade de bastante importância nesse ponto de vista, com dados autênticos, mas que ignoram completamente. Em lugar disso baseiam as suas fantasias em dados toponímicos que, etimologicamente, são inaceitáveis, como se não bastasse a carência de provas documentais para o que expõem e que gira à roda de um pretenso amir de nome Agam, que viveu pelo ano 1000 e foi casado com uma filha do amir de Lamego (Zahara). Desse Agam, derrotado pelos cristãos cerca de Ariz, (e não Aviz), mais para o Sul, teria provindo o nome Abragam; mas para já não ser Agam bastava a forma antiga do topónimo, Avregam, que é antes o genitivo (e não acusativo) de um n. pessoal, em ~ani, como *Avreganus (ou semelhante), representando uma «villa» * Avregani. A forma Avregam (Auregam) já se encontra do séc. XI para o XII. Sendo aliás certo que a poderosa estirpe dos Gascos ou «de Ribadouro» expulsou desta região os mouros, recuperando e aumentando os seus numerosos haveres, nada, porém, pode afirmar-se de documentado a respeito daquelas figuras, devendo Agam ser uma simples fantasia ou dedução erudita sobre Abragão. Vários outros nomes de lug. notáveis há ainda nesta freg., como: Samil, Samir, ant. Saamir (séc. XIII), que revela perfeitamente o genitivo *Salamiri, do n. pessoal Salamirus, isto é, uma «villa» Salamiri; o antigo Taym (e não Caym), séc. XIII, isto é, *Tagini, sc. «villa» de * Taginus (diminutivo do n. pessoal Tagio, documentado antes da Nacionalidade); Vez de Avis, no séc. XI Benis de Avis e no XIII Bees de Avis (com o primeiro -e- nasalado), talvez de formação moçarábica no primeiro termo (ben ou iben); Tourão, ant. Tourom, talvez o genitivo *Tauroni, sc. «villa» de Tauru(s), ou o próprio n. pessoal Tourom (possessor local antes do séc. XIII); Ribaçais, anterior em documentação, ao séc. XI, derivado de *ribaça, já derivado de «riba» (< lat. ripa-), e que, por isso e pela sua documentação pré-nacional é, linguisticamente, notável; Mosteirô, «loco qui dicitur Monasteriolus», lê-se em 1258, diminutivo de *moasteiro (< monasteriu-) > «moesteiro», mas esta forma muito posterior ao topónimo, pelo que à época da evolução fonética do étimo convém mais a primeira, para não se recuar mais (o topónimo deve provir da existência local de um pequeno mosteiro do séc. IX para o X); Aya, séc. XIII, é notável, por parecer reflectir o hipocorístico germânico Agila, cuja evolução fonética para Aia é normal, (tendo-se, pois, o nome de outro possessor medieval, do tempo, pelo menos, do «moasteiroo» sobredito); Heiriçosa é um notável topónimo do séc. XIII que vem ajuntar mais uma prova, que os foneticistas desconhecem, ao étimo de «ouriço», isto é, à forma intermédia, heiriço, entre a actual e o étimo (o lat. hericiu-), e forma com tanta vida que deu origem a derivados, como são *heiriceira (Ericeira) e *heiriçosa, sc. «terra», mas os ouriços, certamente, vertebrados, de preferência a vegetais: Abobereira, que postula a forma «abóbera»; Agrela, diminutivo medieval, de «agra»; Vilar, instituição de povoamento medievo; Granja, idem, de procedência monástica (cisterciense); Santa Cristina, hagiotopónimo notável, que indica uma das mais antigas e favoritas devoções pré-nacionais; Atão, outro genitivo, de n. pessoal de origem germânica, * Atta, isto é, *Attani, sc. «villa» de um indivíduo desse nome; Castro, de grande importância arqueológica, pois que, devido à existência de defesas castrejas sobre o lug., fica documentada por elas a antiguidade de povoamento do território da freg.; etc. A mais antiga notícia conhecida sobre lugares desta freg. é dos meados do séc. X: a condessa Mumadona doa em 959 ao mosteiro vimaranense, sua fundação, as «villas» de Vez de Avis e Ribaçais, com suas igrejas, respectivamente, dedicadas a S. Félix (S. Fins) e S. Mamede, cultos realmente muito devotos e antigos da Galécia hispânica: «ecclesia de sancto Felice et de sancto Mamete que nobis incartavit Erus abba» e sitas «in ripa Tamice» (Tâmega) (Dip. et Ch., n.º 76). Não se citam os nomes das «tvillas» mas não há dúvidas, pelo que se diz da localização delas no inventário de 1059, que. se trata daqueles lug. da actual freg. de Abragão. Um abade Ero, possuidor das ditas igrejas, como se vê, havia-as doado por carta ou «incartado» à condessa D. Mumadona. No dito inventário, um séc. exacto posterior, citam-se de facto «in ripa Tamice» aquelas possessões: «ecelesia vocabulo sancto Mamete de Ribazales cum suis dextris et cum adiuntionibus suis ab integro», isto é, a igreja de S. Mamede de Ribaçais com todas as suas pertenças, e ainda «villa Benis de Avis et ecclesia sancti Felice et in villa Abregam nostras veritas», estas «villas» e «eclesias» com todas as pertenças, conforme das escrituras respectivas constava, «et sicut in scrituras sunt com ligatas» (Dip. et Ch., n.º 420). Estas possessões do cenóbio vimaranense datavam todas do séc. X, e aqui se prova a inepta fantasia do rei Agam que do séc. X para o XI dava o nome a Abregam (que não era, pois, Abragão). Em 1042, de acordo com estas possessões, o mosteiro de Guimarães, pelo seu abade Pedro e frades e monjas, faz um «prazum ligale» com um clérigo, mestre Racemiro, sobre aquelas duas igrejas, «quos mihidates ex datui vestro vocabulo Sancti Mamete et Sancto Felice de ripa Tamice» (Dip. et Ch., n.O 322), declara o dito «mestre» que acrescenta que o «plazum» é feito para que ele povoe, edifique e plante aquelas igrejas (sentido espiritual) e faça ao mosteiro vimaranense serviço recta e fielmente e lhe dê a ração, pela mão do maiorino do convento, cada ano e durante a vida do dito clérigo, que se compromete ao cumprimento destas e outras cláusulas, como a de não fazer qualquer alheamento, sob pena de pagar dez bois e o mais que fosse julgado. Da igreja de Abragão, que, devia ser «villa» com templo, nada consta, mas ela tornou-se a paroquial da paróquia de S. Pedro de Portocarreiro, que abrangia as actuais freg. de Abragão (S. Pedro, herdeira, pois do título) e Maureles, respectivamente nos actuais conc. de Penafiel e Marco de Canaveses. A inquirição de 1258 no julgado de Portocarreiro e na paróquia de S. Pedro, por deposição do próprio abade dela nesse ano, padre Martim Soares, alude a nove lug. povoados na vasta paróquia: Avregão, Granja, Vilar, Agrela, Ribaçais, Louredo, Vez de Avis, Samil e Maiareles (Maureles, hoje freg. por si). Em Abragão, havia vinte e três casais, assim distribuídos: quatro eram da própria igreja de S. Pedro paroquial, por doação; um era de herdadores, dos de Vez de Avis, que nunca haviam feito foro, não se sabia a razão («est herdatorum illorum de Bees de Avis qui non faciunt ullum forum»); sete e meio eram do mosteiro de Paço de Sonsa, sendo parte de doação e parte por compra muito antiga, «et habet maximum tempus»; dois e uma «quintã» (honra residencial), de Martim Gil «de Arões», filho-de-algo que a honrava (razão por que se diz que «una quintana est onrata», não se sabendo de quem a honrou); três casais eram ainda da própria igreja de S. Pedro, mas estes foreiros à coroa (fossadeira, espádua voz-e-coima, etc.); quatro e meio pertenciam a herdadores, que deviam servir de mordomos e saiões e dar outros foros; etc. Na Granja havia dois casais, ambos da igreja paroquial, honrados por se ter criado neles Gonçalo Anes «de Portocarreiro», nobre desta notável estirpe: «sunt onrata quoniam nutriverunt ibi Gonsalvum Yanis de Portocarreiro» (o que também sucedia com um casal de herdadores em Abragão, por criação de outro nobre da mesma estirpe, João Anriques, pai daquele e cuja mulher obrigava os herdadores a partilhá-lo com ela, à força: «nutriverunt ibi Johannem Anriquiz et partit uxor ejus hereditatem cum herdatoribus per forciam»). No Vilar, havia cinco casais, sendo dois da igreja por compra muito remota, «ex longo tempore», entrando neles o mordomo da coroa, e sendo os outros três do bispo do Porto, por doação, e sem neles entrar o mordomo, porque os honrava o paço de D. Mónio Garcia, da sobredita estirpe: «propter honorem quintane que fuit domni Munionis Garcie». Em Agrela, havia três casais, respectivamente da igreja paroquial, do mosteiro de Mancelos e do de Vila Boa de Quires, por doações, dando fossadeira à coroa e galinhas, e peitando a voz-e-coima. Em Ribaçais, havia cinco, sendo um da igreja paroquial, outro do mosteiro de Vila Boa de Quires, um do chantre de Lamego (este pagando aqueles foros, com o da igreja) e dois do mosteiro de Paço de Sousa, por doação). Em Louredo, havia onze assim distribuídos: dois do mosteiro de Mancelos, por doação; dois do de Vila Boa, também doação: e sete, com residência paçã, dos filhos e netos de D. Egas Henriques «de Portocarreiro: «sunt cum sua quintana filiorium et nepotum domni Egee Anrici», não entrando aqui o mordomo devido a ser a honra daquela estirpe: «propter honorem quintana ipsorum militum». Em Vez de Avis, havia catorze casais, a maior parte do mosteiro de Paço de Sousa por antiga doação, «ex longo tempore», e os outros dos filhos de Lourenço Viegas «de Portocarreiro» (v. Vez de Avis). Em Samil, havia um casal, da Ordem do Templo, por doação. Em Maureles, havia onze, alguns do mosteiro de Vila Boa, outros da igreja paroquial, etc. (V. Maureles, neste Apêndice). Havia ainda na paróquia de S. Pedro de Portocarreiro vários reguengos, que as Inquirições de 1258 demarcam minuciosamente (nenhum deles organizado em casal ou casais), um deles «ad finem de alvares», tendo-se aqui «alvares» certamente como nome comum antigo de sentido botânico, ainda usado no séc. XIII, e designando certamente terrenos onde crescia o «alvar» (espécie de carvalho, ao que parece), o que dá valor linguístico àquele passo dos ditos monumentos. Como se vê, a estirpe dos «de Portocarreiro» aparece muito herdada nesta freg., e até surge a menção de um D. Mónio Afonso que os linhagistas medievais não citam e que, pelo patronímico e pelo lug. onde tem a sua «quintã» ou honra com paço, deve ser um irmão de D. Garcia Afonso «de Portocarreiro» com que os ditos linhagistas iniciam a linhagem referida. Também D. Garcia devia ter aqui quintã, em Louredo, enquanto aquele seu irmão a tinha em Vilar. De D. Garcia foi filho D. Raimondo Garcia, que nos meados do séc. XII aparece como um de «illos infanzones qui erant in Portugale» e que foi pai de D. Ouroana Reimondo «de Portocarreiro», que casou com D. Henrique Fernandes «Magro». Deles foi filho aquele D. João Henriques, criado na Granja, como é dito, e foram filhos ainda D. Egas Henriques «de Portocarreiro» e D. Sancha. O dito D. Egas Henriques é o pai do famoso raptor da rainha D. Mécia, mulher de D. Sancho II, chamado o 'Torres', e de vários irmãos (um deles é o arcebispo de Braga D. João Viegas e outro o alferes D. Gonçalo Viegas) da honra de Louredo nesta freg., da qual talvez ele fosse o cabeceiro, visto que só os filhos dele é que surgem com o chamamento da estirpe: D. João Raimundo «de Portocarreiro» e duas filhas. (Para mais de interesse desta linhagem na freg. de Abragão, v. Vez de Avis). Tão grande era a vassalagem vilã desta estirpe nesta freg. que eram os seus «homens» e os dos mosteiros e igreja aqui herdados quem cultivava os reguengos da paróquia: «et laborant omnem istum predictum regalengum homines militum et ordinum», dando desse reguengo à coroa, anualmente, a terça parte dos frutos. Não foi apenas aquela estirpe a possuidora de bens aqui, mas a dos «de Ribadouro» (Gascos): em 1105, um prócer dessa linhagem, D. Paio Peres «Romeu» doou ao mosteiro de Paço de Sousa muitos bens em diversos lug., entre eles o de Abragão, com a quarta parte da igreja respectiva, chamada já «Sancti Petri de Avregam» (mas dita em 1258 «de Portocarreiro» por se situar no pequeno julgado e ser também assim conhecida). Em 1167, Egas Pais doou ao dito mosteiro vários bens em Vez de Avis – e tudo isto explica em parte a posse de muitos casais pelo mosteiro nesta freg., segundo se vê nas Inquirições de 1258. Apesar da doação de D. Paio Peres «Romeu» de parte da igreja («de Sancto Petro de Avregam quarta», 1105), as ditas Inquirições não mencionam direito de padroado nela do mosteiro de Paço de Sousa: o padroado, segundo o próprio abade dela em 1258, padre Martim Soares, estava repartido em terças: uma, dos filhos e netos de Paio Moniz «dos Bons de Vez de Avis» (devem ser estes «bons» os tais vilãos- herdadores de Vez de Avis e que, apesar de vilãos, se dizia em 1258 nunca terem feito foro – o que, de facto, sucedia por vezes, embora raramente, como se compreende, com vilãos): «est una tertia filiorum et nepolum Pelagii Moniz Bonorum de Bees de Avis», do qual se frisa «que fuit herdator» (vilão); outra parte, de Gonçalo dos Lobos de Ribaçais: «et alia tertia est Gonsalvi Luporum de Ribazais herdatoris»; a outra terça, dos herdadores de Abragão, foreiros ao rei por tudo, do que é expressão plena e definitiva este passo: «et alia tercia est herdatorum de Avregam qui sunt herdatores et forarii domini regis per totum». Frei A. Meireles, que nada conheceu desta igreja além da doação de 1105, já nota que na bula de Gregório X que confirmava os bens do mosteiro de Paço de Sousa estava ausente a igreja de S. Pedro de Abragão. Pode afoitar-se que o convento cedeu a sua parte a herdadores, pois herdadores-vilãos mais ou menos privilegiados eram todos os padroeiros dos meados do séc. XIII. Nos meados do XVIII, estava ainda nesta freg. a sede do conc. de Portocarreiro, lug. onde o juiz e mais justiças davam audiências às terças-feiras e onde existia o pelourinho, de pedra lavrada. A freg. era abadia da apresentação do marquês de Fontes e noutras épocas, do padroado real, tendo o abade a côngrua de uns 200 mil réis. Diz o padre Cardoso que, antes de a igreja ter sido fundada onde está, existiam duas outras, uma no sítio das Portelas e outra na Quinta de Santome, num campo chamado do Santo, «em cujo sítio se achou haverá trinta anos um famoso túmulo de pedra e outras sepulturas rasas, que ainda hoje se descobrem». Já se viu que de facto, dentro do território desta freg. existiam já antes da Nacionalidade várias igrejas, mas nada prova que a de S. Pedro em Abragão fosse posterior nas condições apontadas pelo padre Cardoso, que desconheceu a história antiga desta localidade. Esta igreja foi reedificada no séc. XVII pelo abade dr. Ambrósio Vaz Golias (de Guimarães), que também edificou a residência e se sepultou na capela-mor. Provém desta freg. a estirpe e apelido fidalgo de Portocarreiro (topónimo onde entra o termo arcaico «porto», de sentido topográfico, isto é, passagem por abaixamento de cumeadas e o adjectivo também arcaico «carreiro», significando passagem fácil de carros, e nada de espanholismos que autores ignorantes do portuguesismo genuíno do topónimo consideram escrevendo, e dizendo, Portocarrero). Fazem parte desta freg. os lug. de: Agrela, Aldeia, Atão, Boucinha, Crasto, Eira Velha, Igreja, Louredo, Miragaia, Outeirinho, Pombal, Ribaçais, Ribeiro, Sardoal, Tapada,Tourão, Vez de Aviz e Vilar. Dom Raimundo fez no seu couto a honra e torre paçã de Portocarreiro. A torre, muito arruinada, ainda no séc. XIX existia na posse da família, situando-se na aldeia hoje chamada a Torre, em Vila Boa de Quires. A honra estendia-se por 34 casais ou vilas, incluindo as de Louredo, Souto, Aguelas, Granja, Vilar, Abragão, Agrela, Ribaçais, Vez de Aviz, Samil e Manseles, que durante muitos séculos se manteriam na família. O couto de Portocarreiro deu origem ao concelho de Portocarreiro, extinto definitivamente a 31.12.1853, que integrava as freguesias de Abragão, Maureles, S. Pedro e S. Nicolau de Canavezes, S. Pedro de Portocarreiro e Vila Boa de Quires. Sabe-se ainda que Dom Raimundo foi alcaide do castelo de Sátão (Viseu) e, segundo o nobiliário do conde Dom Pedro, «deu grand'algo a Mancelos», o que se confirma pelo facto dos seus descendentes serem naturais do mosteiro de Mancelos.

Actualização Vol.1 [pág. x]

ABRAGÃO. Freg. do conc. de Penafiel. Pop.: 1989 hab. Em 575 fogos (1970).
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