Alvares

Alvares
Góis



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Alvares é uma freguesia portuguesa do concelho de Góis, com 98,66 km² de área e 1.007 habitantes (2001). Densidade: 10,2 h/km².

Foi vila e sede de concelho até 1855. Era constituído pelas freguesias de Alvares e de Portela do Fojo. Tinha 2.817 habitantes em 1801 e 3.751 habitantes em 1849.

O rio Sinhel que toma o nome do local onde tem a sua origem, na Serra da Lousã, banha a vila de Alvares. Nos tempos mais recentes dotado com uma represa desmontável, a qual cria uma piscina natural, delícia e prazer de quantos que a frequentam. A freguesia de Alvares foi rica em castanheiros, que chegaram a ser seculares, mas uma grande moléstia dizimou-os em poucos anos. Na actualidade são os pinheiros que, no seu extenso terreno xistoso, se desenvolvem admiravelmente, sendo a fonte da sua maior riqueza.

Localidades

Junto da linha de água onde a Serra Sinhel começa a elevar-se na direcção das Pedras do Limiar, para servir de contraforte à cordilheira da Estrela, na vertente sul da região montanhosa e mais próxima dos afamados Penedos de Góis. Está distribuída pelos lugares de : Algares, Alvares, Amieiros, Amiosinho, Amioso Cimeiro, Amioso do Senhor, Amioso Fundeiro, Boiça, Cabeçadas, Candeia, Caniçal, Carrasqueira, Casal Novo, Chã de Alvares, Cilha Velha, Coelhosa, Corga da Vaca, Cortes, Estevianas, Fonte dos Sapos, Fonte Limpa, Lomba, Madeiros, Mega Cimeira, Mega Fundeira, Milreu, Obrais, Portela do Torgal, Relva da Mó, Roda Cimeira, Roda Fundeira, Simantorta, Telhada, Vale da Fonte, Vale do Laço e Varzina.

Características

Confina-se esta região entre as margens do Alva e as alturas das serras da Lousã e do Açor. Acidentada em extremo, revelam-se nela outras serras, forradas quase exclusivamente pelos esbeltos e tenazes pinheiros bravos: Picoto, Vale Grande, Reguengo, Monte Frio, Catraia, Freiras, Rabadão e tantas outras. Em suma, a serra, na designação vulgar, em oposição aos terrenos dos vales, sulcados por alguns rios e ribeiros. Paisagem que poderá parecer monótona aos desatentos, mas pronta a revelas os seus segredos aos que ousarem trepar aos pontos altos. Corre-lhe pela cintura o Ceira, ainda rude, e fertilizaram-na os rios menores, como o Sótão, e, entre outras, as ribeiras de Celavisa, Folques e Pomares. A norte do Alva ficam as terras da Casconha, algo diferenciadas.

Eis o cenário de uma luta secular entre o homem e a terra, roubada palmo a palmo aos matagais, para uma lavoura de recurso que ao longo dos tempos se desenvolveu principalmente junto aos cursos de água., cujo desnível é aproveitado para a rega. "As terras boas são quando pegam no rio, o pior é quando o rio pega nelas…", diz o povo, afeito a esta luta sem tréguas com a terra que, apesar de tudo, ama intensamente, mesmo quando se vê obrigado a procurar na emigração os meios de subsistência.

Contudo, esta natureza avara talvez tenha riquezas insuspeitadas nas suas entranhas. A tradição assegura que as aluviões do rio contêm ouro, que no passado foi alvo de exploração mineira; recentemente, realizaram-se sondagens que se diz terem sido positivas. Também a exploração de volfrâmio trouxe certa prosperidade, mas de efémera duração.

Casa de xisto e de granito, que, passado o primeiro Inverno, tanto parecem ter um ano como um século, irmanam-se com a Natureza. As modernas construções, porém, mancham a paisagem de pontos álacres e inesperados.

Toponímia

O topónimo Alvares, ao que tudo indica, é o plural do apelativo arcaico "alvar", espécie de carvalho, actualmente designado por alvarinho, sendo então alvares, um lugar abundante em carvalhos, que era o caso na altura da denominação, por volta do século XI ou XII.

História

A origem de Alvares perde-se nos tempos, não se sabendo exactamente quando nem por quem foi fundada. Historiadores afirmaram que o principal factor que levou vários povos a habitarem em Alvares foi, a exploração das minas de ouro, prata, cobre e outros metais aqui existentes. A freguesia de Alvares teria começado a ser habitada entre 1700 e 2000 a.C. Os Romanos chegaram a Alvares por volta de 600 anos d.C. para explorar as minas ricas em ouro da "Escádia Grande", localizadas ao longo da ribeira do Sinhel, junto á Roda Cimeira. Este povo também nos deixou uma grande quantidade de achados arqueológicos, encontrados dentro e em redor das minas.

Por volta de 712 d.C. os Árabes também vieram marcar a sua presença, este que exploraram intensivamente as minas até serem expulsos por D. Afonso III em 1499. D. Afonso III deixou as marcas da sua presença ao plantar grandes áreas de castanheiros, marca tornada quase invisível visto que restam muito poucos castanheiros, outrora trocados por pinheiros que mais tarde foram trocados por eucaliptos, que também já foram devastados pelo fogo.

O Professor Anselmo dos Santos Ferreira, nas suas "Memórias acerca da Vila de Alvares", menciona o seguinte:

"A origem de Alvares perde-se na noite dos tempos, e ninguém sabe exactamente quando nem por quem foi fundada. Os nossos primeiros reis lhe deram grandes privilégios. Teve foral velho. E, mais tarde, na revisão deste, o nosso rei D. Manuel I dignou-se conceder-lhe as antigas honras de vila. Foi sede de concelho, desde remota época, até à publicação do decreto de 24 de Outubro de 1855. O concelho era constituído pela freguesia de Alvares e pela de Portela do Fojo, criada em 1795."

Do lugar, escreveu o padre Cardoso nos meados do século XVIII:

"Vila na província da Beira, Arcediago de Penela, tem seu assento num ameno vale entre outeiros. Corre por junto dela a grande ribeira do Sinhel que acaba em um pequeno rio a que se chama Unhais, que se mete no rio Zêzere. De fronte da matriz da vila, há uma fonte a que se chama de São Mateus, cuja água é muito fria e tem virtude especial contra o mal da opilação. Pelo direito de padroado, é de crer que o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra tivesse tido aqui bens nos séculos XII a XIV."

Alvares, antiga vila, entre montes e pinhais. Já foi sede de concelho, até 24 de Outubro de 1855, por decreto de lei foi extinto o concelho de Alvares, passando a freguesia de Alvares a integrar o concelho de Góis.

Em 1762, era vila na correição de Tomar, Estremadura. Sede de concelho na Beira, em 1821, detinha 492 fogos e 2267 habitantes. Em 1826, alargou a sua área de jurisdição, tendo agregado a freguesia da Portela do Fojo, criada em 1795 com 104 fogos. Em 1835, era concelho no julgado de Figueiró dos Vinhos, Beira Baixa. Em 1842, concelho no distrito de Coimbra, província do Douro.

Em 24 de Outubro de 1855, por decreto publicado, é extinto o concelho de Alvares, passando a freguesia de Alvares a integrar o concelho de Góis. Nos princípios do século XX, a freguesia de Alvares fazia parte da província da Beira Baixa, permutando as malas do correio com um estafeteiro da Pampilhosa da Serra, embora pertencesse, como hoje, ao concelho de Góis.

Património

Igreja matriz de São Mateus

A igreja matriz de São Mateus, oferecida ao orago da freguesia, fica situada no extremo sul da Serra do Sinhel, quase no cimo da povoação. A sua arquitectura actual, após obras de reparação e restauro, já nada tem a haver com a arquitectura Filipina de antanho. É um edifício modesto que sofreu várias modificações através dos séculos. A porta principal, emoldurada nas ombreiras e no arco, ostenta a data de 1616 entre desenhos vegetais. No interior destacam-se o retábulo setecentista, do altar-mor e o altar de São José, pela sua obra de talha, a qual está bem conservada, apesar de ter mais de trezentos anos. Impõe-se também alguma imaginária da época.Mesmo ao lado da igreja existia um cemitério que foi destruído nas segundas eleições após o 25 de Abril.

Capela do Mártir São Sebastião

Ao fundo da vila, da confluência do ribeiro do Caniçal com o rio Sinhel, ergue-se a, não se sabe a data da sua construção mas sabe-se que foi reedificada em 1804.

"No fundo da vila, próximo da confluência do ribeiro do Caniçal com a ribeira de Sinhel, ergue-se, desde os longínquos dias de antanho, a capela grande, mas simples, em honra do mártir São Sebastião, a qual foi reedificada em 1804. (…) Um século depois daquela data, em 1904, foi construído um vasto cemitério, sobre o dorso do monte que, modestamente, ostenta o disperso bairro da ladeira."

Outros pontos de interesse

A ponte de pedra, que une Cacilhas e o Soito com os seus dois grandes arcos, e que segundo se crê, foi construída em 1858.

Nas Corelas encontra-se erigida a escola primária, restaurada há pouco tempo por já ser centenária e considerada monumento nacional.

O antigo edifício dos Paços do Concelho, que se situava junto ao Soito, já não existe, tendo sido objecto de demolição.

O Pelourinho que se encontra junto ao terreno da casa paroquial situava-se há 488 anos atrás no Soito. Este marco servia para aplicar a justiça em praça pública excepto a pena de morte, que naquele consistia em enforcar o culpado. O enforcamento na entrada para a vila para que todos os habitantes "sentissem" a justiça e a temessem, servindo de exemplo para todos.

Sobre o dorso do bairro da Ladeira ergue-se, desde 1904, o vasto cemitério.

À entrada da vila, situa-se de construção recente, o parque de jogos e o quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis.

Pedra Letreira

Não podemos deixar de fazer referência á Pedra Letreira que podemos encontrar nas Cabeçadas. A "Pedra Letreira" é uma rocha que tem várias figuras gravadas, ainda existe um grande mistério sobre o significado das figuras. Uns dizem que se trata de um mapa codificado, e é por isso que os "anciãos de Alvares" (se é assim que os podem chamar) dizem que:

"Em frente à Pedra Letreira
Há três minas em carreira:
Uma de ouro, outra de prata
E outra de peste que mata".

Mas ainda não foi provado o que se diz sobre a Pedra Letreira. Até este momento ainda não se conseguiu decifrar o significado dos arcos e flechas misturados com animais, com membros e cabeças humanas e outros tantos sinais geométricos.

Economia

  • Exploração florestal
  • Agricultura

Feiras

  • Mensal (2º Domingo de cada mês)

Festas e Romarias

  • São Mateus (Agosto)
  • Santa Margarida (Chã de Alvares, Agosto)
  • São João Baptista (Cortes, 1º fim de semana de Setembro)

Gastronomia

  • Bucho à moda de Alvares
  • Chanfana
  • Cabrito
  • Maranhos

Ligações externas

Fotografias

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