Cabeço da Argemela


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A norte da povoação de Lavacolhos, freguesia do concelho do Fundão, e nos limites da freguesia do Barco, concelho da Covilhã, ergue-se o Cabeço da Argemela. No alto há vestígios de um majestoso castro e a meio da encosta, as ruínas de três muralhas que o circundaram. Elas parecem ter pertencido a fortificações romanas ou lusitanas e são, talvez, testemunho da luta entre eles. As fortificações que se assemelham pela textura aos "limes" romanos e que foram destruídos para a construção de igrejas, provam bem a presença de romanos nestas paragens.

Toponímia

O próprio nome do monte, Argemela, parece ser de origem germânica, um genitivo do nome pessoal Argemira. Outros referem que o nome é de origem árabe e poderia vir de al djebel (montanha). Novamente a lenda entra em acção e refere uma outra origem para este nome, contada por Pinho Leal no "Portugal Antigo e Moderno". Repare-se que o próprio Pinho Leal encontra uma outra explicação:

"É curiosa a tradição sobre a etymologia do nome d'este monte. Diz ella que uma lusitana cahida em poder dos romanos, na véspera do seu casamento, foi levada ao dito castro e ahi a quiseram obrigar a declarar a guarida do seu desposado, ao que ella heroicamente se recusou, sendo por isso queimada. Por muitos annos se ouviram gemidos que pareciam vir do monte, e os que ouviam, diziam: "No ar geme ella!". E lá ficou ao tal pico o nome de Argemella.
Sem querer destruir esta romântica tradição, estou persuadido que o nome d'este monte é corrupção da palavra árabe aljobeila, que é diminutivo de jabalon, que significa monte, vindo a ser montinho.
Posto que a subida a este pico seja custosa, pela escabrosidade do terreno, fica bem compensado da fadiga, o viajante que attingir o seu cume, pela vasta e deliciosa vista que d'alli disfructa. D'este ponto se descobrem campos, mattos, serras e várias povoações da pittoresca Cova da Beira, que d'aqui se vê em toda a sua extensão."

Lenda

Vizinha do monte ocupado pelos Romanos, vivia uma linda moça lusitana que tinha o seu casamento ajustado com um dos mais destacados lugar-tenentes de Viriato. Na véspera do casamento os Romanos conseguiram raptá-la, procurando forçá-la a revelar notícias respeitantes ao noivo e à guerra que se travava entre eles e os Lusitanos. A heróica moça resistiu a todos os maus-tratos ao ponto de morrer queimada sem que revelasse, fosse o que fosse, contra os seus. Pelos séculos dos séculos, desde então, ficaram a ouvir‑se gemidos que pairavam próximo sobre o monte o que leva o povo a dizer: — No ar geme ela! Daí o nome por que ainda hoje o monte é conhecido - Argemela.

Saúdo-te com tambores!
Penitente da emoção,
No ar-geme-ela de amores
Lavacolhos no coração.

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