Carregado

Carregado
Alenquer



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Carregado é uma freguesia portuguesa do concelho de Alenquer, com 15,52 km² de área e 9.066 habitantes (2001). Densidade: 584,1 hab/km².

Nó central de eixos viários, desde os primórdios, (primeira linha dos caminhos de ferro, Lisboa - Carregado); cruzamento da Estrada Real Lisboa - Caldas da Rainha e Lisboa - Santarém, bem como pólo fluvial importante através do rio Tejo, desde Lisboa às Portas de Ródão, o Carregado continua hoje a sua tradição de nó central das linhas viárias que cruzam o País.

De povoação rural onde abundavam as Quintas (Condessa, Telhada, Queimada, São Julião, Alegria, Santo António, “Vaz Monteiro”, Barrão, Passagem, Campo (Marquês), Vale Flores, Casal Novo, Meirinha, Mendanha, Casal Velho, Barrada, Colónia, Roseiral, Outeiro, Chacão, Seixas, Alconchel, Boa-Água, Peixoto, etc.) o Carregado é hoje zona comercial e industrial, mercê da sua privilegiada localização. As vinhas, os campos de trigo e os olivais, cederam o seu lugar a novas construções. As indústrias implantaram-se na área, as populações modificaram o seu modo de vida, o Carregado iniciou o seu crescimento.

Localidades

História

A história do Carregado ainda está por fazer. Pouco se sabe do seu início, mas o seu nascimento teve certamente origem nas variadas e importantes quintas que aqui existiam, algumas delas ainda podem ser visitadas.

"Em 22 de Dezembro de 1837 foi mudada o Valle do Carregado para o Concelho de Alemquer e freguezia de Cadafaes. D'antes tinha pertencido a Villa Franca de Xira".

Presentemente aquele lugar pertence de novo ao seu concelho de origem. A freguesia de Sant'Iago, hoje reunida à de Santo Estevão, tinha em 1758 apenas 40 fogos e 160 almas e compreendia os lugares de Pancas, Parrotes e Carregado.

"A parochia de Santo Estevão é a reunião das freguezias de São Pedro e Sant'Iago: os logares que abrange são Pedra d’ Oiro, Paredes, Trombeta e parte dos logares de Pancas e Carregado.

A ocupação humana na freguesia remonta à pré-história, nomeadamente nas épocas do Paleolítico e Neolítico.

"Nas camadas do caminho do Carregado para Cadafaes, encontram-se sílex lascados, maxilares de pequenos animaes, dentes molares de homens e fragmentos de loiça grosseira, vermelha e anegrados. Nas camadas dos Casaes do Carregado encontram-se em areeiros, alguns calhaus de sílex de peso de 2 a 8 Kilos e raras lascas e peças pequenas da mesma substância. Nos calhaus percebe-se que algumas lascas não deixam dúvidas sobre a mão do homem, o que nos garante a presença do “Genus Homo” nesta Terra".

Centro de comunicações por excelência o Carregado assumiu desde há séculos, um papel histórico-geográfico, como porto fluvial, estação ferroviária e centro viário de ligação com o Norte do País. Desde a idade média, coloca-se como ponto estratégico e passagem obrigatória que aqui faziam as galeras e os almocreves que, entre a Vala do Carregado e o Alto Concelho de Alenquer, escoavam toda a produção artesanal e agrícola da região. Entre 1758 e 1855 passaram na localidade as carreiras diárias da mala posta entre Lisboa, Caldas da Rainha e Coimbra.

Em 1 de Setembro de 1850 foi iniciada a construção da Estrada Real entre Lisboa e Caldas da Rainha passando por Carregado, Alenquer e Ota. A primeira carreira regular da Mala-Posta em Portugal confere ao Carregado o lugar da mais importante estação de apoio aos serviços regulares desta carreira entre Lisboa e Caldas da Rainha, que funcionou até 1864. De notar que o marco existente no Carregado tem inscrito numa das faces: ESTRADA QUE / VEM DAS CAL/DAS DA/RAINHA e noutra das faces : ESTRADA QUE / SE DERIGE / A SANTARÉM / ANNO DE 1788, o que nos leva a crer que esta estrada possivelmente construída em cima de antigos caminhos romanos já funcionava muito antes de 1850.

A 28 de Maio de 1855 inaugurou-se a carreira diária, da Mala-Posta entre o Carregado e Coimbra. Os passageiros e o correio saíam de Lisboa numa barca da Companhia de Barcos e Vapores do Tejo, seguiam até ao cais da Vala do Carregado, donde partia a deligência ao meio dia. À mesma hora da partida do Carregado, saía de Coimbra uma outra diligência que chegava à estação da Vala do Carregado cerca das 11 horas da noite. A partir de 1859, esta carreira alargou o seu trajecto e passou a ligar Lisboa ao Porto.

Nesta deligência de 6 lugares, puxada por 4 cavalos, o preço de uma passagem entre o Carregado e Ota, com direito a 33 arráteis de bagagem (cerca de 15 Kg) era de 720 réis em primeira classe e 480 em segunda.

Em 28 de Outubro de 1856, inaugurou-se o caminho de ferro de Portugal, com a primeira linha férrea de Lisboa ao Carregado. Desta inauguração transcrevemos uma passagem do livro de memórias da Marquesa de Rio Maior (que à data era ainda criança ):

"Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou. Minha mãe não quis ir ao banquete do Carregado. Mas foi comigo para um cerro fronteiro à estação de Alhandra ver a passagem do comboio (….).

Finalmente, avistámos ao longe um fumozinho branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio ? Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. O comboio parou por um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes (…).

(…) Só no dia seguinte ouvimos o meu pai contar as várias peripécias dessa jornada de inauguração. A máquina (…) não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Creio que se o Carregado fosse mais longe e a manter-se uma tal proporção, chegava lá a máquina sozinha ou parte dela. (…)

(…) Meu pai passou para a carruagem real, na qual chegou ao Carregado, onde assistiu aos festejos e comeu lautamente, porque o banquete era farto ".

Com esta inauguração, a máquina a vapor substitui as faluas do Tejo, e, gradualmente, os serviços regulares das carreiras da mala-posta. O Carregado tornou-se numa povoação importante pele sua situação no cruzamento da estrada de Lisboa para Santarém com a estrada para o Cercal e Caldas da Rainha.

Mais recentemente uma nova rodovia passou a atravessar o termo da freguesia: a Auto Estrada A1, o principal eixo rodoviário do País. Presentemente está em construção uma nova rodovia a A10 que se destina a fazer a ligação ao sul do País, ficando com uma das maiores rotundas de auto-estradas da Europa.

Heráldica

Ordenação heráldica do brasão e bandeira publicada no Diário da República, III Série de 29/01/1998

Armas

Escudo de verde, aspa de negro, filetada de prata e brocante um marco de caminhos, de prata; contra-chefe diminuto de coticas ondadas de prata e azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas: "CARREGADO".

Bandeira

Esquartelada de branco e negro, cordões e borlas de prata e negro. Haste e lança de ouro.

Símbologia

Escudo de verde

Para representar a agricultura, por ser historicamente uma zona de propriedade agrícola.

A aspa de negro

A Freguesia do Carregado constitui de longa data um nó importante de vias de comunicação do País. De Lisboa se partia por via fluvial ou terrestre até ao Carregado e daí partiam as estradas reais para Leiria, Coimbra e Porto e a de Santarém, Abrantes e Beira Alta. A aspa de negro pretende simbolizar o cruzamento de estradas.

O marco de caminhos

É de registar que em toda esta área e único no país, se encontram os marcos de caminhos, rigorosamente copiados e expostos no museu dos C.T.T.

As coticas de prata e azul

Representa o rio Tejo, limitação da freguesia e como já se descreveu, via de comunicação importante.

Património

  • Quinta do Campo (conjunto edificado), incluindo a casa de habitação, capela, "tentadero" e outras instalações e pertences
  • Marco de cruzamento na EN 3, desvio para a povoação de "Obras Novas"

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