Castanheira de Pera

Castanheira de Pera
Sub-região Pinhal Interior Norte



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Foto de Vítor Oliveira

Lista de Municípios Portugueses

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Castanheira de Pera é uma vila portuguesa no distrito de Leiria, região Centro e sub-região Pinhal Interior Norte, com cerca de 3.600 habitantes.

É sede de um pequeno município com 66,86 km² de área e 3 317 habitantes (2006), subdividido em duas freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Góis, a sueste por Pedrógão Grande, a oeste por Figueiró dos Vinhos e a noroeste pela Lousã. O município foi criado em 1914, pertencendo anteriormente a Pedrógão Grande.

Freguesias

Toponímia

A grafia "Castanheira de Pera" baseia-se na origem do nome desta localidade, que deriva de pedra e não de pêra (fruto da pereira). Aliás, até meados do século XIX, o nome da localidade era Castanheira de Pedrógão. A grafia "Castanheira de Pêra" está portanto errada, embora seja, infelizmente, muito frequente (incluindo no brasão representado neste artigo).

História

As origens de Castanheira de Pera remontam, certamente, a muitos séculos antes do primeiro documento histórico comprovativo. O primeiro documento conhecido, referindo nomes de povoações do actual concelho, tem a data de 1467 - é uma sentença de Afonso V sobre os baldios do Coentral.

Lenda da Princesa Peralta

Porém, existe uma lenda que nos fala da princesa Peralta, filha de el-rei Arunce. Esta lenda foi escrita, em 1629, por Miguel Leitão de Andrada. Segundo a lenda, em 72 a.C., fugida de Colimbria, em consequência da invasão do reino, Peralta refugiou-se com seu séquito no Castelo de Arouce (Lousã). Por influência de Sertório (guerreiro romano que por ela se apaixonou), decidiu ir para Sertago. No caminho, morreu sua aia, Antígona, que ali mesmo foi enterrada. Sobre a sepultura foi colocada uma lápide com a seguinte inscrição: "ANTÍGONA DE PERALTA AQUI FOI DA VIDA FALTA". A deusa Vénus, que perseguia a princesa, enviou um poderoso raio, que transformou os acompanhantes em montanhas e a bela Peralta numa formosa sereia, que ficou vivendo nas águas que brotavam da serra. Esse raio desfez, igualmente, a lápide, onde, para a posteridade, apenas ficou da primitiva inscrição: ANTIG…A DE PERA…

Desta lenda maravilhosa nasceu Castanheira de Pera.

Século XVI ao Século XX

Castanheira de Pera pertenceu à freguesia de Santa Maria de Pedrógão. Em 1502, foi fundada a freguesia de Castanheira de Pera. Mais tarde, em 1691, a freguesia do Coentral. De 1895 a 1899, Castanheira e Coentral pertenceram ao concelho de Figueiró dos Vinhos, quando o concelho de Pedrógão Grande foi extinto. Em 1899, um decreto restaurou o concelho de Pedrógão e Castanheira e Coentral voltaram a pertencer a este concelho.

A importância social e económica de Castanheira, decorrente do desenvolvimento da indústria de lanifícios, impunha-se ao concelho que, radicado em Pedrógão, era acusado de "administração desligada dos interesses das povoações do nordeste". Castanheira pretendia, assim, desanexar-se de Pedrógão. Porém, as lutas políticas e as rivalidades eram muitas. Numa terrível campanha eleitoral, em 1913, a lista da Castanheira conseguiu a vitória para a Câmara de Pedrógão, por escassos três votos.

Conquistada a Câmara, estavam abertas as portas para a autonomia municipal. Foi elaborado o projecto de lei n.º 47-A, da autoria de Victorino Godinho, que justificava a criação do concelho de Castanheira de Pera:

"Castanheira de Pera é uma das mais florescentes povoações do país (…) atestam-no bem a pujança industrial e comercial, o número relativamente elevado dos seus habitantes (5.684) e as suas contribuições para a Fazenda Nacional e para o município. (…) Ao norte da Castanheira existe outra freguesia do concelho de Pedrógão, Coentral (839) habitantes, que com aquela se encontra em fáceis comunicações e que naturalmente deverá fazer parte de novo concelho, que assim ficará com 6.523 habitantes (…)".

A lei n.º 203, que aprovava a criação do concelho, foi publicada no Diário do Governo, Iª série, n.º 99, de 17 de Junho de 1914. Em 4 de Julho de 1914, é fundado o concelho de Castanheira de Pera. Um dos períodos mais complicados, mas também dos mais pitorescos do concelho de Castanheira de Pera foi o que decorreu de 1923 a 1926 - período em que houve dois executivos camarários antagónicos que se auto-consideravam legítimos e que, em nome da lei, cobravam impostos e aplicavam multas.

Heráldica

Brasão

De prata, com um castanheiro folhado e frutado de sua cor, saído de um terrado de verde, realçado de negro, cortado por três faixas ondadas de prata e de azul. O tronco do castanheiro acompanhado por dois rodízios de pás, em pala, de vermelho. Listel branco com os dizeres "Vila de Castanheira de Pera", a negro. Coroa mural de quatro torres, de prata.

Bandeira

Verde. Cordões de borlas de prata e verde. Haste e lança douradas.

Selo

Circular, tendo ao centro as peças das Armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "CÂMARA MUNICIPAL DE CASTANHEIRA DE PERA".

Simbologia

Como o castanheiro e o terrado são de verde, a Bandeira deve ser dessa cor. Quando destinada a cerimónias ou cortejos, a Bandeira é de seda e bordada, tendo a área de um metro quadrado. Foi indicada a prata para o campo das Armas, por este metal, na heráldica, denotar humildade e riqueza. O verde, que esmalta o castanheiro e o terrado, significa esperança e fé. O negro, que realça o terrado, representa a terra e significa firmeza e honestidade. A ribeira está representada tal como determinam as regras da heráldica: ondado em faixas de prata e azul. Este esmalte significa zelo, caridade e lealdade. Os rodízios de pás, com que a força é transmitida às fábricas, são vermelhos, porque este esmalte, na heráldica, significa força e vida.

Economia

Indústria de Lanifícios

Há muitos séculos atrás, os castanheirenses resolveram aproveitar os recursos naturais locais e desenvolver as artes e os ofícios que sabiam. Havia pastagens, rebanhos, lãs, boas águas, gente que sabia tosquiar, fiar, cardar, tecer, pisoar e tingir. Assim, nasceu a arte dos lanifícios em Castanheira de Pera. Predominou uma produção artesanal até 1860, altura em que foi criada a primeira fábrica.

José Antão fundou a primeira fábrica do concelho, na Abelheira de Baixo, movida por roda hidráulica. José Antão era um comerciante ambulante da Gestosa Fundeira, que comprava os seus artigos no Porto e vendia-os ou trocava-os por lã no Alentejo. De espírito arguto, resolveu manufacturar a sua lã, fundando, em 1860, uma fábrica. Muitas fábricas se seguiram: Retorta, Várzea, Safrujo, Esconhais, Rapos, Pereiros, Torgal, Bolo, Foz, entre outras.

Um grande amor à terra, as naturais tradições do fabrico de lanifícios e a fonte de energia natural, que era a Ribeira de Pera, favoreceram este surto de desenvolvimento. A população não dependia, agora, apenas de uma agricultura de subsistência, das migrações para o Ribatejo e Alentejo, da emigração para o Brasil ou dos seus rebanhos, pisões ou teares caseiros; havia as fábricas.

A implantação industrial foi o motor de desenvolvimento de Castanheira de Pera, que chegou a ser o terceiro centro nacional da indústria de lanifícios.

Turismo

A economia do concelho assentou, durante décadas, na indústria de lanifícios. Contudo, a partir de 1980, a indústria começou a atravessar uma grave crise, que levou ao encerramento de várias fábricas. A aposta num diferente sector - o turismo - apresentou-se como uma alternativa viável, uma vez que o concelho possui múltiplos recursos endógenos (ribeiras, serra, património, artesanato, gastronomia,…). Assim, nos últimos anos, verificou-se um grande investimento na potencialização/exploração desses mesmos recursos.

Aproveitando as águas da Ribeira de Pera, foi criada a Praia Fluvial das Rocas - um complexo de lazer situado num lago com quase um quilómetro de extensão. A grande atracção desta praia é uma piscina de ondas artificiais que ocupa 2.100 m2 (a maior do país). Após a abertura deste complexo turístico, em 2005, mais de duzentas mil pessoas visitaram Castanheira de Pera. Actualmente, a Praia das Rocas é o cartão de visita do concelho.

Tal como as indústrias de lanifícios, no século XIX, foram o motor de desenvolvimento do concelho, o turismo no século XXI é, e será certamente, o novo motor de desenvolvimento do concelho.

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