Castelo Branco

Castelo Branco
Sub-região Beira Interior Sul



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Foto de Vítor Oliveira

Lista de Municípios Portugueses

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Castelo Branco é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Castelo Branco, situada na região Centro (Beira Baixa) e sub-região Beira Interior Sul, com cerca de 34.524 habitantes, sendo uma das maiores cidades do Centro Interior de Portugal.

É sede de um dos maiores municípios portugueses, com 1.439,94 km² de área e 54.574 habitantes (2006) , subdividido em 25 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Fundão, a leste por Idanha-a-Nova, a sul pela Espanha, a sudoeste por Vila Velha de Ródão e a oeste por Proença-a-Nova e por Oleiros.

Ao contrário de outras cidades da região, que cresceram notavelmente devido à industria têxtil, Castelo Branco sempre teve uma importância geo-estratégica e política em Portugal. Não está por esse motivo sujeita às flutuações económicas que deslocalizaram empresas têxteis, mormente de laboração manual desqualificada, como sucedeu na região norte e na Cova da Beira. A composição sociológica predominante é por esse motivo também muito diferente de outras cidades de cultura do operariado.

Freguesias

Alcains Juncal do Campo Retaxo
Almaceda Lardosa Salgueiro do Campo
Benquerenças Louriçal do Campo Santo André das Tojeiras
Cafede Lousa São Vicente da Beira
Castelo Branco (freguesia) Malpica do Tejo Sarzedas
Cebolais de Cima Mata Sobral do Campo
Escalos de Baixo Monforte da Beira Tinalhas
Escalos de Cima Ninho do Açor
Freixial do Campo Póvoa de Rio de Moinhos

História

Castelo Branco deve o seu nome à existência de um castro luso-romano, Castra Leuca, no cimo da Colina da Cardosa, em cuja encosta se desenrolou o povoamento da área.

Da história antes de 1182 pouco se sabe. Existe, porém, um documento, desta data, de doação aos Templários de uma herdade Vila Franca da Cardosa, emitido por Fernandes Sanches, um nobre. Em 1213 recebeu foral de Pedro Alvito, cedido pelos Templários, em que aparece a denominação Castel-Branco. O Papa Inocêncio III viria, em 1215, confirmar esta posse, dando-lhe o nome de Castelobranco. Por volta desta altura ter-se-iam mandado edificar, pelos Templários, as muralhas e o castelo, entre 1214 e 1230. No interior desta delimitação encontra-se a Igreja de Santa Maria do Castelo, antiga sede da freguesia. Aqui se reuniam a Assembleia dos Homens-Bons e as autoridades monástico-militares, até ao século XIV.

Em 1510 é concedido Novo Foral a Castelo Branco, por D. Manuel I, adquirindo mais tarde o título de notável com a carta de D. João III, em 1535. Torna-se assim em 1642 a Vila de Castelo Branco, cabeça de comarca notável e das melhores da Beira Baixa. O actual Museu serviu de Liceu Central de 1911 até 1946, abrindo como museu em 1971.

Em 1771 é elevada a cidade por D. José e o Papa Clemente XIV cria a diocese de Castelo Branco que viria a ser extinta em 1881. O Paço Episcopal (anexo ao actual Museu Francisco Tavares Proença Júnior) é um dos melhores exemplos. Mandado construir pelo Bispo da Guarda, D. Nuno de Noronha, entre 1596 e 1598, foi o paço de residência dos Bispos de Castelo Branco.

A 16 de Agosto de 1858 inaugura-se a linha telegráfica Abrantes - Castelo Branco e em 14 de Dezembro de 1860 a cidade inaugura a sua iluminação pública, passo importante para o desenvolvimento da cidade. Com efeito, a cidade viria a tornar-se capital do distrito em 1959. A 6 de Novembro de 1954 a cidade é assolada por um tufão inflingindo danos consideráveis nas infrastruturas.

Economia

Um dos produtos típicos da região são as colchas de linho bordadas com fio de seda natural, conhecidas como bordados de Castelo Branco, de inspiração oriental, que se tornaram conhecidas a partir de meados do século XVI. Têm semelhanças com as colchas de Toledo e Guadalupe, na Espanha. Representaram, durante séculos, a dignidade do enxoval de qualquer noiva da região, quer fosse plebeia ou nobre. Alguns dos elementos destes bordados são o lar e a árvore da vida, os desposados (representados por pássaros juntos), os cravos e rosas representando o homem e a mulher, respectivamente, os lírios, a Virtude, corações para o Amor, gavinhas para a Amizade, entre outros.

Pelos olhos de José Saramago

Notas de José Saramago na sua "Viagem a Castelo Branco"

"Hic est Chorus"

Este livro resulta de uma viagem que o autor fez por Portugal, com o intuito de descobrir novos caminhos, para além daqueles que todos conhecem e indicam. Descubra como José Saramago - Prémio Nobel da Literatura em 1998 - viu a cidade de Castelo Branco.

"O viajante desce pela cidade velha, Rua dos Peleteiros abaixo, e, para se consolar da decepção, vai murmurando:

Tão cansados, tão chorosos,
Tão doentes da partida,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.

Há fortunas literárias que em pouca abundância numeral assentam, como é o caso deste João Ruiz (ou Rodrigues) de Castelo Branco, que, pouco mais tendo feito que estes sublimes versos, há-de ser lembrado e repetido enquanto houver língua portuguesa. Um homem vem a este mundo, dá duas voltas e vai-se embora, foi quanto bastou para modelar e dar corpo a uma expressão de sensibilidade que depois se incorpora em comportamentos colectivos.

Neste reflectir se achou o viajante defrontado com a Sé, que não sabe o que há-de fazer da inexpressiva fachada que lhe deram. Dentro se vê que não se aprimoraram particularmente os que tiveram por missão enriquecer de arte o templo a S. Miguel consagrado: confiemos que a magnanimidade do arcanjo lhes perdoará o pouco caso. Muitos outros perdões vão ser necessários, e do pecado da soberba não se livra o bispo D. Vicente, que sobre a porta da sacristia mandou colocar o seu brasão, que é, para tudo dizer em três palavras, um delírio de pedra. Cristo teve como único emblema uma bruta cruz, mas os seus bispos vão atravancar o céu com quebra-cabeças heráldicos que darão que fazer para toda a eternidade.

Este lado da cidade é tão provinciano, ou provincial, para retirar o que possa ser entendido como pejorativo na primeira palavra, que o viajante tem dificuldade em admitir que ao redor destas ruas e pequenos largos haja sinais de vida moderna, febril e agitada, como se diz. É uma impressão que lhe fica e em toda a visita não se modificará. Aos poucos vai-se aproximando do jardim do paço. Está aqui o cruzeiro de S. João, pedra rendilhada, vazada como uma filigrana, onde, por mais que se procure, não se encontrará uma superfície lisa. É o triunfo da curva, do enrolamento, da eflorescência. Mas este cruzeiro, desamparado numa larga praça de passagem lateral, aparece alheio ao espaço que o circunda, como se tivesse sido vítima de transplantação mal pensada. Supõe o viajante que sempre ali esteve. Porém, num momento qualquer, o cruzeiro desligou-se da praça, desdenhou ou foi desdenhado.

O viajante passa ao lado do jardim, mas ainda não entrará. Vai primeiro ao museu, onde estima ver a boa mostra arqueológica, a reconstituição da arte rupestre do vale do Tejo com o hercúleo caçador que transporta aos ombros um veado, e, muito mais próxima, a delicada estatueta romana. Enternece-se o viajante diante da evocação à deusa Trebaruna, a quem Leite de Vasconcelos dedica tão maus versos e tão sincero amor, e regista o documentado caso de gémeos siameses, ilustrado realisticamente nesta pedra tumular, infelizmente mutilada. Não é um grande museu, este de Castelo Branco, mas vê-se com prazer. Magnífico aquele Santo António, atribuído a Francisco Henriques, com o seu rosto de homem simples, segurando o livro em que o Menino se senta, a quem não ousa tocar. O seu rosto, de dura barba mal rapada, está rendido, as pálpebras baixam-se, e é mais do que manifesto que este frade rústico não é o magnífico orador que evangelizou os peixes nem lhe toca a humildade o fundo sumptuoso do painel, com a sua coluna de pórfiro e a enramada tapeçaria. 0 viajante observa, naquela pintura também do século XVI, o anjo anunciador que entra pela janela feita à sua medida, mais colibri do que mensageiro, e compraz-se, em dois pensamentos, cada qual de seu caminho. O primeiro é o do interesse que teria um estudo dos mosaicos que surgem nestas pinturas quinhentistas, e também antes e depois desse áureo século das nossas artes: cuida que daí se extrairiam dados de cronologia, de proximidade de motivos, de influência recíproca entre as oficinas de pintura e as oficinas de mosaicos. Decerto o potencial informativo destes elementos estruturais e de decoração não se esgotou com a descoberta de Almada Negreiros sobre a disposição dos painéis de São Vicente de Fora. Quanto ao segundo pensamento, é possível que desagrade a gente de feitio miudinho em pontos de ortodoxia religiosa. Vem a ser a frequência com que nestas Anunciações o pintor insiste em mostrar a alcova de dormir, enquadrando-a sob um arco abatido, como neste caso, afastando pesados reposteiros, como em outros casos acontece. É verdade que nesta altura estava já Maria casada com José, mas sendo a descida do Espírito Santo incorpórea, está o leito a mais, salvo, se como ao viajante parece, não pudesse o pintor esquecer, e assim o denunciasse, que naquele lugar, em geral, são concebidos os filhos dos homens. Tendo assim produzido dois pensamentos originais, foi o viajante ver a secção de etnografia, onde notou a vetustez das urnas eleitorais, a delirante máquina para extracção de números nas sortes militares, e os utensílios de lavoura, o tear primitivo. Ao lado há magníficas colchas regionais, ouvem-se por trás duma cortina as vozes das alunas bordadeiras, a esta hora está o viajante arrependido de não a ter afastado e dado os "bons-dias" para dentro. Numa outra sala há bandeiras da Misericórdia, mas tão repintadas que não chega a saber-se como seriam na primitiva.
O viajante entrou pelo rés-do-chão, sai pela escadaria do primeiro andar, que faz por descer o mais episcopalmente possível. E agora, sim, vai ao jardim passear. Em Monsanto vive o povo das pedras, aqui é uma galeria de ilustradas figuras, angélicas, apostólicas, reais, simbólicas, mas todas familiares, ao alcance da mão, na franja dos buxos aparados. Não sabe o viajante se no mundo existe outro jardim assim. Se existe, copiámos bem; se é este o único, devia como tal ser louvado. Um único senão nele encontra: não é jardim para descansar, para ler um livro, quem entra tem de saber isso mesmo. Quando os antigos bispos aqui vinham, certamente trariam os fâmulos a cadeirinha para o repouso e a oração, apertando a respectiva necessidade, mas o visitante comum entra, dá todas as voltas que quiser, pelo tempo que quiser, mas sentar-se só no chão ou nos degraus dos escadórios. Estas estátuas são magníficas, não pelo valor artístico, certamente discutível, mas pela ingenuidade da representação transmitida por um vocabulário plástico erudito. Aqui estão os reis de Portugal, todos reis de baralho que lembram o reizinho de Salzedas, e aqui está a patriótica desforra que consistiu em representar os reis espanhóis em escala reduzida: não podendo ser ignorados, apoucaram-se. E agora temos as estátuas simbólicas: a Fé, a Caridade, a Esperança, a Primavera e as outras estações, e aqui, neste canto, obrigada a virar-se para a parede, a Morte. Os visitantes, claro está, não gostam dela. Metem-lhe nas órbitas vazias bolas mastigadas de pastilha elástica, colam-lhe no esgar das mandíbulas pontas de cigarro. É de supor que a morte não ligue importância aos insultos. Ela bem sabe que cada coisa tem seu tempo.

O viajante concluiu o seu passeio, contou os apóstolos, viu o pequeno tanque do jardim alagado, desenhado corno uma toalha de altar, e, tendo regressado à Praça do Município, não encontrou parecenças nenhumas entre a estátua de João Ruiz e os seus versos: o que ali está é um manequim a mostrar como se vestiam fidalgos na época, e não um homem que soube escrever:

Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Parte também o viajante, não vai triste nem alegre, apenas preocupado com as grandes nuvens que do norte estão vindo. Vai ser molhada a viagem. Eis senão quando a mão severa da história sacode o viajante pelo ombro, acorda-o do devaneio em que caiu desde que entrou em Castelo Branco:

"Quem os ossos deixou na Igreja de Santa Maria, quem na praça está em efígie, não é o poeta, meu caro senhor, mas sim Amato Lusitano, médico, que o mesmo nome teve, mas não fez versos."

Despeitado, o viajante pára o carro, atira à estrada a inoportuna autoridade, e prossegue a viagem, continuando a murmurar as palavras imortais de João Ruiz de Castelo Branco, ossos que são e estátua de poesia."

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