Festas e romarias da Relva

Festas e romarias da Relva
Relva

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A localidade da Relva, tem por orago a Nossa Senhora das Neves. Os seus habitantes são bastante religiosos e participam em diversos eventos e solenidades.

Festa ou romaria de Nossa Senhora das Neves

Desde o início do povoamento dos Açores a piedade marial tem a documentá-la indícios materiais (como igrejas e capelas, ermidas e imagens) e informações escritas ou orais. Ao longo do ano e de acordo com o calendário litúrgico, celebravam-se algumas festas principais em honra de Nossa Senhora, a que se associava a comunidade paroquial por serem dias de Guarda: Purificação (em Fevereiro), Anunciação/Encarnação (em Março), Visitação (em Julho), Santa Maria das Neves e Assunção (em Agosto), Nascimento de Nossa Senhora (em Setembro), Conceição e Comemoração de Nossa Senhora (em Dezembro).

Celebração antiquíssima

Pela descrição atrás referida não será difícil concluir-se que a celebração da festa de Santa Maria das Neves é sem dúvida a homenagem que os habitantes desta antiquíssima freguesia já prestavam à sua padroeira em tão remotos tempos, (único orago desta invocação na altura nos Açores), e na qual participava o seu fundador Martim Vaz Contador com a sua família, e que seria em finais do século XV, ou início do XVI.

Em 24 de Fevereiro de 1557, Francisco de Melo no seu testamento, deixou dito que a missa da festa de Senhora das Neves do ano seguinte ao seu falecimento seria por sua alma por ser desta um devoto, no entanto não se sabe se já existia confraria, pois não lhe faz menção. Já no final do século XVI Gaspar Frutuoso, ao descrever esta freguesia regista que a festa de Nossa Senhora das Neves se realizava, a 5 de Agosto de todos os anos.

Como seria esta em finais do século XVI, e qual terá sido a sua evolução nos 200 anos seguintes? Frei Agostinho de Santa Maria na sua obra "Santuários Marianos", no ano de 1723, refere-se a esta festa como sendo realizada como muita grandeza, no seu dia 5 de Agosto, e neste dia todo o lugar concorrer a venerar a Senhora. Sabe-se no entanto que durante o séc. XIX e até aos anos sessenta do século XX a procissão comportava todas as imagens existentes na freguesia. Tal era a quantidade de andores, cerca de 16, que popularmente era esta festa conhecida por “Procissão das Santas”. Tendo custado 16$590 reis em 1849. Ainda hoje as pessoas mais antigas da Relva e de outros lugares referem-se deste modo ao Domingo desta festa: "O Domingo da Procissão das Santas".

Com a evolução dos tempos e de mentalidades, a festividade foi transformada e, a partir de 1970, passou só o andor de Nossa Senhora das Neves a sair à rua. Foi também a partir desta altura em que muitos relvenses, que já trabalhavam na cidade de Ponta Delgada e que não podiam guardar a segunda feira da festa, que deixou de se realizar a procissão da recolha de ofertas com o andor da imagem de Nossa Senhora do Rosário existente na igreja. Quanto à festa profana começou por ser uma realidade a partir dos anos trinta do século XX com a realização do Bazar e arraial de filarmónica.

O Hino de Nossa Senhora das Neves

Refúgio dos pecadores
Alívio do sofrimento
Teu nome são cinco estrelas
A brilhar no firmamento

Coro

Nossa Senhora das Neves
Desta terra a padroeira
Abençoa a nossa alma
O corpo o campo e a lareira

Ó mãe da divina graça
Causa da nossa alegria
De ti nos venha a pureza
Mais o pão de cada dia

Coro

Minha Senhora das Neves
Fonte de consolação
Guardai toda esta terra
Dentro do teu coração

Coro

Festa do Santíssimo Sacramento

Realizava-se nesta Paróquia a Festa do Santíssimo Sacramento, no segundo domingo de Julho de todos os anos. Desconhecendo-se desde quando se começou esta solenidade, aparece mencionada nos livros de actas e de receitas e despesas da Junta de Paróquia a partir do ano de 1836. Constava esta solenidade de canto de vésperas, e missa solenizada no domingo, para a qual eram contratados músicos, à tarde era realizada a procissão do Santíssimo Sacramento.

Era promovida pela respectiva Confraria e foi a primeira procissão a ser acompanhada por filarmónica nesta freguesia no ano de 1849, sendo esta a Charanga dirigida por Manuel Inácio Brasil, custando nesse ano, a quantia de 56$910 reis. Em 1851, custou 36$260 reis e em 1854, 39$300 reis.

Realizou-se pela última vez em 1878, continuando a realização da procissão do Sagrado Viático aos enfermos no domingo de pascoela. A partir do ano de 1994, deixou de haver a procissão do Senhor aos enfermos, recomeçando-se a realizar a procissão do Santíssimo Sacramento no domingo de Páscoa, sob o nome de Procissão da Ressurreição, iniciativa que ainda hoje prevalece.

Festa e Procissão dos Santos Passos do Senhor

Não foi possível saber-se desde que data esta festa e respectiva procissão se começou a realizar. Existe referência à mesma no testamento do Capitão Francisco de Andrade Cabral, realizado a 17 de Outubro de 1660, no qual deixou dito que a sua mulher testamenteira continuaria o empréstimo de panos azuis e amarelos de sua fazenda, que costumava emprestar para esta solenidade. Quando esta falecesse o herdeiro, seu filho Josefh de Freire, continuaria com o mesmo, para os passos de Nosso Senhor, deixando ainda como obrigação de sua terça a quantia de mil reis em cada ano para o sermão da mesma festa. Legava mais oitocentos reis para a música, enquanto esta se fizesse nesta freguesia. Pedia ainda aos reverendos vigários e curas que na altura o eram, e aos que adiante o fossem, que tomassem muita sua conta esta santa devoção, herdada e sublima. Dizia ainda que através desta o senhor Deus Nosso Senhor podia fazer muitos bens a este lugar da Relva, a esta Ilha e a este Reino. Mais disse que não havendo quem fizesse as práticas, bastaria entoar o miseré meu Deus. Por último, pedia a sua mulher, a seu filho Josefh Freire e a seu neto, que continuassem com a mesma como fossem capazes, e ainda a todos os seus amigos, para continuarem com esta santa devoção dos Santos Passos do Senhor.
Esta realizou-se pelo menos até ao início do século XVIII, altura em que a igreja se desmoronou, pelo que terá ficado destruída a imagem. O sermão desta solenidade era sempre pregado por um padre franciscano, e a música a cargo de um mestre de capela.

Festa e Ofícios das Almas

Houve sempre nesta freguesia, como em todo o mundo católico, um grande respeito pelas almas dos nossos entes queridos. Esta tradição na Relva é muito antigo. Principalmente a devoção às Benditas Almas do Purgatório, ao ponto de lhe erigirem um altar e instituírem uma Confraria.

Entre os anos de 1569 e 1705, existem vários registos escritos relacionados com esta Confraria, e o respectivo altar a partir de 1695, a qual era detentora de vários foros de propriedades nesta freguesia e noutros locais. Era realizada no dia 2 do mês de Novembro de todos os anos a Festa das Almas, ou os Ofícios das Almas como então se designava.

Consultando os testamentos de finais do séculos XVII e todo o séc. XVIII, os testadores eram na sua maioria irmãos ou confrades da Confraria das Almas, e pediam aos mordomos desta para o acompanharem com a respectiva cruz à sepultura. Nesse tempo, os mortos eram enterrados na igreja ou no adro conforme o seu estatuto social, havendo mesmo quem possuísse sepultura dentro do templo e em lugar de destaque.

Embora esta Confraria tenha ficado inactiva em finais do século XIX, a festa manteve-se até aos anos 70 do século XX, e o custo dos ofícios e sua festa custaram no ano de 1865 12$980 reis, tendo sido retomada a partir do ano de 1994.

Festa do Senhor Bom Jesus

Quanto a esta solenidade sabemos que realizava pelo ano de 1765, porque no testamento do Vigário Manuel de Sousa Pereira, que então aqui servia, realizado a 11 de Dezembro de 1765 na sacristia desta paróquia, deixou de seus bens, três alqueires de terra de vinha, na rocha do cascalho. Com o rendimento desta deveria ser dita uma missa cantada por sua alma no dia da solenidade da Festa do Bom Jesus e o seu corpo deveria ser enterrado na porta travessa desta igreja, junto à pia de Água Benta.

Tendo sido interrompida em data incerta, por decisão da Junta de Paróquia de 13 de Dezembro de 1837, foi retomada a festa do Senhor Bom Jesus, com matinas e missa cantada de canto hum, visto a respectiva confraria ter fundos suficientes para o efeito, desconhecendo-se até quando se realizou. Tinha lugar esta solenidade no seu dia litúrgico de 1 de Janeiro.

As Festas da Semana Santa

Obteve esta Paróquia no ano de 1552 por D. Frei Jorge de Santiago, terceiro bispo de Angra, a faculdade de aqui se celebrar as festas da Semana Santa, não se sabendo até quando tiveram lugar. Foram retomadas por volta do ano de 1970.

Festa do Deus Menino

A festa do nascimento de Jesus Cristo, sempre teve grande tradição nesta Freguesia, como se vê nos livros de actas e de receitas e despesas da Junta de Paróquia, a partir do ano de 1836. Sendo de supor que esta se realizasse desde os primórdios da Paróquia, sabe-se que no referido ano e durante o restante século XIX, revestia-se de muita grandeza, para a qual eram contratados músicos, o que demonstra a grande solenidade.

Já nos princípios do século XX, era montado um grande presépio na Capela-mor, o qual estava vedado com um pano. No início da Eucaristia solene, a Filarmónica Nossa Senhora das Neves, que se instalava no coro, executava música litúrgica, sendo descerrado o pano, com grande emoção dos paroquianos.

Hoje é a mesma realizada com muito empenho, com um presépio na igreja e com Eucaristias solenes, com a Missa do Galo à meia-noite do dia 24 de Dezembro e às doze horas do dia 25.

Festa de São Jacinto

Esta festividade, realizava-se por meados do século XVII. Em 1660, no testamento do Capitão Francisco de Andrade Cabral, realizado a 17 de Outubro deste ano, deixou como obrigação aos seus testamenteiros, a dádiva da quantia de quinhentos reis para ajudar na referida festa, enquanto esta se realizasse. Realizou-se esta até 1683, ano em que se registou o último pagamento da obrigação da terça do dito Capitão. Já no ano de 1719, o vigário Leandro de Sousa Vasconcelos informava a Provedoria dos Resíduos que esta festa não se realizava há mais de quarenta anos.

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