Filarmónica Nossa Senhora das Neves

Filarmónica Nossa Senhora das Neves
Relva

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A Filarmónica Nossa Senhora das Neves é uma das colectividades culturais que prestigia a freguesia da Relva, no concelho de Ponta Delgada.

Historial

No dia 1 de Janeiro de 1866, 34 anos depois de aparecer em São Miguel a primeira Banda de Música, que acompanhou a esquadra de D. Pedro, e 21 anos após a fundação da mais velha, de nome PHYLARMONICA MICHAELENSE, em 1845, um grupo de relvenses de iniciativa e vontade forte decidiu que a sua freguesia tinha, também, direito e condições de possuir e manter uma Banda que lhe elevasse o prestígio e agrupasse a mocidade vara o desenvolvimento da arte, em proveito de toda a comunidade. O nome, foi a particularidade mais fácil de aplicar na nova organização, pois que oferecido pela padroeira que a todos abençoa: PHYLARMONICA DE NOSSA SENHORA DAS NEVES.

O dinheiro, todavia, é que, de certeza, não abundava, porque aqueles bons relvenses da Comissão Organizadora, tiveram de ir pedir fora, o indispensável para conseguirem os seus elevados fins, embora contrariando o espírito generoso da nossa gente, que não pede quando tem e até gosta de contribuir, sobretudo no começo de todas as manifestações que se destinem ao bem geral. E foram, sem dúvida, muito bem acolhidos, pela forma como todo o agrupamento se apresentou em público, pela primeira vez, no dia 9 de Outubro de 1866, em procissão de festa de igreja. Instrumental completo e fardamento muito bom e vistoso, mas com o grave inconveniente de as fardas se assemelharem às fardas dos militares da época, com penachos e cores garridas. Marcou em valor real da terra e, também, em luxo. Os militares é que se não conformaram e, imediatamente, apresentaram reclamação, visto que não queriam confundir-se com os agrupamentos civis. A polémica aqueceu, as razões puseram-se em choque, até que, finalmente, obedeceu a parte mais fraca, como sempre - a Filarmónica da Relva retirou os penachos e os distintivos que tanto a orgulhavam, mas fê-lo com bastante má vontade, como é fácil de deduzir.

Este motivo, acrescido ainda por as bandas civis serem, no tempo, mais numerosas do que as militares, como já expusemos, criou um ambiente de antipatia entre as duas agremiações, o qual não era mais do que uma consequência de que a inimizade parte dos mestres do mesmo ofício, mas que, neste caso, deu origem a um acontecimento que ainda hoje perdura na célebre frase repetida por toda a Ilha de São Miguel: "O mesmo… e mais forte".

A ocorrência começou com aqueles segredos que até há bem poucos anos faziam parte do reportório de todas as filarmónicas, de cada qual tocar peças diferentes das outras, mas com omissão absoluta dos compositores, para que as rivais a não tocassem, também. Tais privilégios, na generalidade, pouco tempo duravam, porque sempre aparecia um esperto rival que descobria a origem da composição e destruía a vanglória, para arrelia dos que a queriam encobrir. Ora constou que a charanga militar tinha mandado vir de Lisboa uma marcha grave muito bonita para estrear na procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres. A novidade envaidecia os militares e deixava "picados" de curiosidade, os civis.

O regente da Banda de Música da Relva, contudo, homem de intuição artística e com bastante matreirice, não se deixou influenciar pela notícia e dirigiu-se para as imediações do antigo Convento de São João, no lugar onde se acha construído, hoje, o belo Teatro Micaelense, que era o aquartelamento militar, nessa época, e foi ouvir os acordes da tão comentada marcha, transmitindo-os a uma folha de papel de música que levara, propositadamente. Satisfeito com o seu trabalho, completou-o em casa, tirou as partes cavas e em absoluto segredo, ensaiou a peça de música. Na procissão, era a Relvense que seguia atrás do andor do Senhor Santo Cristo e abriu o percurso com a misteriosa marcha. Estupefacção nos músicos militares, burburinho de admiração, comentários com diversas exclamações e finalidades, algumas atitudes pouco conciliares com o ambiente religioso, mas a solenidade do acto acabou por se impor e a procissão prosseguiu. A seu devido tempo, a Relvense deu lugar a que a outra Banda tocasse, também. Mas ao reatar a sua vez de execução, como é hábito, e, em resposta à natural pergunta dos músicos qual a marcha que se seguia, o regente, em voz alta e autoritária respondeu: "A mesma… e mais forte." E outra peça não tocou a Banda Progressista Relvense, nessa assinalada procissão do Senhor Santo Cristo: "Sempre o mesmo e mais forte." Foi desta forma que ficou nobilitada a Música da Relva.

Esta pirraça, foi da autoria do seu regente Manuel Inácio Brasil que durante muitos anos regeu esta Banda e embarcou para a América, onde dirigiu a Banda Santo Cristo, de Fall River. No decorrer dos anos foram também seus regentes: Guilherme Tavares de Matos, Sub-Chefe da Banda Militar, Augusto Baptista, Carlos Manuel Samões, Sargento Bastos, Alberto Narciso Ribeiro, Alberto de Chaves, João Ferreira dos Santos, José Germano Carreiro, Ernesto Medeiros. É actualmente seu regente, o brioso Sargento Ajudante da Banda do Comando Militar dos Açores, Sr. Manuel Medeiros, também natural da Relva, que é, quanto a nós, um complemento de orgulho da Banda, pois que se basta, artisticamente, com a "prata da casa" sem ter de recorrer a elementos estranhos.

A existência desta Banda decorreu, como todas as outras de São Miguel, com altos de muito entusiasmo e baixos de desolação, com as fraquezas comuns que ainda hoje deixam rugas profundas no envelhecimento das organizações congéneres. Nos primeiros tempos, coube à política aplanar dificuldades, resolver problemas e facilitar a vida da Sociedade e tamanha influência teve que em 1879 lhe mudou o nome para BANDA PROGRESSISTA RELVENSE.

Mas se esta filarmónica sustentou um período prolongado e invulgar de desafogo administrativo e elevado prestígio artístico, deveu-o à protecção mecénica de duas famílias que, muito embora tivessem tomado parte activa nos actos políticos da sua época, trabalharam sempre com sensibilidade e inteligência, pois que nunca regatearam os seus benefícios para bem das artes, das letras e da sua Terra: Fonte Bela, Raposo de Amaral e a família Andrade Albuquerque.

Foi graças ao 3º Barão e 2º Conde da Fonte Bela, Jacinto da Silveira Gago da Câmara (infelizmente falecido aos 43 anos de idade) que ainda a Banda de Nossa Senhora das Neves se apresentou na procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, com 50 elementos, no ano de 1878, o que representava o dobro dos normais de qualquer Banda da época. O Sr. Conde de Fonte-Bela ajudara o Partido Progressista a mandar vir instrumental novo para esta Banda e encomendara outro para a Banda que se iria estrear em 1880, em Ponta Delgada e que tomaria o nome de UNIÃO FRATERNAL. Os dois instrumentais, em bloco, deram muito que falar.

Da magnânima Casa do Colégio, poderá sintetizar-se a sua profícua acção a bem desta Banda, num auxílio permanente e substancial, sobretudo em vida dos Senhores José Maria Raposo d'Amaral Pai e Filho e, quando extinto tão valioso amparo, se cumpriu a fatalidade que atingiu e atinge todas as Bandas civis com a falta de coordenação na orgânica directiva e artística - a decadência.

Daí para cá, veio ao de cima, para todo o povo relvense, o conhecimento mais prático e esforçado das agruras e arrelias que se consomem na manutenção da sua filarmónica. É que o dinheiro faltou e os estranhos, os de outras localidades que haviam recebido boa cooperação com a sua presença, tendiam a esquecê-la, incluindo Ponta Delgada, que tantas vezes a preferira nos seus serviços, quer nas vulgares festas religiosas ou particulares, como no Campo de São Francisco, a dar real valor ao coreto, inaugurado também em 1871, no mês de Maio, e, que um incêndio destruiu há anos.

No Jornal de Notícias, de 13 de Dezembro de 1871, o jornalista Augusto Loureiro, noticiava os belos concertos dados pela Relvense no KIOSK e lamentava que na cidade ela tivesse, somente, 6 sócios e pedia a protecção consciente de todos. Mas, como sempre, a desilusão continuou.

Cremos, todavia, que tudo isto sejam lições que não convém esquecer e tirar delas todo o proveito possível para que, de futuro, se tentem evitar males que estão bem visíveis em todas as filarmónicas que conhecemos: Saído o Director generoso que tem bolsa aberta para tapar todas as necessidades, logo a sociedade se afunda em dificuldades imensas, grande parte das vezes insuperáveis, e, ou se deixa ficar debaixo de água e morre asfixiada, ou tenta nadar com muitas dificuldades e se salva, mas com deficiências que não fazem aproximar amigos. E toda a gente sabe que os partidários estão presentes… quase unicamente nas ocasiões das grandes glórias.

Uma filarmónica numa freguesia não deve contar com a amizade de um ou dois directores endinheirados, nem com as pessoas de diferentes localidades. Desta são raras as que ajudam com vontade e intenção de permanência. A Banda da Relva, deve e pode contar com ajudas, mas estas têm de sair dos relvenses, onde quer que se encontrem, em Ponta Delgada, na América, Brasil, Canadá, etc., mas, muito especialmente, com os que vivem na sua tão querida terra e que mais de perto gozem do privilégio de apreciarem a sua Filarmónica; de todos aqueles que aplaudem esta invulgar festa de anos e sentem o natural orgulho de possuírem uma Banda que se pode apresentar ao lado das suas irmãs de outras terras e que, ainda por cima, é mais velha do que elas, pois conta a provecta idade de 100 anos; de todos os habitantes da Relva, pela grande responsabilidade que lhes pesa sobre os ombros. Visto que, todos, sem excepções, são parentes daqueles que há 100 anos fundaram com sentido exacto do que deviam, à sua terra e a si próprios e que embora não tendo deixado escritos os seus nomes e precisamente por isso, valem por todas as famílias que compõem esta freguesia, que é mais rica, por méritos da natureza e trabalho dos seus filhos, do que outras que sustentam uma ou duas filarmónicas de prestígio.

Por tudo isto. e até, porque a actual Direcção teve o bom senso de retribuir à sua Filarmónica o primitivo nome, afastado por passageira gratidão à política que fez Bandas de Música e, que, por todos os princípios, lhe fica mais justo: BANDA DE NOSSA SENHORA DAS NEVES. Respeite-se o passado nos seus bons exemplos e firme-se o presente na verdade que a todos agrada.

BANDA DE NOSSA SENHORA DAS NEVES, nós te saudamos na tua velhice, nos teus trabalhos nas tuas canseiras e desilusões, mas também nas tuas esperanças, nos optimismos do caminho imenso que te cumpre percorrer, confiada no carinho dos filhos - deste povo que te considera carinhosamente, a menina dos seus olhos.1

Digressões

Nos últimos anos a Filarmónica Nossa Senhora das Neves, realizou várias digressões:

  • 1992 - Participou nas festas 15 de Agosto na Ilha de Santa Maria
  • 1994 - Efectuou uma digressão à Azambuja, actuando ainda em outrasd povoações do Ribatejo
  • 1996 - Esteve presente nas Festas de Nossa Senhora do Rosário nas Lajes, Ilha Terceira
  • 1998 - Deslocou-se ao Canadá e aos Estados Unidos da América, onde participou nas Grandes Festas do Divino Espírito Santo, na cidade de Fall River
  • Em 1999 - Esteve na Região de Leiria, mais propriamente na Freguesia de Cortes e actuou em diversas localidades daquele Distrito
  • No ano de 2000, realizou a 8 de Dezembro o seu maior sonho, a inauguração da sua sede social

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