Forte de São Clemente

Forte de São Clemente
Vila Nova de Milfontes

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O Forte de São Clemente, também conhecido como Castelo de Vila Nova de Milfontes ou simplesmente Forte de Milfontes ou ainda Castelo de Milfontes, localiza-se na povoação e freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, distrito de Beja.

Erguido em posição dominante sobre a vila piscatória, na margem direita da foz do rio Mira, tinha a função de protecção do seu porto e o acesso a Odemira das incursões de piratas oriundos do Norte de África.

História

Antecedentes

Considerado como o melhor porto natural da costa Sul do país, a primitiva ocupação deste trecho do litoral, é muito antiga, tendo sido identificados vestígios da presença Fenícia, Grega, Cartaginesa e Romana.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, esta povoação pesqueira foi fortificada, no século XIII, por D. Soeiro Viegas, Bispo de Lisboa, e posteriormente, por D. Afonso III (1253-1279), que lhe passou Carta de Foral.

Regularmente atacado por piratas do Norte d’África, na segunda metade do século XV, sob o reinado de D. João II (1481-1495), após um saque por piratas argelinos, a povoação ficou deserta, tendo o castelo sido incendiado. Visando o seu repovoamento, D. Manuel I (1495-1521), passou-lhe o Foral Novo, já com o nome de Vila Nova de Mil Fontes (1512), assegurando amplos privilégios aos seus habitantes. Damião de Góis refere que o forte terá sido erguido em 1552 sobre uma fortificação anterior, então em ruínas.

O Forte

À época da Dinastia Filipina a situação se agravou com o corso, tendo a povoação sido arrasada por um ataque devastador em 1590. Atendendo à necessidade da defesa, Filipe II de Portugal (1598-1621) fez erguer um forte, sob a invocação de São Clemente, santo consagrado a causas do mar, entre 1599 e 1602.

Para esse fim, o arquitecto e engenheiro militar napolitano Alexandre Massai foi deslocado pela Coroa das obras do Forte do Pessegueiro para a Vila Nova de Milfontes. Os estudos prévios do projecto datam do ano de 1598, tendo as obras se iniciado no ano seguinte, com a transferência do canteiro de obras do Pessegueiro, cujas obras, portuárias e de defesa, ficaram interrompidas. A pedra para a construção foi, tal como no Pessegueiro, o arenito extraído do próprio litoral.

Concluído em 1602, a subsequente história do forte será marcada pelas dificuldades mantê-lo operacional, quer por carência de material, quer de pessoal. Paralelamente, com o assoreamento do seu ancoradouro a partir do século XVII, a povoação perdeu importância regional. Em meados do século XIX, na reforma administrativa de 1855, Vila Nova de Milfontes perdeu a categoria de vila, que só veio a retomar em 1988.

Do século XX aos nossos dias

Cessada a sua importância estratégica, o imóvel foi arrematado em hasta pública, em 1903, pelo Capitão de Infantaria Valério Manco Ferrão, residente em Lisboa, por 464 mil réis. Este, por sua vez, vendeu-o, em 1909, a Francisco de Jesus Gonçalves, então morador na herdade de Gomes Anes (em Odemira), pelo montante de 250 mil réis, conforme valores declarados nas respectivas escrituras.

À época, o forte apresentava um aspecto de abandono, principalmente nos muros voltados para a barra do rio, devido ao casario adossado ao cavaleiro, nos parapeitos e na contra-escarpa, embora os muros da praça alta lhe conferissem ainda sólida aparência. Os seus novos proprietários pouco fizeram pela sua conservação nas décadas seguintes. A Câmara Municipal cogitou a sua desapropriação e demolição em 1931, o que não ocorreu por falta de recursos.

Em 1939 (com escritura lavrada em 1940), o imóvel foi adquirido por Luís Manuel de Castro e Almeida, através de sua esposa Margarida Marques de Figueiredo. O novo titular, natural de Lisboa, era uma pessoa viajada, proprietário e negociante, que usava o título de “Dom”. Determinou a restauração do imóvel adaptando-o a sua residência e para fins turísticos, funções que conserva até aos nossos dias (Turismo de Habitação).

O forte encontra-se classificado como Imóvel de interesse público pelo Decreto 95/78, de 12 de Setembro de 1978. Posteriormente, com a criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, foi incluído numa das áreas de salvaguarda do Património Cultural (Decreto 33/95).

No largo fronteiro ao forte, um monumento recorda que foi dos campos vizinhos que decolaram os aviadores Brito Pais, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, em 1924, para o arriscado vôo que os levou a Macau.

Características

O forte, de planta poligonal, aproximadamente quadrangular, foi erguido no estilo maneirista, com o baluarte voltado para a foz do rio. Nas plantas mais antigas do forte, o ângulo deste baluarte figura arredondado, mas após a campanha de obras desenvolvida por volta de 1693, ficou em aresta viva. Apresentava duas plataformas desniveladas, com outras tantas baterias, atirando à barbeta.

Pelo lado de terra, a Norte e a Leste, abre-se um terrapleno lajeado guarnecido com canhoneiras, com cerca de 35 metros de lado.

No troço Leste da muralha rasga-se o Portão de Armas, em arco de volta perfeita, encimado pela pedra de armas com escudo e coroa fechada, simplificada. Esta porta é defendida, além de um fosso, por um simples ressalto na muralha, formando um ângulo flanqueante, sem baluartes. Este fosso era transporto por uma ponte levadiça. A entrada, pelo lado interno, abre-se para um corredor, onde se encontram o Corpo da Guarda e o chamado rastilho, uma grade que interrompia o acesso dos invasores ao interior.

Os dois pavimentos comportavam, o superior, a Casa de Comando (coberta primitivamente por um terraço para mosqueteiros, mais tarde substituído por um telhado) e, o inferior, quartéis de tropa e armazéns. As demais dependências, inclusive a Capela, situavam-se na praça baixa, junto ao terrapleno.

O forte era cercado, a Norte e a Leste, por um fosso inundado, limitado no exterior por uma contra-escarpa, percorrida por uma estrada coberta, acessível a partir do fosso por uma hoje desaparecida escada de pedra. O muro que hoje rodeia o fosso do castelo e que forma os miradouros da barbacã é o que resta dessa primitiva defesa exterior.

Pelo exterior, destaca-se o friso das janelas em arco que arremata o muro da praça baixa e particulariza a silhueta do forte vista pelo Sul ou pelo Oeste. Recentemente, foi construída uma réplica de um cubelo na praça alta, pelo lado Norte, ocultando um depósito de água, construído contemporaneamente para sanar deficiências no abastecimento. No interior da praça, também contemporaneamente, a área habitável foi sendo ampliada pela escavação do terrapleno e ligação deste ao fosso por uma pequena porta, bem como pela ampliação das edificações na praça alta.

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