História da Aldeia de Paio Pires

História da Aldeia de Paio Pires
Aldeia de Paio Pires

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A Aldeia de Paio Pires é uma freguesia portuguesa do concelho do Seixal, cujo nome origina-se do grande conquistador medieval Paio Peres Correia, que tem uma estátua em sua homenagem no centro da freguesia.

Localização e Origens

A Aldeia de paio Pires, situada na margem esquerda da Ribeira de Coina, pertenceu durante séculos ao termo de Almada, sendo local de implantação de diversas quintas, entre as quais a Quinta de Cocena, doada por D. João I a Estêvão Lourenço, a Quinta de Fernão Ferro, a Quinta da Atalaia e a Quinta da Palmeira, a qual foi adquirida no início do século XVI por ordem do rei D. Manuel e entregue ao Convento de Santa Maria de Balém. Um dos marcos de delimitação das propriedades deste Convento é ainda visível na proximidade de um areeiro em exploração na zona de Silhar de Alferes.

Organização do Culto Religioso

As primeiras referências à ermida de Nossa Senhora da Anunciação da Aldeia de Paio Pires datam do século XVI, sendo mencionada na visitação efectuada pela Ordem Militar de Santiago a Almada em 1564-1565, considerada então, tal como as demais ermidas existentes no território hoje correspondente ao concelho do Seixal, como ermida anexa à Igreja de Santiago de Almada. Infelizmente, a acta da visitação não nos fornece a descrição do edifício nessa época, limitando-se a inventariar os bens existentes no templo.

Em 1758, era administrador desta ermida José Felix da Cunha, provavelmente pela sua ligação ao Morgado de Paio pires.

A 4 de Julho de 1786, o Papa Pio VI concedeu indulgências perpétuas aos fiéis que visitassem a Ermida de Nossa Senhora da Anunciada da Aldeia de Pio Pires nos dias da Anunciação de Nossa Senhora e do Mártir São Sebastião, indulgências que se aplicavam igualmente a todas as outras festividades dedicadas à Virgem.

Alguns anos mais tarde, este local de culto dará origem a uma nova paróquia. Data de 25 de Fevereiro de 1797 a primeira provisão assinada por D. José II, então Cardeal Patriarca de Lisboa, a cuja Diocese pertencia a jurisdição eclesiástica das igrejas de Almada, instituindo a paróquia de Nossa Senhora da Anunciação da Aldeia de Paio Pires, desanexada da paróquia de Nossa Senhora da Consolação da Arrentela.

O processo resultou de um pedido formulado pelos moradores de Aldeia de Paio Pires - que se queixavam dos incómodos resultantes da obrigatoriedade de se deslocarem à igreja matriz, situada na Arrentela, devido à distância que separava as duas povoações e aos maus caminhos então existentes - e pressupôs a realização de consultas tanto ao pároco de Arrentela, como ao da paróquia de Santiago de Almada, da qual se havia desanexado em data anterior a própria paróquia arrentelense. Esta provisão foi no entanto embargada por iniciativa da Irmandade do Santíssimo Sacramento e pelos moradores de Arrentela, ficando sem efeito. Entre as razões invocadas nos autos de embargo, constam a curta distância entre esta localidade e a Aldeia de Paio Pires, o estado razoável dos caminhos, a necessidade de obras na matriz de Nossa senhora da Consolação e a incapacidade sentida pelos moradores de Arrentela de isoladamente conseguirem pagar a côngrua - que consistia em três potes de vinho em mosto que cada fazendeiro entregava ao pároco - necessária ao sustento do prior, tanto mais que o Seixal tinha sido também recentemente desanexado, alegando que os caminhos que estabeleciam a ligação com a igreja de Nossa Senhora da Consolação se efectuavam pela praia , ficando intransitáveis aquando da maré cheia. Assim, a disparidade dos rendimentos obtidos entre os moradores de Arrentela e os de Aldeia de Paio Pires, dos quais dependia o apuramento da côngrua, parece ter sido a motivação fundamental, quer para os que solicitaram a desanexação da paróquia quer para os arrentelenses que a isso se opunham, como se depreende do testemunho do pároco de Arrentela, Francisco José de Andrade, que refere a existência de 21 fazendeiros na Arrentela contra 61 existentes na Aldeia de Paio Pires.

Dado o desencontro de opiniões, a provisão emitida a 25 de Fevereiro de 1797 foi então embargada, sendo desembargada a 22 de Setembro de 1802 e publicada com celebração de missa na igreja de Nossa Senhora da Anunciada da Aldeia de Paio Pires em 26 de Setembro de 1802, considerando-se então instituída a nova paróquia. Em Outubro do mesmo ano, são lavrados os primeiros assentos de baptismo, encontrando-se actualmente os respectivos livros de registo paroquial de Aldeia de Paio Pires depositados no Arquivo Distrital de Setúbal. A demarcação dos limites da nova paróquia terá sido efectuada em Março de 1803, coincidindo hoje com o território paroquial.

Organização Administrativa

Do ponto de vista administrativo, as atribuições da freguesia surgem alguns anos mais tarde. Pela lei de 25 de Abril de 1835, regulamentada a 18 de Julho do mesmo ano, fica consagrada a divisão administrativa que se mantém na actualidade e que pressupõe a organização administrativa em distritos, concelhos e freguesias. Desta forma, o liberalismo integrou a estrutura eclesiástica paroquial no sistema político, aproveitando as paróquias enquanto células básicas de organização social e de reconhecida estabilidade territorial para a realização de inquéritos e para a difusão de directivas, entre outros fins, sendo a sua actividade complementar à dos concelhos em que se integravam. Esta legislação irá aplicar-se ao Seixal a partir do momento em que se autonomiza do concelho de Almada, o que acontece a 6 de Novembro de 1836. Assim se compreende que as primeiras actas que atestam o labor da então Junta de Paróquia da Aldeia de Paio Pires, depositadas actualmente no Arquivo Histórico Municipal do Seixal, datem de Janeiro de 1837. Entre 1840 e 1878, correspondendo a um período de reforço do poder central, as freguesias foram excluídas da divisão administrativa do território.

Actividades Económicas

Paralelamente à nova organização administrativa, verificou-se na Aldeia de Paio Pires, a partir de meados do século XIX, uma diversificação das actividades económicas e um certo dinamismo associado à instalação de pequenas indústrias, dependentes da actividade agrícola e da proximidade do rio.

A análise de uma curta série de Rios de Confessados da paróquia, produzida entre 1881 e 1886, mostra-nos que esta teria então pouco mais de 800 habitantes, essencialmente concentrados na Aldeia de Paio Pires e nas quintas de maiores dimensões que dispunham de moinhos de maré. Justificava-se por isso que a maioria da população activa estivesse ligada à actividade agrícola, embora fosse forte a presença de moleiros.

De facto, entre as actividades económicas comuns a toda a margem sul do estuário do Tejo destacavam-se a moagem de cereais e o descasque de arroz quer em moinhos de maré - da Quinta da Palmeira, do Breyner e do Zeimoto - quer em moinhos de vento; a produção de vinho e azeite em várias quintas, entre as quais salientamos os lagares de azeite de José Abrahão de Almeida Lima, do Visconde de Reboredo e o da Quinta do Pinhalzinho; a extracção de sal - a partir da década de 30 de mil e novecentos, registou-se uma acentuada diminuição desta actividade devido, sobretudo, a modificações de carácter geográfico e climatérico, mas apesar disso a indústria salineira permaneceu em Paio Pires até ao final da década de 50 do século XX - e a ostreicultura, encontrando-se, em 1929, a Sociedade de Ostreicultura Portuguesa, Lda. Sediada na Aldeia de paio Pires. As salinas e os bancos de ostras eram explorados na margem esquerda do Tejo, numa área compreendida entre o pontal de Cacilhas e Alcochete.

Para além destas indústrias, existiam em laboração fornos de cal, telha e tijolo na Quinta da Palmeira, no sítio do Portinho, no vale de Cucena e junto a Coina.

No moinho de maré do Breyner, encontrava-se instalada, desde meados do século XIX, a fábrica de massas alimentícias da firma Miguéis & Filhos que, em 1895, associado a energia hidráulica ao vapor, ocupava cerca de 40 operários. Em 1908, esta fábrica de manipulação de massas passou para a propriedade da Companhia Nacional de Moagens.

Nos anos trinta do século XX, foi instalada no mesmo local a empresa Sereia - Fábrica de Adubos Orgânicos, Lda., produzindo farinhas, óleos de peixe e adubos orgânicos a partir dos desperdícios das fábricas de peixe, mantendo-se em laboração até finais da década de 70.

A indústria corticeira teve também a sua representação na freguesia de Aldeia de paio Pires . Em 1952, instalou-se, no vale de Cucena, um fabrico para preparação de cortiças, quadros e rolas da empresa Manufacturas Pereira & Ramos, lda. Na década seguinte, esta fábrica foi adquirida pela Sociedade Naval, Lda., produtora de bóias de pesca, salva-vidas e coletes de cortiça.

Em 1946, a Sociedade Comercial Dowens, Lda. Estabeleceu-se com uma unidade industrial de quadros e rolhas na Quinta do Sapal - Alto dos Bonecos, Seixeira.

Actualmente, encontra-se em laboração em Casal do Marco, desde 1989, a fábrica de cortiça de Guilherme Rodrigues Oliveira, Lda.

A instalação da Siderurgia Nacional

A partir da decisão de instalar a Siderurgia Nacional na Aldeia de Paio Pires, no final dos anos 50, verificou-se uma transformação significativa da fisionomia desta freguesia, considerada na altura a mais rural do concelho do Seixal. As razões apontadas como fundamentais para a decisão final quanto ao local de instalação da unidade fabril foram: a proximidade em relação a Lisboa e um fácil acesso ao porto da capital, a proximidade em relação aos minérios de ferro provenientes do sul do país, a abundância de água doce no subsolo e a existência de uma grande área disponível e com um relevo pouco acentuado. No que se refere à questão da área disponível, convém referir que os terrenos em causa não eram, tendo uma importante exploração agrícola e que, para a sua instalação, a Siderurgia Nacional requereu a expropriação urgente por utilidade pública dos mesmos, nos quais se situava, entre outras, a Quinta da Palmeira, propriedade da família Almeida Lima.

A instalação da Siderurgia Nacional, que iniciou a laboração em 1961, implicou, tanto nesta freguesia como em todo o concelho do Seixal, enormes repercussões nos planos socioeconómico, demográfico e ambiental, fazendo pulsar um novo quotidiano para a Aldeia de Paio Pires e para a comunidade siderúrgica que se constituiu à sua volta. O início da construção da então chamada cidade do aço trouxe consigo milhares de trabalhadores de todo o país e as consequentes perturbações na vida quotidiana dos residentes. Para além disso, tornou evidente a falta de recursos e infra-estruturas municipais capazes de dar resposta às novas necessidades nos sectores das obras municipais, da habitação, do ensino, da assistência médica e do policiamento. Contribuiu ainda decididamente para a dinamização e desenvolvimento de muitas empresas do distrito de Setúbal.

Mas, como resultado de conjunturas várias, a partir de meados dos anos 80, a Siderurgia Nacional entrou numa fase de recessão que culminou, em Março de 2001, no seu encerramento, perdendo a freguesia, desta forma, uma parte significativa do seu tecido industrial. Dos seus 40 anos de funcionamento permaneceu o vasto sítio industrial, onde o Alto Forno, marca da paisagem de Aldeia de Paio Pires, é identificado não só como símbolo máximo da Siderurgia Nacional mas também como elemento representativo do labor e das memórias de milhares de trabalhadores que em meio século protagonizaram o mais denso período de mudança por ventura ali vivido ao longo dos séculos.

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