História de Caldelas

História de Caldelas
Caldelas

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A origem de Caldelas é indicada, aos conhecimentos de hoje, à saída da pré-história, através da existência de uma pequena povoação castreja, fortificada, em que viviam um reduzido número de famílias Celtas. Essa povoação proto-histórica é ainda hoje localizável no outeiro de São Sebastião (latitude:180; longitude:522.35; altitude:222 metros), junto do actual lugar do Monte, sendo identificáveis actualmente somente algum material de derrube, nos locais onde passaram as muralhas, visto que a cobertura vegetal do cabeço não deixa perceber quaisquer estruturas à superfície.

Romanização – Caldelas Romana

Desconhece-se, por falta de trabalho arqueológico, se o pequeno povoado castrejo terá sido romanizado, e daí ter originado a “Caldelas Romana”, mas o contacto da povoação de Caldelas com os Romanos é um facto histórico inegável. A sua posição geográfica, assente numa colina próxima do vale do Homem, marginada por dois cursos de água (um rio e uma regato), facilmente defensável contra agressores indesejáveis, terá oferecido condições excelentes aos romanos para implementarem a sua organização e a sua língua na zona. Para comprovar a romanização de Caldelas, basta atender aos vestígios romanos encontrados na localidade, que vão desde uma Necrópole Romana (latitude:180; longitude:522.2; altitude: 150 metros), identificada pelo Padre João Martins de Freitas, no início do século, aquando de obras no que é hoje o Grande Hotel da Bela Vista, tendo sido encontrados nesta três vasos de cerâmica comum romana, inteiros, com pastas claras, muito semelhantes a outros exumados nas necrópoles de Braccara Augusta, ou mesmo, as duas lápides (hoje expostas no hall de entrada do Grande Hotel da Bela Vista), duas aras votivas, epigrafadas, dedicadas ás Ninfas, encontradas em 1803 aquando da realização de obras junto das nascentes das termas, uma com a inscrição “CAEN(i)/ CIEN(US)/ NYM/ PHIS/ EX VO/ TO”, que pode ser transcrito para português como, “Ceniciano ás Ninfas por voto”, e outra “…/ D(e)AB(US)/ NYM/PHIS/ EX VO/ TO”, que pode ser transcrita como, “Ás Deusas Ninfas por voto”. É evidente, na segunda parte de ambas as inscrições, a expressão de um voto (uma promessa) feito ás Deusas Ninfas daquelas nascentes, mostrando claramente, que os romanos, conheceram, utilizaram e apreciaram aquelas nascentes, atribuindo-lhes “poderes sobrenaturais”.

Idade Média

Na primeira metade do século V da nossa era, os Bárbaros, povos do norte da Europa e Ásia ocidental, invadiriam em vagas sucessivas o Império Romano do Ocidente, usando a técnica da terra queimada, destruindo tudo á sua passagem. Braccara Augusta foi conquistada pelos Visigodos em 456 e Roma foi tomada pelos Hérulos, vinte anos depois, em 476, ditando assim o fim definitivo do Império Romano do Ocidente e dando início ao que viria a ser conhecido na História Universal como a Idade Média. Para Caldelas, a Idade Média foi um “túnel” de silêncio e desinteresse, época que pode mesmo ser considerada de decadência. Tal pode ser explicado pela fúria devastadora dos Bárbaros, que como parte vencedora, entendiam que deviam destruir todo o que lhes recordasse os vencidos conjugada com o desinteresse da Igreja, unidade central de poder da Idade Média, pelas nascentes termais de Caldelas, que tinha sido descobertas por idólatras e pagãos, que adoravam forças da natureza e não Deus.

Aparecimento de Caldelas – primeiro registo histórico

Num documento de 1145, relativo a direitos de igrejas, herdades e rendimentos, é dada notícia duma divisão de arcediagos de Braga entre o arcebispo e o seu cabido, sendo referidos nomes de freguesias vizinhas de Caldelas, como Torre e São Vicente. Contudo neste documento não é referido expressamente o nome de Caldelas, apesar de pertencer ao referido arquidiaconato de Entre Homem e Cávado. Este facto pode ser explicado, não pela inexistência de Caldelas á altura, mas sim pelo facto de esta ser terra de Comenda de Cristo, tendo o título de reitoria, até 1918, ano das Constituições Bracarenses, tendo só então sido convertida em Abadia. O primeiro registo histórico de Caldelas, data de 1208, num documento do papa Inocêncio III, que encarregava o Deão de Zamora, de resolver um conflito entre o arcebispo de Braga e algumas freguesias que se recusavam a pagar direitos à cúria diocesana. Entre as freguesias mencionadas no referido documento, consta expressamente o nome da freguesia de Sant'iago de Caldelas, significando isto que esta já tinha existência canónica em 1208. Num outro documento de 1214, sobre uma divisão de dádivas entre o arcebispo de Braga e o seu cabido, também consta expressamente o nome de Sant'iago de Caldelas.

Renascimento do século XVIII – exploração termal

Em meados do século XVIII começou em Caldelas um novo período histórico, devido em grande parte aos conselhos dum frade carmelita e, depois, à dedicação activa dos frades do Mosteiro de Rendufe. Assim, em 1779, um frade carmelita descalço, Frei Cristóvão dos Reis, administrador da botica do Convento do Carmo em Braga, publica em Lisboa uma obra intitulada “Reflexões Metódico-Botânicas (e outras notícias de águas minerais)”, onde o autor faz várias considerações sobre as duas nascentes termais, a que chamou Caldas do Albito, na freguesia de Caldelas, e das quais se pode salientar a menção ao desinteresse que vinha de longe pelas duas nascentes, visto os locais não as usarem como águas medicinais, servindo estas apenas como qualquer nascente vulgar para lavar roupa, referindo que nas condições em que as encontrou não havia condições sequer para banhos. Contudo, refere virtudes terapêuticas extraordinárias para as águas das duas nascentes, nas áreas de tratamentos cutâneos e gástrico-intestinais, enumerando sucessos curativos alcançados por pessoas a quem as aconselhou. O frei Cristóvão, pode ser considerado como o desencadeador, em meados do século XVIII, do movimento popular que produziu o “Renascimento” das águas mínero-medicinais de Caldelas. O povo começou então a utilizar as águas mínero-medicinais, de uma maneira desordenada, não existindo instalações adequadas para tal. Em 1780, as águas mínero-medicinais de Caldelas começaram a ser administradas pelos frades do Mosteiro de Rendufe, até 1834, ano da extinção das ordens religiosas. Foi na administração do Mosteiro de Rendufe que se operou, nas Caldas do Albito, a transição da fase de utilização primitiva, para uma utilização disciplinada, a caminho da exploração moderna. Em 1803, fizeram obras, construíram quatro poços em pedra e instalaram a chamada ainda hoje chamada “Bica de Fora”. Após 1834, a administração termal passou sucessivamente, pelo pároco de Caldelas, pela Câmara Municipal de Caldelas, pelo Visconde de Semelhe e finalmente, pela administração actual da Empresa das Águas Mínero-Medicinais de Caldelas, tendo a vida de Caldelas ficado permanentemente ligada, até aos dias de hoje, com a vida das suas Termas.

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