História de São João da Talha

História de São João da Talha
São João da Talha

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São João da Talha foi até ao século XIV parte integrante da freguesia de Sacavém, sendo referenciada como Sacavém Extra-Muros, ou simplesmente Talha. Reza a lenda que D. Afonso Henriques, deslocando-se para tomar Lisboa, aqui parou e rezou numa velha ermida então existente.

Antes da sua constituição como freguesia, vários documentos, dos séculos XII e XIII, referem-se a São João da Talha como povoação que ficava depois de Sacavém.

Toponímia

O nome "São João da Talha" parece ter evoluído deste modo:

Existe um documento do séc. XII, que assinala o povoamento de estrangeiros, referindo-se a São João da Talha com o nome de “Sacavém Extra Muros”. A designação “Talha” só surge, pela primeira vez, no século XIII, num outro documento referente a este período. Em 1258 aparece o nome de “Aldeia da Talha”. Conhece-se também outro documento de 1288, no qual consta, pela primeira vez, a assinatura do pároco de Talha e Sacavém. Em 1299, D. Dinis ofereceu à sua filha o reguengo de “Extra-Muros” – Talha. Em 1300, o Judeu Abraão plantou uma vinha lá para a barca de Sacavém – Talha. Em 1357, um soberano de Inglaterra escreveu uma carta sobre um navio português preso com pessoas a bordo, sendo uma delas Pero Róis da Talha. Em 1371, D. Fernando ofereceu Talha, Frielas e Unhos, como prenda de casamento à sua filha, D. Leonor Teles. Em 1372, sabe-se que Gonçalo Pires tem casas junto ao poço da praia (que é Talha). Entre 1382 e 1385, há uma revolução na qual acontece a quitação de alguns direitos e concessão de alguns privilégios por D. João I. A 7 de Abril de 1385, D. Nuno Álvares Pereira recebeu o reguengo de Sacavém Extra Muros (Talha).

Deste modo, o nome “S. João da Talha” resultou do nome da igreja, cujo padroeiro é “São João Baptista” que se localizava num “lugar” conhecido por “Talha”. Por isso, com o aumento da população neste lugar, e para melhor situar a igreja, passou a chamar-se “São João do Lugar da Talha”. Foi este nome que apareceu no manuscrito do padre Filipe de Carvalho, no séc. XVIII. Mais tarde, o nome “São João do lugar da Talha” seria considerado demasiado longo, dando preferência a “São João da Talha”, para simplificar. É esta designação que hoje conhecemos.

Criação da Freguesia

A Freguesia de São João da Talha foi criada em 1388 (Século XIV), resultante do desmembramento de Sacavém. “Talha” ganhava autonomia e passava a freguesia localizada no lugar da “Talha Grande”. Nos antigos corógrafos aparece simplesmente designada por Talha. A sua população era cerca de 300 habitantes. No ano de 1389, Simão Albez (Judeu) e mais três pessoas dão de foro a Lourenço Cebolano (também Judeu) umas casas na quinta da Barroca. Em 1390, Talha era Vigararia da apresentação da Universidade de Coimbra. Nessa altura, o cura tinha de rendimento anual sessenta e quatro alqueires de trigo, um tonel de vinho, quatro cântaros de azeite, dezasseis mil réis em dinheiro e o pé-de-altar. Em 1391 é conhecida um carta de sentença de D. Nuno Álvares Pereira sobre a jurisdição da Paróquia da Talha. Neste mesmo século XIV, sabe-se também que um outro Judeu é dono de um pardieiro de um Mouro do Arrabalde. E dois Mouros, um deles Mamede, são donos de uma vinha no sitio de Cumieira.

O séc. XV é silencioso, não registando acontecimentos relevantes na jovem freguesia. Em 1527, Talha tinha cerca de 200 habitantes. Em 1528 nasce na freguesia o padre Jesuíta Vicente Rodrigues que se tornou um grande missionário no Brasil, onde é considerado o primeiro “Mestre–Escola”. Conhece-se um manuscrito que data de 1571, de Francisco de Holanda, pedindo ao Rei D. Sebastião para reedificar a antiga ponte romana. É ainda no século XVI que Lisboa, capital do reino, é afectada por uma peste devastadora que forçou o Rei D. Manuel e a sua corte a refugiar-se na Talha (Budel). Deste modo, a presença da família real nesta freguesia deu origem à construção da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, que ainda hoje existe, embora desfigurada.Também no principio do séc. XVII, isto é, em 1609, os representantes da Coroa fazem o mesmo: refugiam-se em Talha pela pureza das suas águas. Também aqui possuiu capela Jorge de Barros (estando mesmo sepultado na Igreja de São João Baptista), um dos irmãos do insigne humanista João de Barros.

Situada perto da margem direita do rio Tejo, a Freguesia de São João da Talha encontra-se a cerca de treze quilómetros da sede do concelho, para este-sudeste, e a onze de Lisboa. A sua localização geográfica era assim feita pelo Padre Filipe de Carvalho, pároco da freguesia quando decorreram as “Memórias Paroquiais”, inquéritos ordenados em 1758 por D. José nas igrejas do País:

"Esta freguesia está situada em um monte que principia da Barca de Sacavém donde se aparta a estrada que vai para a Póvoa de Domingos Martinho e finda o dito Monte no vale de São Lourenço, que fica para a parte do norte. Tem de comprimento pouco mais ou menos meia légua, desaba o dito monte para a parte do nascente com o rio Tejo, no qual não há desembarcadouro para esta freguesia senão por acaso; e de poente desaba sobre o braço do mar que entra por Sacavém dentro. Desconhece do dito lugar de Unhos, que entre uma e outra freguesia se mete o rio de meio e se avista também Sacavém, que também os divide pelo meio o rio."

Em termos económicos, merece destaque em São João da Talha o sector secundário, embora o comércio desempenhe também a função fundamental para a sua população. Numa curiosa publicação sobre a freguesia, de A. Cardoso, era feito um retrato do característico habitante talhense:

"São João da Talha apresenta os últimos exemplares de gente de tez morena, pele tisnada, olhos e cabelos negros ou castanhos, membros secos, tipo sem finura de raça e plástica de linhas, tão afastado em verdade, da gente robusta do norte. É o tipo saloio, hortelão exímio, trabalhador incansável. (…) Pois em São João da Talha a característica psicológica é ainda a saloia nitidamente distinta do tipo ribatejano que surge a escassos quilómetros em Santa Iria da Azóia. É à horta que o saloio dá toda a sua alma, toda a sua arte. No mercado da Ribeira ainda aparece o maravilhoso carro artístico de hortaliças do último saloio autêntico."

Século XIX

A partir do século XIX, teve início a industrialização do sítio. Sabe-se que em 1840, São João da Talha, pertencia ao 3º Bairro de Lisboa, onde continuou até à criação do concelho dos Olivais, em 1852, por decreto de 11 de Setembro, no qual foi integrada. No ano de 1880, São João da Talha é composta pelas seguintes aldeias: Bobadela, Coreiceira, Talha Pequena, Vale de Figueira e obviamente São João da Talha.

Com a criação do Concelho de Loures em 26 de Julho de 1886, foi incluída nele. A 28 de Julho de 1896 – Diário do Governo N.º 168, foi anexada à Freguesia de Santa Iria de Azóia, onde esteve integrada, até 1 de Março de 1939, para efeitos administrativos.

Século XX à actualidade

A 1 de Março 1939 foi reconstituída como Freguesia, pelo DL 29.468. Em 1989, em virtude do seu elevado crescimento demográfico e económico, o sítio da Bobadela tornou-se uma freguesia autónoma, separando-se assim de São João da Talha, originando um decréscimo da população. Em 1 de Julho de 2003, por proposta do PCP, foi aprovada pela Assembleia da República a elevação da povoação a vila.

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