História de Valezim

História de Valezim
Valezim

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Valezim, freguesia do concelho de Seia, possui uma história milenar.

O seu primeiro foral é atribuído em 1201, por D. João de Foyle. Em 1514 é renovado por D. Manuel I, e passa constituir um concelho formado apenas pela freguesia da sede. Entre os anos de 1836 e 1855 pertenceu ao concelho de Loriga. Nessa data foi integrado no concelho de Seia, onde pertence.

Origens

Como tudo começou ninguém sabe, talvez em tempos pré-históricos. A Lusitânia era uma província ao ocidente da Hispéria. As suas tribos primitivas eram os celtiberos, formando cinco grupos independentes entre si. Viviam em paz até Amilcar os submeter aos exércitos de Cartago. Nesse tempo a Lusitânia estava dividida em quatro regiões, das quais uma, a Lusitânia propriamente dita, que incluía a Serra da Estrela, ou Montes Hermínios, que era habitada por carpatos, vetões, hermínios, túrtulos e outros.

Segundo alguns, Valezim seria a terra de Viriato. Em 150 a.C. os romanos mandaram o pretor Sérgio Galba e seus exércitos à Lusitânia sendo vencido. Para vingança, os romanos marcaram um concílio amigável com os lusitanos. Acreditando na boa vontade dos romanos, foram dizimados. Os sobreviventes aclamaram para seu chefe um hábil pastor, o primeiro habitante de Valezim conhecido por Viriato. Era deste local chamado Cabeço do Castro que Viriato partia a combater os invasores romanos. Do castro já nada resta, a ignorância de uns e a ganância de outros fizeram por distribuir em muros, casas e até mesmo partilhas de terrenos as pedras das antigas muralhas. À sua volta apenas o Cabeço da Forca poderá ser um ténue vestígio de tão importante posto de defesa dos lusitanos. 27 a.C. O imperador César Augusto cria a província da Lusitânia que ficava a norte do Tejo e incluía a Serra da Estrela.

Cronologia

1138 - Nos registos documentais encontramos a primeira referência a Valezim, ainda no tempo de D. Afonso Henriques.

Agosto de 1141 - Adozinha Noneliz doa por testamento metade de Valezim ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, sendo a outra metade doada em 1148 por Salvador Aires.

1201 - D. João de Foyle quinto Prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra concede foral aos moradores do local de Valezim.
Transcrição do Foral de 1201:

«Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amem. Seja conhecido, tanto pelos presentes como pelos vindouros, que eu, D. João Fróia, quinto Prior de Santa Cruz com o consentimento dos meus cónegos, faço uma carta a todos Os homens povoadores da nossa herdade que se chama Valezim. Assim, com tal Pacto damo-lhes a nossa herdade para ser povoada, com todos os seus limites, Como a vista alcança, com excepção das herdades que os homens de São Romão Aí possuam. E nenhum homem de São Romão e de alguma nossa herdade vá habitar com eles em Valezim, salvo se filho ou filha sua tiver casado na vossa própria herdade à qual pertencer.

Damos e concedemos-lhes aquela para ser povoada, com tal condição para que trabalhem bem, plantem e edifiquem a própria herdade. Dêem-nos ainda os vossos foros, a saber: quem trabalhar com dois bois dê-nos uma quarta de trigo, duas quartas de centeio e uma quarta de milho; quem trabalhar com um boi que dê uma quarta de centeio, um sextário de trigo e um sextário de milho ;quem trabalhar com mais de dois bois não dê mais do que as quatro quartas já referidas, dê-as por teiga de Seia, de quatro alqueires, sem serem e vá o nosso serviçal à eira por elas; se cultivar linho, dê um manípulo de três vergas do próprio linho; e se aquele que tem apenas um boi cultivar linho, dê meio manípulo; o cavador que trabalhar uma seara dê dois almudes de segunda; os vizinhos que não tiverem bois, não forem cavadores, nem possuírem herdades e pedirem jeiras de bois aos seus amigos dêem um sextáriode pão; aquele que plantar uma vinha não dê dela alguma coisa até ao quinto ano, começa a dar-nos, a partir do sexto ano e nos seguintes, a décima parte do vinho no lagar e venha o nosso serviçal por ele; dêem-nos de colheita, todos os do concelho, uma vez por ano, um porco de um morabitino; cada um dê da sua fogueira, um pão de cada alqueire; todos os homens que aímorarem não paguem por quaisquer crimes, a não ser três, a saber, merda em boca rousso e homicídio de homem morto, e por cada um destes crimes, paguem-nos dez morabitinos; paguem-nos pelo roubo, segundo o uso da terra, a estes crimes referidos sejam provados por inquirição de homens-bons e não exista aí engano nem mentira; o imposto de portagem, na verdade, recai sobre os que vêm de outras partes, porque os vizinhos da vila não o darão; o concelho escolha o juiz que quiser; além disto o concelho escolha entre si os foros e os pactos que quiser; qualquer um que morar nesta vila durante um ano, fique com a sua herdade para sempre e faça dela o que lhe agradar, todavia, quanto a isto, faça-nos o nosso foro aquele que para aí vier; se alguém da vila quiser morar noutro local, vá em paz com todos os seus bens e fique com a herdade o vizinho que lha comprar, e assim junte a herdade, para não contrariar a fogueira; aquele que não foz vizinho e desejar tomar-se vizinho, e comprar a herdade, faça o seu foro segundo a quantidade de herdades; e o casal que se chama uma fogueira inteira, se for dividido por herdades e por vários homens, façam foro de fogueira daquela que habitaram e daquela que compraram.

Os homens da vila de Valezim não andam ao fossado nem ao apelido, nem a qualquer fazenda, a não ser a mando do rei. Todos os que aí morarem, possuam firmemente as suas herdades para sempre e, por esse foro que se apresenta anteriormente nesta carta, façam delas o que lhes agradar; venda, doação ou posse.

Portanto, nós povoadores da vila de Valezim damos muitas graças a Deus e a vós, Prior Dom João de Santa Cruz, e a todo o convento pelo bom foro que nos dais e prometemos ser pelo menos quarenta bons povoado res na vila já dita de Valezim, e se não pudermos vós fareis da vossa vila o que vos agradar.

Esta carta de foro foi escrita no mês de Janeiro de 1239.

Eu, Dom João, dito Prior de Santa Cruz, e todo o convento confirmamos esta carta e o foro para todos os povoadores de Valezim. E damo-vos e concedemos uma parte de todos os benefícios e oraçôes, tanto na vida como na morte, como confrades nossos amigos.

Isto foi escrito e instituído no ano e mês acima escrito, reinando o Ilustríssimo Rei Sancho, filho do Rei Afonso de boa memória e da rainha Dona Mafalda, no décimo sexto ano do seu reinado.

O notário: Gonçalvo, Presbítero.»

XIII ou XIV - Data previsível para a construção da Ermida de São Sebastião. Construção do estilo romano tem um estilo muito característico, com um alpendre e púlpito para o exterior.

1401 - D. João I faz uma doação de terras a seu filho D. Henrique. Neste lote de terras estava incluído Valezim.

23 de Março 1514 - D. Manuel concede novo foral a Valezim.

«Forall dado ao Comcelho de Vallazim.

Dom Manuel etc….

Paga-se no duo lugar de todo o pão, vinho linho de nove um pago o dízimo o qual direito nem nenhum outro se paga de legumes nem de fruta. E paga mais cada morador que faz fogo por si, um capão e não pagam eirádiga nem outros direitos do dito pão. E paga-se mais de cada engenho de pisão ou moinho, um capão somente. E os maninhos desta terra serão dados pelo Alrnoxarife segundo nossa Ordenação das Sesmarias sem nenhum foro outro mais que o foro da Terra. E se algum é posto mandamos que se não pague. O montado anda com São Romão e segundo o Senhorio de São Romão visto levar ou usar assim o farão neste lugar sobredito de Valezim.

Tabliães - Os Tabliães servem no dito lugar e pagam em São Romão. E ajudam a pagar na colheita em São Romão com doze libras e meia segundo sempre pagaram. - A pena de arma e o gado de vento, dizima das sentenças, e a Portagem e Pena de Foral é tal como Lousã, etc. Dada na nossa mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa vinte e quatro dias de Marco era do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil e quinhentos e quatorze. E subscrito pelo dito Fernão Pina, - Em nove folhas.»

1527 - O Cadastro da População do Reino indica que o concelho de Valezim tinha 60 fogos (60 x 5 representa aproximadamente 300 pessoas) com termo de meia légua (antiga) de comprimento e outra de largo. Fazia fronteira com os concelhos de Loriga, Penalva, Vila Cova e São Romão.

15?? - Data de edificação do Pelourinho de Valezim único monumento nacional da nossa terra. Gótico com bloco piramidal e de tipo heráldico, apresenta capitel em forma de tabuleiro quadrangular e uma pirâmide irregular no remate.

1577 - D. Sebastião permite que D. Filipa da Silva neta de D. Álvaro da Silva, conde de Portalegre, suceda no senhorio de Valezim. Passa por descendência dos Condes de Portalegre para o Ducado de Aveiro.

1630 - É a data que se encontra gravada na torça da porta direita da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. A igreja tem o nome da Padroeira de Valezim. De estilo não muito bem definido e objecto de várias reconstruções não deixa de ser um imponente templo em granito, constituído por três naves separadas por arcos que assentam em pilares cilíndricos com capitel. Existe ainda um púlpito semelhante ao de São Domingos.

1708 - Valezim tinha 250 fogos.

1759 - A vila passa para a Coroa.

20 de Julho de 1818 - Cópia do Livro de Actas da Câmara de Valezim

«Eleição que fazem os oficiais da Câmara e Homens da Governança com o Juiz Presidente para elegerem um Vereador, em virtude de outro que foi livre por moléstia.

Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e dezoito, Aos vinte dias do mês de Julho, nesta vila de Valezim e Casas da Câmara dela onde eu escrivão vim com o actual Juiz Ordinário Diogo Dias Preto da Cunha, oficiais da Câmara e Homens da Governança abaixo assinados e estando todos juntos por ele Juiz lhe foi dito que por quanto tinha sido livre José Boto Machado do cargo de vereador para que tinha sido eleito em Barrete, elegessem outro (Copos?) para o dito emprego, sem ódio nem afeição, o que visto e ouvido pelos sobreditos procederam na dita eleição da maneira seguinte: Para Vereador Manuel de Moura -9; Joaquim Luís - 1; Manuel Fonseca - 1. E por esta maneira houveram esta eleição por finda e acabada na pessoa de Manuel de Moura que ele Juiz mandou fosse notificado para (incontinente?) vir tomar juramento de que fiz este auto que assinaram. Eu António Xavier Fazenda de Mendonça, escrivão da Câmara que o escrevi e assinei. António Xavier Fazenda de Mendonça Do Vereador - João António de Almeida Do Vereador - Francisco de Fernandes do (Adro?) Do Procurador - João Lopes João Metelo de Matos; José Ribeiro da Costa; José Luís Simões; José Maria Albuquerque Calheiros) Joaquim António Calheiros,… »(há ainda outras assinaturas de difícil interpretação).

26 de Maio 1834 - Após a derrota do Rei D Miguel I, reconhecida pela Convenção de Évora Monte, o País ficou dividido em Províncias, Comarcas e Concelhos. O concelho de Valezim ficou a pertencer à Comarca de Seia e à Província da Beira Baixa.

07 de Agosto 1835 - É publicada nova legislação que confirma o concelho de Valezim na jurisdição do Julgado de Seia, Distrito da Guarda, Província da Beira Alta e Tribunal da Relação do Porto.

28 de Setembro de 1836 - É extinto o concelho de Valezim, ficando a pertencer ao concelho de Loriga e à Comarca de Gouveia (a de Seia foi extinta). O concelho de Loriga tinha cinco freguesias: Loriga, Alvôco da Serra, Cabeça, Velezim e Vide.

24 de Outubro de 1855 - É extinto o concelho de Loriga e Valezim passa a pertencer ao concelho de Seia.

Setembro de 1882 - É executada a Bula "Gravissimum Christi EccLesiam Regendi" de 30 de Setembro de 1881 de Sua Santidade o Papa Leão XIII e Valezim fica a pertencer à Diocese da Guarda. No registo refere-se uma população de 805 almas e 199 fogos.

Final do século XIX - Não há registo quanto há data da construção da Capela, mas certamente a sua construção remonta ao século passado. A sua constução num monte na mesma encosta do Castro com vista para o Caramulo é um local com com vista deslumbrante, certamente quem escolheu o local pretendeu mostrar aos peregrinos toda a grandeza de Deus.

Final do século XIX - Dá-se a constituição da Irmandade das Almas. Não há registo quanto à data da sua fundação, e o primeiro livro de registos tem o termo de abertura assinado pelo Juiz Mauricio Gomes Metelo e data de 11-11-1915. Um outro livro mais completo de registos data de 1955, tendo o irmão mais velho há altura, efectuado a sua inscrição em 1903. A Irmandade tem por Padroeiro o Santo Nome de Jesus. Tem como finalidade dar glória e prestar culto a Deus, promover os bens espirituais dos Irmãos e exercer actos de caridade e beneficência. Actualmente marcam a sua presenças nas procissões e funerais.

27 de Fevereiro de 1952 - São aprovados pelo Governador Civil da Guarda os Estatutos que irão permitir o nascimento do Club Recreativo e Educativo Valezinense. Fundado por uma Comissão Organizadora nascia em pleno Estado Novo e seria uma porta aberta ao mundo disponível para toda uma população. Com as limitações impostas pelo regime e espelhadas nos primeiros Estatutos, aqui era possível ler os jornais da época, ouvir as notícias na rádio e foi aqui a primeiro local em Valezim onde foi possível ver as emissões da Radiotelevisão Portuguesa.

1966 - São efectuadas obras profundas na Igreja do Santíssimo. É construída uma nova fachada à frente da antiga, o Altar-Mor recua até à parede exterior ocupando o lugar da antiga sacristia. É ainda construída uma nova sacristia anexa à fachada lateral e um novo campanário. O campanário antigo que existia na lateral serve hoje de fontanário no lado direito do Santuário da Senhora da Saúde.
IgrejaSantissimo

2 de Março de 1993 - A 5ª Secção de Valezim dos Bombeiros Voluntários de São Romão foi fundada em por despacho da Direcção do SNB.

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