História de Vinhais

História de Vinhais
Vinhais

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As origens da vila de Vinhais têm levantado muitas interrogações. É certo que a sua ocupação humana data de tempos ancestrais, como o comprovam os diversos vestígios arqueológicos existentes no seu termo, destacando-se o castro da Ciradelha, povoado proto-histórico, fortificado de grandes dimensões.

Origens

Com datação anterior à Idade do Ferro o povoado do Castrilhão, localiza-se no termo de Rio de Fornos. Aqui foram encontradas, durante escavações arqueológicas, pontas de setas talhadas em xisto e quartzo com datação anterior ao calcolítico. A partir do século I / II d.C., estes povoados fortificados foram perdendo a sua importância. A necessidade de terrenos mais férteis fez com que as populações se deslocassem do cimo dos montes para os vales onde havia melhores terrenos agrícolas.

Romanos

Numa zona próxima da igreja de São Facundo foram encontrados vários objectos da época romana: tegulae, peso de tear e cerâmica de uso quotidiano. Da passagem desses povos restaram-nos alguns vestígios: um tesouro monetário na Vidueira, a cerca de 1,5km para Norte de Vinhais, um marco miliário romano agora desaparecido e a passagem por estas terras da Via Romana XVII, nas imediações da Vila de Vinhais, Via essa que ligava dois importantes conventus juridicus: Bracaraugusta (Braga) a Asturica (Astorga em Espanha), nesta mesma via, foi encontrado um outro marco miliário encontrado no termo de Soeira, depositado no Museu Abade de Baçal.

Toponímia

O topónimo – Vinhais, - no dizer de alguns historiadores deve provir de data já muito antiga. E, a propósito, escreveu algures, o Abade de Miragaia:

«Desde tempos muito remotos a produção principal desta freguesia e deste concelho era o vinho, como está dizendo o seu nome – Vinhais, - terra de vinhas e vinhedos…»

E, na verdade é a este saboroso e apreciado liquido, tão abundante em séculos passados, principalmente entre os rios Tuela e Rabaçal, que se deve, segundo muitos, a origem do vocábulo. Na opinião de alguém com autoridade não é termo moderno, apesar da sua forma não lhe fixar época. Depois de se ter aplicado já em substituição do primitivo (briga), ao local por natureza forte e por certo mais fortalecido do antigo castelo de Vinhais, que ficava a bastantes quilómetros ao Sul da actual vila de Vinhais, (entre os lugares de Nuzedo de Baixo e Vale de Janeiro), designando por certo, já antes da Nacionalidade. De modo que o topónimo poderá até ascender ao latim - «viviales» - embora para sua confirmação não haja provas.

O mais antigo documento que conhecemos em que se faz menção do vocábulo – Vinhais – que viria depois a denominar a actual vila de Vinhais é dos meados do século XII, o que não quer dizer que não se trate de designação muito mais antiga nessa época. Trata-se pois da doação ao Mosteiro de São Martinho da Castanheira em terra de Sanábria, Hespanha, de uma propriedade em Vilar de Ossos, concelho de Vinhais.

Ora é sabido que a actual vila de Vinhais ainda não existia nessa altura mas sim a freguesia de São Facundo, vulgo São Facundo de Crespos. Mesmo que existisse ainda não estava organizado o concelho de Vinhais, de modo que não podemos pensar que a expressão se refira ao local subordinado à actual vila de Vinhais. Antes pelo contrário, muitos crêem que se trata não de um topónimo – nome de lugar - mas de um corónimo, isto é, do nome dado a uma certa região, ou a um «território» determinado de funções administrativas, não locais (municipais). Uma referência relativamente ao governo central, o mesmo que «terra», termo que afinal, aparece no mesmo documento a designar o que já antes se designava «território», Barrondas da Serra.

Século XII ao século XIX

Por estar nas encostas de uma das mais conhecidas fronteiras naturais do Nordeste, o Rio Tuela, e sendo assolada frequentemente por investidas hostis, foi necessário fortalecer as suas defesas. Os dados, lançam para o século XII as primeiras edificações do que mais tarde seria o castelo de Vinhais. Trasladado, possivelmente do Monte de Senhora da Saúde, de Vale de Janeiro, por este já não servir os critérios de defesa e controlo fronteiriço.

Em 1253 D. Afonso III concede carta de foral, o qual foi outorgado por D. Manuel I em 1512, aos hominibus de Vinaes, et suis terminis estabelecendo um foro de 600 morabitinos, 500 pela renda daquela terra e 100 pela tenência do castelo1. Porém cinco anos depois as inquirições daquele rei mostram que não existia ainda a vila de Vinhais. A povoação mais central, por onde se inicia a inquirição do judicatus de vinaes é São Facundo de Crespos cuja igreja, de traça românica, é hoje a capela de São Facundo do cemitério da vila de Vinhais. Parece ser posteriormente a 1258 que, num cabeço sobranceiro a Crespos, irá ser erguida a nova vila de Vinhais.

A igreja intra-muros, a paroquial de Nossa Senhora da Assunção da documentação moderna, não é ainda referenciada no Catálogo das Igrejas de 1320-21 que apenas se refere à de São Facundo. Nos reinados de D. Fernando e D. João I fizeram-se reconstruções na cerca da vila, prova de que era um local estratégico de defesa assim como de controlo fronteiriço.

Quando D. João I de Castela invadiu Portugal, em 1384, devido à crise de sucessão suscitada pela morte de D. Fernando, o castelo de Vinhais foi um dos muitos que hastearam a bandeira castelhana, recusando, assim, obediência ao Mestre de Avis, futuro D. João I de Portugal. Vinhais volta a ser recordada no decorrer da Guerra da Restauração, tendo sido uma das vilas sujeitas aos ataques violentos que o exercito espanhol infligiu aos portugueses, devido à sua localização geográfica, tal como descreve Pinho Leal, na célebre obra Portugal Antigo e Moderno:

Em 1666, achando-se em Lisboa o III conde de São João da Pesqueira (futuro primeiro Marquês de Távora, criado por D. Pedro II Regente, de 7 de Janeiro de 1670), governador de Entre Douro e Távora (…). Entretanto, o general galego D. Baltazar Pantoja, pôs a ferro e fogo a província de Trás-os-Montes. Em 1 de Julho de 1666 entrou por Montalegre. No dia 13 de Julho caiu sobre Chaves, no dia 14 de Julho tomou os lugares de Faiões e Santo Estêvão, defendidos pelo sargento-mor António de Azevedo da Rocha, cometendo barbaridades. Recolhendo-se D. Baltazar Pantoja a Monterey, praça galega ao norte de Verim, e passados poucos dias volveu sobre Portugal, entrando por Monforte. Veio pôr cerco a Vinhais, cercando com o seu exército o castelo, que era defendido pelo governador Estêvão de Maris, com os habitantes da vila e mais 50 auxiliares. Este acontecimento ficou eternizado numa inscrição que, ainda hoje, se pode ver na parede de uma casa que o defensor de Vinhais (Estêvão de Maris) fez:

ESTÊVÃO DE MARIS, GOVERNADOR DES / TA VILA DE VINHAIS, Fº DE Rº DE MORAIS DE TIO / ZELO, MANDOV FAZER ESTAS CASAS / NA E. DE MDCCVI (?) QUANDO PANTOXA / G L DO EXÉRCITO DE GALIZA COM O / MAIOR Q. SE VIO NESTA PROVINCIA / E LHE DEFENDEO A MVRALHA CÕ / A GENTE NOBRE DA VILA E POV / QVA MAIS DE GRÃ E CÕ PERDER MVTÃ / LEVANTOU O SITIO E QUEIMOU AS / CASAS QUE FICAVÃO FORA DA MURALHA.

Vinhais, volta a ser palco de batalhas durante as guerras Liberais e, mais uma vez, devido à sua posição fronteiriça. A província de Trás-os-Montes, muito aferrada às tradições da monarquia absoluta, muito teve a sofrer neste período das lutas liberais. Os miguelistas derrotados ou perseguidos várias vezes, para ela se retiraram ou por ela se escaparam para Espanha. Vinhais esteve sempre ocupada por tropas e armas durante estas guerrilhas, tendo sido muitas as “insurreições, roubos e desacatos” nesta vila face à revolta do povo.

Século XX à actualidade

Após a implantação da República, Vinhais tornou-se um centro de atenções de todos os portugueses. Entre 4 e 5 de Outubro de 1911, a vila foi invadida por Paiva Couceiro que, com esta incursão, pretendia defender a liberdade politica e religiosa dos seus compatriotas monárquicos. No dia 5 de Outubro de 1911, enquanto por todo o país se comemorava o primeiro aniversário da implantação da República, a monarquia era restaurada em Vinhais, em cuja Câmara Municipal era içada a bandeira azul e branca.

No alto da Corujeira. Paiva Couceiro atacou com as suas gentes as forças republicanas que, sob o comando do capitão Andrade, tinham tomado posições no Monte da Ucha, mas que se viram forçados a retirar em direcção a Chaves. Acto contínuo, Paiva Couceiro entrou em Vinhais, sendo calorosamente recebido e aclamado. Poucas horas se demoraram os combatentes monárquicos em Vinhais, donde retiraram durante a noite.

O governo provisório decretou de imediato medidas rigorosas; para Vinhais foi destacado um pequeno exército oficial, afim de repelirem os invasores. Paiva Couceiro retirou-se com as suas tropas com o plano de empreender uma acção de “guerrilhas” através de Trás-os-Montes e do Minho, enquanto as suas reduzidas forças o permitissem manter-se em luta.

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