História do Clero na Relva

História do Clero na Relva
Relva

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Clero

Vigários

  • 1º? - Álvaro Anes, de 1 de Setembro de 1526 e ainda o era em 1527, é referenciado como o primeiro vigário desta igreja pelo Dr. Gaspar Frutuoso, mas no livro do almoxarife de São Miguel do ano de 1527, onde estão registadas as ordinárias pagas no ano de 1526, está registado o seu pagamento do dito ano, não se encontrando esta nas ordinárias novas criadas para o já citado ano de 1526, pelo que percebe que já existia antes desta data, e que terá sido ocupada por outro ou outros vigários.
  • 2º - Simão Gonçalves
  • 3º - Heitor Tenreiro, renunciou em 1546
  • 4º - António Lobo
  • 5º - João de Contreiras, antes de 1561
  • 6º - António Neto, provisório antes de 1566, depois definitivo
  • 7º - Sebastião Roiz Panchina, antes de 1569
  • 8º - Lourenço Leal, 1569
  • 9º - Gaspar Cansado de Paiva, 1578
  • 10º - Licenciado Francisco Leal de Carvalho, já em 1580 – 1603
  • 11º - João Lopes Cardoso, 1603 – 1634, licenciado em direito canónico, pela Universidade de Coimbra no ano de 1587, escudeiro da Casa Real. Considerada a pessoa de mais alto relevo na sociedade micaelense no seu tempo, foi vigário da Igreja de Nossa Senhora das Neves de 1603 a 1634, visitador em toda a ilha de São Miguel em 1603 e 1604, foi capelão de sua majestade em 1625, e ouvidor do eclesiástico nesta Ilha de São Miguel, desde 1607 até falecer no referido ano de 1634, onde se lê no seu testamento ser ouvidor e vigário da Relva.
  • 12º - Licenciado Francisco Fernandes Mesquita, 1634 – 1659
  • 13º - Licenciado Manuel Ledo de Castro, 1659 – 1665
  • 14º - José de Castro, 1667 – 1695
  • 15º - António Moniz de Medeiros, 1696 – 1710 filho de João Moniz de Medeiros e de Ana Gois Escorcia.
  • 16º - Licenciado Leandro de Sousa Vasconcelos, 1711 – 1731 (natural da Relva filho de João de Sousa Vasconcelos e de Isabel Cordeiro, irmão dos padres João de Sousa Vasconcelos e de Inácio de Sousa Vasconcelos.
  • 17º - Bartolomeu Godinho de Vasconcelos, 1732 – 1744, faleceu a 28 de Junho deste ano com 40 anos de idade
  • 18º - Licenciado Pedro Moniz da Costa, 1744 – 1755
  • 19º - Manuel de Sousa Pereira, 1756 – 1767 (natural da Conceição da Ribeira Grande)
  • 20º - Manuel de Oliveira Macedo, 1768 – 1773, (morreu em 12 de Março deste ano com 48 anos de idade sepultado na capela-mor desta igreja).
  • 21º - Manuel José do Rego, 1790 – 1797, (natural da Relva)
  • 22º - Inácio Caetano Ferreira, 1800 – 1808, (morreu 17 de Maio deste ano, sepultado nesta igreja)
  • 23º - André Francisco Pereira Tavares, 1814 – 1865, foi o último vigário colado, desta Paróquia, a seu pedido, por alvará de 21 de Janeiro de 1859 do Governo Civil o padre foi exonerado do seu cargo por doença e idade avançada, obtendo como coadjutor António Cabral de Medeiros também por alvará do mesmo orgão de 22 de Janeiro do mesmo ano, durante a sua doença e velhice foi ainda coadjuvado por Francisco Moniz Pereira, Francisco Pereira Cabral natural dos Mosteiros.
  • 24º - Dr. Augusto Carlos de Melo, 1869 – 1891, faleceu na Relva às 4 horas da tarde do dia 24 de Novembro deste ano.
  • 25º - Dr. João Rodrigues Ferreira, 1893 – 1913
  • 26º - Heitor Augusto Senra Brum, 1913 – 1938
  • 27º - Luís Cabral Raposo, 1938 – 1939
  • 28º - Miguel de Sousa Moniz, 1939 – 1949
  • 29º - Aníbal do Rego Duarte, 1949 – 1963
  • 30º - José Gregório Soares de Amaral, de 7 de Agosto de 1963 a 29 de Novembro de 1970
  • 31º - David Botelho do Couto, de 29 de Novembro de 1970 a 26 de Agosto de 1979
  • 32º - João Luciano do Couto Rodrigues, de 14 de Outubro de 1979 a 1 de Outubro de 1994
  • 33º - Dr. José de Medeiros Constância, de 1 de Outubro de 1994 até ao presente, (natural da Relva)

Vice – Vigários

  • 1º - Francisco Fontes Cabral, 1678 – 1680
  • 2º - António Camelo Botelho, 1680 – 1682
  • 3º - Manuel Cardoso de Sousa, 1682 – 1683
  • 4º - Licenciado António Pais de Vasconcelos, 1680 – 1686
  • 5º - Inácio Pereira de Medeiros, 1686 – 1687
  • 6º - António de Paiva, 1695 – 1696
  • 7º - Manuel da Costa Andrade, 1710 – 1712
  • 8º - João Moniz Cordeiro, 1731 – 1732
  • 9º - Manuel Sousa Rego, 1744
  • 10º - Sebastião da Fonseca, 1759
  • 10º - João Soares do Rego, 1767 – 1786
  • 11º - João do Rego Vasconcelos, 1773 – 1779, (sepultado nesta igreja)
  • 12º - João Soares do Rego, 1779 – 1786
  • 13º - Inácio Caetano Ferreira, 1800
  • 14º - Manuel José do Rego, 1784 – 1790
  • 15º - José de Medeiros Correia, 1798
  • 16º - Bento Joaquim de Meneses, 1798
  • 18º - José Francisco Pereira, 1808 – 1814
  • 19º - Lúcio de Sousa Cabral, 1862 – 1864
  • 20º - António Jacinto Gouveia, 1865 – 1869

Curas

  • 1º? - Francisco Gonçalves, antes de 1609 – 1652
  • 2º - Extravagante Gaspar Gonçalves Simões, antes de 1626 – 1643
  • 3º - Gonçalo Simões Lordelo, 1632 – 1634
  • 4º - Miguel de Sousa, 1643
  • 5º - Francisco Gonçalves Teixeira, 1653 – 1655
  • 6º - Manuel Moreno da Costa, 1655 – 1659
  • 7 º - Matias Carrasco, 1660 – 1662
  • 8º - Antão Ferreira Azevedo, 1664 – 1674
  • 9º - Manuel Garcia, 1666
  • 10º - António Ferreira Barbosa, 1675 – 1695
  • 11º - João do Rego, 1695 a 1722, faleceu a 19 de Dezembro de 1723, natural da Relva
  • 12º - Manuel Cabral, 1700
  • 13º - Paulo Ferreira, 1701
  • 14º - Bernardo Pimentel Alves, 1714 – 1717
  • 15º - Manuel Jorge de Sousa, 1717 – 1735
  • 16º - António Lourenço da Silva, 1738 – 1740
  • 17º - Francisco de Bettencourt, 1738 – 1744
  • 18º - Manuel Rodrigues Vieira, 1742 – 1743
  • 19º - Nicolau de Sousa, 1743
  • 20º - André Tavares, 1745
  • 21º - Francisco Moniz da Rocha, 1746
  • 22º - Sebastião da Fonseca, 1748 – 1771 (Vice Vigário em 1759)
  • 23º - Gaspar da Silva, 1755
  • 24º - Manuel de Sousa Pimentel, 1768
  • 25º- Alberto António de Vasconcelos, 1768 – 1784
  • 26º - Vice Cura Vicente José da Fonseca, 1768 – 1772
  • 27º - Vicente José da Fonseca 1773 – 1779, (faleceu em 20 de Outubro de 1785 com 45 anos de idade)
  • 28º - João do Rego Vasconcelos, 1772 – 1783
  • 29º - João Ferreira de Vasconcelos, 1779 – 17780
  • 30º - Inácio Caetano Ferreira, 1780 – 1798
  • 31º - João José do Rego, 1800 – 1836
  • 32º - Coadjutor Manuel Teixeira Senra, 1836 – 1837
  • 33º - Coadjutor João José Amaral Júnior, 1840 – 1841
  • 34º - Joaquim Oliveira Cabral, 1841 – 1842
  • 35º - Francisco Moniz Pereira, 1842 – 1845
  • 36º - Presbítero José Ferreira Afonso, 1846 – 1862
  • 37º - António Jacinto Gouveia, 1854 – 1888
  • 38º - António Jacinto Pimentel, 1866 – 1868
  • 39º - Manuel Augusto Pereira, 1887 – 1888
  • 40º - António Pacheco Custódio, 1888 – 1889
  • 41º - José Duarte Nunes, 1890 – 1891
  • 42º - António Pacheco Alfinete, 1892 – 1893
  • 43º - Manuel Vicente, 1899 – 1900
  • 44º - António Tavares Furtado, 1904 – 1905
  • 45º - José da Encarnação Nunes, 19

Curas no Curato de Nossa Senhora da Saúde

  • 1º - Francisco Alves de Sousa, 1720 – 1733
  • 2º - António Pereira Moniz, 1735 – 1737
  • 3º - Manuel Sousa Rego, 1736 – 1748
  • 4º - Manuel Perinho Borges, 1744 – 1756
  • 5º - João de Sousa Raposo, 1747 – 1752
  • 6º - Manuel de Oliveira Macedo, 1761 – 1768
  • 7º - Duarte Borges, 1774 – 1784
  • 8º - Francisco António de Sousa Vasconcelos, 1800 – 1816
  • 9º - José Jacinto Pavão, 1818
  • 10º - Gervásio José Tavares, 1830

Tesoureiros

  • 1º ? - Domingos Fernandes Mesquita, 1634, estudante e sobrinho do Vigário Francisco Fernandes Mesquita
  • 2º - Manuel Matos da Silva, 1656 – 1695
  • 3º - António Magalhães, 1695 – 1699, faleceu a 4 de Novembro de 1699 (sepultado na capela-mor desta igreja era natural da Ilha de Santa Maria.
  • 4º - Paulo Ferreira, 1700 – 1707 (faleceu em 1709, sepultado na igreja)
  • 5º - Francisco Cabral, 1707 – 1730
  • 6º - Manuel do Rego de Sousa, 1730 – 1733
  • 7º - Licenciado André Tavares Pimentel, 1747 – 1766, faleceu a 7 de Setembro de 1769, sepultado nesta igreja.
  • 8º - José Inácio Pacheco, 1768 – 1774
  • 9º - Inácio Manuel de Vasconcelos, 1772 – 1781 (tesoureiro em 1774
  • 10º - Francisco António de Sousa, 1775 – 1776
  • 11º - António Tavares Cordeiro, 1781
  • 12º - Manuel José do Rego, 1783 – 1784
  • 13º - António de Sousa, 1792
  • 14º - João José Ferreira, 1800
  • 15º - Manuel de Sousa Rocha, 1804 – 1830

Capelães no Curato de Nossa Senhora da Ajuda

  • 1º - Francisco José de Benevides, 1854
  • 2º - João Inácio Pereira Toste de Mesquita, 1855 – 1865
  • 3º - Francisco José do Couto, 1873
  • 4º - Junipero José Tavares, 1874
  • 5º - José Jacinto Carreiro, 1875
  • 6º - José Augusto da Ponte, 1876 – 1886

Rendimentos do Clero

Vigários

Desde o ano de 1526 que se tem conhecimento de vigário colado nesta paroquial, o qual de nome Álvaro Annes, tinha de congrua 7$000 reis, pagos pela Fazenda real. Em 1568 a mandato del Rei D. Sebastião foi o rendimento anual do vigário António Neto era aumentado de 12$000 reis para 20$000 reis. A partir de 3 de Janeiro de 1579, por provisão régia, o vigário passou a receber o seu ordenado da Fazenda Real duas partes em trigo e uma em dinheiro.

O rendimento que o Vigário recebia pelas missas que rezava aos Sábados pelas almas dos senhores Infantes era aumentado em alvará do ano de 1583 em mais $600 reis, além dos $400 reis, que já detinha, passando a receber 1$000 reis. Estes infantes eram os que descobriram as ilhas dos Açores, mas apenas se referiam ao Infante D. Henrique.

O rendimento anual do vigário o Licenciado Francisco Leal de Carvalho, que era de 25$000 reis foi aumentado por carta Régia do Rei D. Filipe, de 7 de Agosto de 1590 para 30$000 reis.

Por Capítulo da visita do Bispo D. Jerónimo Teixeira Cabral e Alvará de 24 de Abril de 1603, foi acrescentado o rendimento anual do Vigário Licenciado Francisco Leal de Carvalho em 5$000 reis para além dos 30$000 que já detinha, passando a receber 35$000 reis, e ainda 3$000 reis pelas missas dos senhores Infantes ao todo 38$000 reis.

O ordenado de mantimento do Vigário, nos anos de 1620, 1634 e 1640 pago pela Fazenda Real era 35$000 reis anuais e mais 3$000 reis pelas missas da capela dos Infantes, ao todo 38$000 reis recebendo duas partes em trigo e uma em dinheiro. Pelos anos de 1663 a 1693 congrua do Vigário era de 11$666 reis mais 7 moios e quatro alqueires de trigo e 1$000 reis e 36 alqueires de trigo pelas missas dos senhores infantes. Já em 1694 e até 1747 o ordenado do Vigário havia sido aumentado de 11$666 reis para 12$666 reis para voltar a descer e em 1757 voltava a ser 11$666 reis Tendo o quantitativo em trigo se mantido igual, valores estes que mantinham em 1788.
O ordenado de mantimento do Vigário, Cura, tesoureiro e o subsídio à Fábrica pago pela Fazenda Real manteve-se o mesmo de 1788 e até ao ano de 1805.

O Vigário André Francisco Pereira Tavares em 1830 tinha como rendimento anual 11$666 reis e 7 moios e trinta e dois alqueires de trigo e 1$000 reis e trinta e seis alqueires pelas missas dos senhores infantes.

Com o novo regime, constitucional, no ano de 1844, o Vigário recebia como ordenado de mantimento pago pela Fazenda Pública 242$477 reis.

Vice Vigários

Não existe registo de congruas pagas a estes titulares, excepto em épocas em que a paroquial esteve sem vigário, venciam estes o ordenado daqueles, pois é nestes períodos que se encontravam padres a exercer este cargo, várias vezes era o cura que ascendia a vice vigário e depois era promovido a vigário, outras era nomeado um vigário e este voltava a ocupar o lugar de cura, ou raramente o Cura, é que desempenhava o cargo de Vice – Vigário, sendo depois promovido a Vigário.

Curas

Não é possível por falta de documentos, saber ao certo quando foi criado o cargo de cura nesta paróquia, porém o mesmo já existia no ano de 1603, onde Por Capítulo da visita do Bispo D. Jerónimo Teixeira Cabral e Alvará de 24 de Abril de 1603, foi acrescentado o rendimento anual do Cura em 4$000 reis além dos 18$000 reis que já detinha passando a receber 22$000 reis anuais. Nos anos de 1620, 1634, 1640 e 1663 o Cura mantinha o mesmo rendimento de ordenado pago pela Fazenda Real ou seja 22$000 reis, recebendo duas partes em trigo e uma em dinheiro. De 1663 a 1747 e até 1788 o Cura continuava a receber o mesmo isto é 7$333 reis mais 4 moios e 26 alqueires de trigo.

O mantimento do Cura, tesoureiro e o subsídio à Fábrica pago pela Fazenda Real manteve-se o mesmo de 1788 e até ao ano de 1805.
Em 1830 o Cura recebia 8$000 reis mais quatro moios e 26 alqueires de trigo. O Cura da Ermida de Nossa Senhora da Saúde (anexa), Gervásio José Tavares, recebia 6$000 reis e 3 moios e 38 alqueires e a Fábrica 8$000 reis. Recebia este da Fazenda Pública no ano de 1844, 125$000 reis.

Tesoureiros

Tal como o cargo de cura, não se consegue saber em que ano foi criado o lugar de tesoureiro nesta paróquia, no entanto pelo mesmo Capítulo da visita do Bispo D. Jerónimo Teixeira Cabral e Alvará de 24 de Abril de 1603, foi o tesoureiro contemplado com mais 1$500 reis alem dos 5$000 reis que já recebia.

O mantimento do tesoureiro, nos anos de 1620, 1634 e 1640 era de 6$000 reis em dinheiro e um moio de trigo. De 1663 a 1693 este recebia 6$000 reis e um moio de trigo. E de 1694 a 1747 o ordenado do o tesoureiro manteve-se o mesmo 6$000 recebendo a mesma quantidade de trigo, valores inalterados até 1788. O Tesoureiro manteve o mesmo ordenado de 1788 e até ao ano de 1805. Já no ano de 1830, o mesmo recebia da Fazenda Real o mesmo mantimento, ou seja 6$000 reis, mais um moio de trigo.

Capelães do Curato de Nossa Senhora da Ajuda

Recebiam estes de ordenado pago pela Junta de Paróquia entre os anos de 1854 a 1886 15$200 reis.

Nomeações do Clero e fixação do seu mantimento

Os Vigários, Vice Vigários, Curas e Tesoureiros eram colados por sua majestade Rei de Portugal, bem como a fixação dos montantes dos seus ordenados. Vejamos alguns exemplos destas:

Por renúncia de Heitor Tenreiro ao cargo de vigário desta paróquia em 1546, foi o mesmo ocupado provisoriamente por António Lobo e depois por João de Contreiras e ainda por António Neto, que viria a ser nomeado definitivamente por provisão Del – Rei D. Sebastião datada de 6 de Outubro de 1566, cuja carta se transcreve a seguir:

Registo da Carta do Vigário da Relva

Dom Manuel de Almada por mercê de Deus e da Santa Igreja de Roma, bispo de Angra e Ilhas dos Açores do conselho del – rei nosso Srº aqui agora todos qtºs nossa carta de confirmação e posse virem fazemos saber que perante nós apareceu Antonio Neto clérigo de missa e nos apresentou uma provisão del – rei nosso srº pela qual sua alteza via por bem de o apresentar na vigararia da igreja de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva termo da cidade de Ponta Delgada da ilha de São Miguel que vagou por simples Renunciação que dela fez Heitor Tenrreiro que dela foi ultimo possuidor e de que o treslado é o seguimte Dom Sebastião por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves daqui e dalém mar em África Sr. da Guiné e da comquista naveguasão comércio da Etiópia Arabia e da Índia como governador e perpetuo administrador que são do mestrado da ordem e grandeza de noso senhor Jesus Cristo faço saber a vos reverendo Dom Manuel de Almada bispo da cidade de Angra do meu conselho que pela informação que me destes de Amtónio Neto clérigo de missa e de sua suficiência vida e costumes eu por bem e me apraz de o apresentar como de fruto prezento a vagararia da igreja de Nossa Senhora das Neves do lugar da Relva termo da cidade da Ponta Delgada da ilha de São Miguel que ora esta vaga por renunciação de Heitor Tenrreiro que dela foi ultimo possuidor encomemdo-vos que quando firmeis na dita vigararia e que passeis dela vossas letras de confirmação em forma nas quais fará expressa mensão de como o firmastes em minha representação para guarda e conservasão do dito da dita ordem Gaspar de Magalhães a fez em Lix a seis de Outubro do ano do nascimento de noso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e sessenta e seis Sebastião o Vavita a fez escrever e sendo nos apresentada pelo dito António Neto nos foi pedido que o confirmasse-mos na dita vigararia e que mandasse-mos passar dela nossas letras de confirmação em forma e segundo a dita carta da apresentação do dito senhor confiando na bondade e são consciência do dito António Neto para servir a dita vigararia como sempre servi e para descargo de nossa consciência por imposição que acarreta sobre o encabeçado o dito António Neto possamos e confirmamos e o damos por confirmado na dita vigararia da igreja de Nossa Senhora das Neves do lugar da Relva da dita ilha de São Miguel da apresentação del – Rei nosso Senhor a quem de direito pertence como governador e perpétuo administrador e das ordens e mestrado de nosso Senhor Jesus Cristo com a qual vigararia haverá enquanto seu mantimento e ordenado pelo provimento do dito senhor António Neto jurou em nossas mãos aos santos evangelhos de ser sempre obediente a nós e a nossos sucessores que entrarem no dito bispado e de servir e aguardar nossos mandados e logos sem tese de nossos ouvidores que se ontem no rapitoceo ego n de jure jurando e por esta mandamos em virtude de obediência e sob pena de excomunhão o qual clérigo notário tabelião que está presente sendo recebido de nota de posse pelo actual ao dito António Neto na dita Vigararia perto das coisas que se costumam dar em tais posses e que se deem e passem seus instrumentos para sua guarda em direito e em testemunhas o aval mandamos passar em presente dada com o nosso sinal e selo pendente aos doze do mês de Outubro testemunhas que foram presentes Manuel …… Visitador do senhor bispo escrivão da Câmara que a fiz de mil quinhentos e sessenta e seis anos.

Bispo de Angra

Aval carta se aprovão do escrivão da Alfândega e Almoxarifado desta cidade mandei tresladar da própria carta que fica em poder do dito padre António Neto e vai marcada e sobrescrita por mim na Ponta Delgada a desanove de Novembro de mil quinhentos e sessenta e seis anos.

Licenciado Francisco Leal de Carvalho, que se formou em cânones na Universidade de Coimbra, no ano de 1574, Vigário desta paróquia já em 1580 permanecendo até 1603.

O ouvidor do eclesiástico o Licenciado João Lopes Cardoso, formado em cânones pela Universidade de Coimbra em 1587, a pessoa de mais alto relevo na sociedade no seu tempo, foi nomeado seu vigário em 1603, cargo que exerceu até à sua morte no ano de 1634, assumindo estes dois cargos durante quase todo este tempo, pois foi nomeado ouvidor em 1607, tendo ainda sido prioste geral por provisão prelática, datada em Angra a 21 de Fevereiro de 1606 e capelão de El-rei em 1625 e 1626.

Após a morte do Licenciado João Lopes Cardoso, foi vigário o Licenciado Francisco Fernandes Mesquita, de 1634 e até 1660, tendo El-Rei D. João IV, fixado o mantimento anual em igual montante ao do seu antecessor, em Alvará de 22 de Julho de 1644 desconhecendo-se até quando exerceu o cargo.

Gaspar Gonçalves Simões era cura extravagante entre 1626 e 1644, tendo sido nomeado definitivamente no cargo por provisão de D. João IV de 22 de Abril de 1641, sendo desconhecidas a data da sua entrada. Também pelo ano de 1609 era cura o padre Francisco Gonçalves, clérigo do hábito de São Pedro, nomeado definitivamente em Alvará régio de 18 de Outubro de 1645 e o foi até morrer em 1652, falecendo na casa onde vivia na Relva, foi seu corpo transportado numa carroça para a sua casa nas Feteiras, de onde era natural, sendo sepultado na capela de São Lourenço da Igreja Paroquial de Santa Luzia daquela Freguesia.

Por Alvará de 3 de Novembro de 1645, D. João IV, fixava o mantimento do Tesoureiro Domingos Fernandes de Mesquita, sobrinho do vigário licenciado Francisco Fernandes Mesquita. O vigário José de Castro deve ter sido nomeado por El-Rei no ano de 1667, pois em alvará de 6 de Dezembro deste ano, o mesmo monarca fixou o seu ordenado de mantimento, no mesmo montante que o seu antecessor recebia. O Cura João do Rego que estava nesta paroquial desde o ano de 1695, foi novamente confirmado no cargo por carta do Bispo de Angra de 11 de Julho de 1709, permanecendo nela até falecer em 19 de Dezembro de 1723. Vigário Licenciado Manuel de Sousa Pereira, presbítero do hábito de São Pedro, de 1756 a 1767, nomeado por carta régia de El-Rei D. José de 23 de Março de 1756, tomou posse a 23 de Outubro do mesmo ano.

Carta de Mercê

De sua majestade D. José, nomeando o padre Manuel de Sousa Pereira vigário da Igreja de Nossa Senhora das Neves

Bartolomeu Coelho de Melo, capelão fidalgo da casa de sua majestade promontório apostólico por sua Santidade Deão na Santa Sé do Salvador desta cidade de Angra nela e em todo o seu Bispado, vigário geral no espiritual e temporal, Juiz do Resíduo examinador sinodal pelo Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor D. Frei Valério do Sacramento, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo de Angra e mais ilhas dos Açores e do conselho de sua Majestade Fidelíssima que Deus guarde aos que apresento carta de colação e confirmação, em forma passada virem saúde e paz para sempre em Jesus Cristo Nosso Senhor que de todos é verdadeiro remédio, luz e salvação. Faço saber que por sua petição enviou a dizer ao dito Excelentíssimo e reverendíssimo Sr. o Padre Manuel de Sousa Pereira, vigário da Paroquial de S. Sebastião do Lugar dos Ginetes da Ilha de São Miguel, que sua majestade que Deus guarde fora servido apresenta-lo na igreja de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva da dita Ilha por nomeação e mercê de sua Excelência como constava da carta junto e porque pretendia colar-se na forma costumada. Pedia a sua Excelência Reverendíssima se dignasse admiti-lo a dita colação e mandasse sua carta na forma do estilo e receberia mercê com a qual petição fora apresentada a dita carta que é do teor e forma seguinte.

Dom José por graça de Deus rei de Portugal e dos Algarves daqui e de Alem Mar em África e Senhor da Guiné e da conquista, navegação, comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia etc. Como governador e perpétuo administrador que sou do mestrado, cavalaria e ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Faço saber a vós Reverendíssimo Bispo de Angra do meu conselho por estar vaga a Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva, Ilha de São Miguel desse Bispado por promoção do Padre Pedro Moniz da Costa seu último possuidor e pela boa informação que me destes do Padre Manuel de Sousa Pereira presbítero do hábito de S. Pedro de sua suficiência e vida costumes e nomeação que nele fizestes na forma da faculdade que para semelhantes nomeações vos tenho concedido. Eu por bem e me apraz de o apresentar na dita igreja como com efeito o apresento e ele por apresentado que a servirá como cumpre ao serviço de Deus, bem da mesma igreja e das almas de seus fregueses, e a vós encomendo que nela o confirmeis e lhe passeis vossas letras de confirmação na forma costumada em qual se fará expressa menção de como nela o confirmastes por esta minha apresentação para guarda e conservação do direito da mesma ordem e com a dita igreja haverá o mantimento e salário pró e percalços que lhe pertencerem de que tirará alvará de mantimento pelo conselho de minha fazenda e esta se cumprirá sendo passada pela chancelaria da ordem e se fará por duas vias que só uma terá efeito. Lisboa 7 de Janeiro de 1756 anos “El-Rei” a qual carta era assinada por sua Majestade azo de semelhantes sem duvida alguma e sendo me tudo remetido por despacho de sua Exa. feitas as diligencias do estilo coleis e confirmeis ao dito padre Manuel de Sousa Pereira em perpétuo vigário na Paroquial Igreja de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva Ilha de São Miguel por imposição barrete pus na cabeça de seu procurador e mais actos precisos e necessários e servirá a dita vigararia como cumpre ao serviço de Deus e bem da mesma igreja das almas de seus fregueses e com ela haverá o mantimento e ordenado proes e percalços que lhe pertencera e pelos actos e solenidades de direito o investis na posse real, actual, corporal e pessoal da dita vigaraia que a gozará com todas as proeminências precedências que gozaram os seus antecessores e mando ao Reverendo Prioste geral lhe faça pagamento na forma de seu regimento, e qualquer notário apostólico lhe dê posse da dita vigararia e lhe passe instrumento nas contas desta e modo que faça fé, dada em Angra sob selo de sua Excelência e meu sinal aos vinte e três de Março de mil setecentos e cinquenta e seis anos, o Beneficiado José Coelho da Costa a fez escrever “Lugar do selo” Bartolomeu Coelho de Melo” pagou dois mil seiscentos Alvares” registada” “souto” Carta de colação e informação na propriedade de sua vigararia em a igreja paroquial de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva Ilha de São Miguel a favor do Padre Manuel de Sousa Pereira presbítero do habito S. Pedro “selo e sinal”.

Auto de posse

Saibam quantos este público instrumento de posse virem que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e cinquenta e seis anos, aos catorze dias do mês de Abril do dito ano sendo na Paroquial Igreja de Nossa Senhora das Neves aí pelo reverendo vigário Manuel de Sousa Pereira me foi apresentada esta carta de colação requerendo-me que em virtude dela lhe desse posse da dita igreja na forma que na dita carta se continha a qual carta assistes e com muita obediência li na Capela-mor da dita igreja em presença de algumas pessoas que presentes se achavam e logo pelo dito reverendo empossado foi tomada a dita posse da dita vigararia abrindo e fechando o sacrário e pondo e pondo as mãos sobre a poma e no altar maior pondo as mãos sobre ele e vindo á sacristia pegou nos cálices, ornamentos, missais e mais paramentos dela e depois foi tomar posse da pia baptismal abrindo e fechando-a pondo as mãos e pegando nas embolas como também nos livros que estavam no arquivo da dita igreja abrindo e fechando as portas dela dizendo sempre tomava posse de tudo aquilo em que pegava como vigário e proprietário da dita igreja sem contradição de pessoa alguma, a qual posse tanto quanto de meu oficio o dava e posso fazer-lhe haver por dada na dita igreja por empossado sendo presentes e pelas testemunhas Manuel Machado ourives morador na cidade de Ponta Delgada e o Alferes Alberto Cabral de Vasconcelos morador no dito Lugar da Relva conhecidos de mim tabelião a qual assinarão com dito reverendo empossado, eu Manuel Moniz de Medeiros escrevi lugar do público “Intestimoninto ventatis” Manuel Moniz de Medeiros” Alberto Cabral de Vasconcelos” Manuel Machado” registe-se Ponta Delgada vinte e três de Outubro de mil setecentos e sessenta “Albuquerque” concorda com a própria carta de mercê que eu escrivão abaixo assinado aqui fielmente a fiz traslado da própria que pelo reverendo padre Francisco Nicolau me foi entregue que de como a recebeu assinará com a qual carta corri, conferi fiz escrever e me assinei nesta Alfândega desta cidade de Ponta Delgada aos três dias do mês de Novembro de mil setecentos e sessenta anos.

Entre os anos de 1773 a 1790 esteve esta paróquia sem vigário principal. Tendo o concurso feito pelo Cabido da Sé de Angra do Heroísmo sido anulado pela mesa da Consciência, por os examinadores terem sido sinodais, quando deviam ter sido religiosos por ser igreja privatia de sua majestade.

Manuel José do Rego então vice - vigário foi nomeado vigário por sua majestade em carta de nomeação datada de 9 de Dezembro de 1789, conforme carta de colação na forma e estilo do Bispo de Angra de Maio de 1790. Também o vice - vigário Inácio Caetano Ferreira era nomeado vigário a 24 de Janeiro de 1800, conforme carta de colação de 10 de Maio do mesmo ano. O Vigário André Francisco Pereira Tavares, nomeado pelo Príncipe Regente D. João VI, passada no Rio de Janeiro a 12 de Abril de 1813. Sendo-lhe dada carta de colação em Angra a 25 de Junho de 1814.

Carta de colação do Vigário André Francisco Pereira Tavares

Dom João por graça de Deus Príncipe Regente de Portugal e dos Algarves daqui e de Além Mar em África Senhor da Guiné da Conquista Navegação, Comércio da Etiópia, da Arábia, Pérsia e Índia, do Mestrado, Cavalaria e Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Faço saber a vós Reverendo Bispo eleito de Angra do meu conselho, que atendendo ao que por consulta do meu Tribunal da Mesa da Consciência e Ordens subis à minha Real Presença. Hei por bem e me práz. Apresentar na Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva da Ilha de São Miguel, a André Francisco Pereira Tavares, Presbítero Secular; como com ofício, apresento e hei por apresentado, sem pensão, visto a brevidade do condireiado desta igreja, com a clausula, de que se poderá dividir esta igreja, quando se julgar necessário, sem que ele provido possa impedir na forma determinada na resolução de dez de Agosto de mil setecentos e cinquenta e quatro, e servirá como comvém ao serviço de Deus, e bem das almas de seus fregueses vos encomendo, que se ela o confirmeis, e lhe passeis vossas letras de Confirmação, na forma costumada em que se fará expressa menção, de como nela o confirmastes por esta minha apresentação, para guarda e conservação do direito da dita Ordem, e com a mesma Igreja haverá o mantimento e mais emolumentos e mais percalços, que directamente lhe pertencerem e esta se cumprirá, sendo passada pela Chancelaria da Ordem. Rio de Janeiro 12 de Abril de 1813.

Carta de Nomeação do Padre Dr. Augusto Carlos de Melo

Por carta régia de dezanove de Outubro de 1868 El-Rei D. Luís nomeou o Reverendo. Dr. Augusto Carlos de Mello, licenciado em teologia pela Universidade de Coimbra no ano de 1857, pároco desta igreja.

Carta de Nomeação do Padre Dr. João Rodrigues Ferreira

El Rei D. Carlos I em carta régia de um de Fevereiro de 1893 nomeou o Dr. João Rodrigues Ferreira pároco desta paróquia, tendo este tomado posse a seis de Julho do mesmo ano.

Obrigações do Clero

Vigário

O vigário era obrigado a residir na freguesia, não faltar ao serviço da sua igreja, na administração dos sacramentos aos fregueses, cantar as missas, bem como fazer todo o ministério, que era de sua obrigação, assim apascentando as suas ovelhas e nunca lhe faltando com o alimento espiritual, e não podendo faltar mais tempo do que a lei lhe permitia, isto é não podia exceder os 15 dias. Sempre que houvesse a ausência do vigário, este teria sempre que comunicar ao Vice – Vigário e ao Cura, que se iria ausentar, para que a igreja, não ficasse desprovida do serviço religioso.

Era ele quem tinha primeiro a obrigação de administrar os divinos sacramentos, para o qual tinha de ser muito zeloso, e todas as vezes em que fosse chamado, teria de o fazer com diligência. Nos dias de festa, em que houvesse muita concorrência de fregueses, aos sacramentos, em principal ao da confissão, era seu dever assistir no confessionário. Não cumprindo com estas obrigações, seria multado em $50 reis, se não tivesse como pagar, era privado das horas e missas da manhã, e ainda não podia andar se estola dentro da igreja e fora dela, nem lhe era permitido recusar a confissão a nenhum freguês, salvo por velhice ou doença estremas, nem confessar ninguém na sacristia, apenas outro sacerdote, tendo ainda atenção em castigar quem cometesse pecados públicos, bem como quem fosse supersticioso ou infama ou dissesse que via as almas infamando-as, havia de avisar o ouvidor, para que os castigasse.

Havia ainda de ser bondoso, caridoso e desprovido de qualquer ambição, acompanhar todos os defuntos à sepultura, mesmo os pobres, não deixar que estes fossem enterrados somente pelo padre Cura, nem podia obrigar os familiares dos defuntos a fazerem legados além do que seus bens lhes permitiam. Não devia permitir, que na freguesia se pregasse ou se fizesse procissão à noite, não devia deixar que caso o senhor estivesse fora da igreja depois do anoitecer, alguma mulher o acompanhasse, e proibir que a igreja se abrisse antes de ser manhã, e se fechasse depois do anoitecer. Era obrigado a saber se todos os fregueses, cumpriam com as obrigações da igreja, de ouvir missa e sermões, e condenar aos faltosos como era costume, e informando-se se alguém estava enfermo, para com caridade o visitar e explicar-lhe que como verdadeiro filho de Deus receber a divina Eucaristia. Receber os testamentos dos fregueses, aquando do enterro, para os fazer chegar ao prioste, para este conferir os legados. Supervisionava as eleições para as fábricas da igreja e das confrarias, fazendo que os mordomos da fábrica menor, não se descuidasse de cobrar a esmola, e ainda visionar se os bens das confrarias estavam a ser bem administrados, bem como os prazos das eleições destas irmandades.

Vice-Vigário

Este tinha como obrigação de ajudar em tudo ao vigário, assumindo a responsabilidade da igreja e paróquia sempre que este estivesse ausente, ou quando a freguesia estivesse desprovida deste.

Cura

Era de sua obrigação assistir na igreja com zelo na ajuda ao vigário na administração dos divinos sacramentos, nunca se recusar sempre que fossem chamados, e estar sempre na igreja logo que tocadas as badaladas da manhã, para assistirem no confessionário, só se ausentando para dizer missa ou administrar algum sacramento sob pena de terem de pagar $10 reis à fábrica menor. Também não podiam andar sem estola dentro e fora da igreja, nem confessar fora do confessionário, salvo em raros casos permitidos, sendo punidos com pena de excomunhão maior se não cumprissem. As certidões que eram pedidas pelos fregueses, quer de baptismo, casamento ou óbito, era o padre Cura que as passavam, por não terem muitas ocupações, sendo ainda obrigados a incensar as procissões do Santíssimo Sacramento outras que houvesse o Santo Lenho, junto com outros padres Curas de outras freguesias, e na ausência do padre vigário receber os testamentos dos fregueses, nos mesmos moldes do padre vigário e nunca se ausentar da freguesia sem informar o mesmo.

Tesoureiro

Era de sua obrigação manter os paramentos e mais vasos da igreja com limpeza, tendo-os sempre em resguardo, estendendo-os uma vez por mês ao ar livre, sem lhes deixar a luz do sol tocar-lhes, e sempre que algum estivesse indecente, devia informar o vigário para o substituir. À sua custa mandar lavar toda a roupa da igreja, ariar os castiçais, as galhetas, varrer a capela-mor de oito em oito dias, colocar água benta nas pias, todas as vezes necessárias, e fazer que os altares estivessem sempre limpos, e sempre que dadas as badaladas da manhã, devia mandar acender a lâmpada da capela-mor. Verificar se a lâmpada do Santíssimo Sacramento estava acesa antes de mandar abrir a porta da igreja.

De manhã devia estar sempre na sacristia a preparar e dar guisamento às missas que fossem ditas, e certificando-se que os sacerdotes saiam com paramentos decentes, e nas procissões de Nossa Senhora das Neves, do Santíssimo Sacramento, Acção de graças sempre houvesse todo o clero, levava a cruz, vestido com dalmática, por as velas no altar para as missas, sempre que não fosse festa da responsabilidade da confraria e mandar tanger os sinos.

Fábricas da Igreja

Estas designavam-se por Fábrica maior ou grossa e Fábrica menor

Fábrica maior ou grossa

Existiu desde a criação da Paróquia, o financiamento desta era da responsabilidade de sua majestade desde 1566, recebendo da coroa a partir desta época 4$000 reis. Por Capítulo da visita do Bispo D. Jerónimo Teixeira Cabral e Alvará de 24 de Abril de 1603, foi acrescentado o rendimento anual da fábrica em mais 1$000 reis ficando esta com 5$000 anuais. No ano de 1631 o valor já havia sido aumentado e esta já recebia anualmente a quantia de 8$000 reis, valor que se mantinha ainda em 1830.

De 1842 a 1855, a Junta de Paróquia recebia da Fazenda Pública, a quantia de 46$000 reis por ano para a Fábrica da igreja. Doze anos mais tarde em 1865 esta recebia da mesma Fazenda Pública como verba destinada ao Culto Divino 45$960 reis. Desta forma a coroa dotava a fábrica maior ou grossa, para esta providenciar o que esra de sua responsabilidade: a aquisição de novos sinos quando necessário e a manutenção da capela-mor e sacristia, bem como dos respectivos ornamentos.

Fábrica menor

Desconhecendo-se desde quando começou a existir duas fábricas, esta era financiada pelas esmolas concedidas por cada fogo, de acordo com o estatuto social de cada família e sua condição económica; este financiamento era em cereais para quem os cultivava, dinheiro dos que não o tinham, multas por infracções cometidas por populares, clérigos e os montantes pagos pelas sepulturas eclesiásticas.

Era da responsabilidade desta, a manutenção do corpo da igreja, obras de restauro, as solenidades quaresmais, natalícias e limpeza da igreja. Embora a principal despesa fosse com culto divino, onde por exemplo o sermão da sexta feira santa realizado sempre por franciscanos custava entre 7$000 e os 9$000 reis, enquanto o cântico do sábado da Aleluia se ficava pelos $120 reis, e era que suportava a despesa com papel, tinta e com a água da pia baptismal. Era seu mordomo no ano de 1606 Simão Gomes de Aguiar.

Junta de Paróquia

Com a entrada do regime liberal, e com as suas leis emanadas, foi criada as Juntas de Paróquia, pelo Decreto de 18 de Julho de 1835, regulado pelo artogo nº 54 do Decreto de 6 de Julho de 1835, tendo a primeira Junta de Paróquia de Nossa Senhora das Neves, tomado posse a 13 de Março do referido ano de 1836, esta substitui todos os cargos existentes na freguesia, como por exemplo o juiz do lugar, em seu lugar foi criado o cargo de regedor, ficando todo o poder concentrado neste novo órgão.

Com a tomada de posse da Junta de Paróquia, esta também herdou das antigas fábricas da igreja a quantia de 46$960 reis, e todos os bens das confrarias, ficando estas a prestar-lhe contas e entregando-lhe anualmente todo o dinheiro recebido das esmolas e pensões, dos seus irmãos e confrades. Por sua vez a Junta responsabilizava-se pelo pagamento das obrigações das confrarias em cumprir com as obrigações dos legados pios, dos seus instituidores, embora já não tivessem de prestar contas nos resíduos desde 1832.
Foi esta Junta ao longo dos anos, composta por:

De 13 de Março de 1836 a 28 de Maio de 1837

  • Presidente - José Jacinto Raposo
  • Secretário - Francisco Tavares
  • Vogal
    • Luís Jacinto Barbosa
    • António Ferreira de Benevides
    • Caetano Ferreira da Silva
    • José Maria da Cunha

De 4 de Junho a 3 de Dezembro de 1837

  • Presidente - Joaquim António do Rego
  • Secretário - Francisco Tavares
  • Vogal
    • Francisco Soares do Rego
    • José da Silva Mota
    • Francisco Jacinto de Medeiros
    • Alberto de Oliveira
    • Francisco de Arruda
    • Gaspar José do Rego
    • José Francisco da Cunha
    • António Arruda Cordeiro
    • António José de Almeida

De 3 de Dezembro de 1837 a 28 de Abril de 1838
Presidente - João Raposo Benevides
Secretário – Francisco Tavares
Vogal – José Maria Cunha
“ - Francisco Jacinto de Medeiros
“ - Alberto de Oliveira
“ - José da Silva Mota
“ - Francisco de Arruda
“ - António de Oliveira
“ - António Correia Botelho

De 8 de Dezembro de 1838 a 1 de Novembro de 1839
Presidente – Alberto de Oliveira
Secretário – Francisco Tavares
Vogal - Caetano Ferreira da Silva
“ - João Bernardo da Silva
“ - Francisco Arruda
“ - João Pereira

De 1 de Dezembro de 1839 a 6 de Dezembro de 1840
Presidente – António Ferreira de Benevides
Secretário – Francisco Tavares
Vogal – Felisberto da Silva Lima
“ - João Pereira
“ - Francisco de Arruda
“ - João Bernardo da Silva
“ - António Correia Botelho
“ - António de Almeida Cordeiro
“ - José da Silva Mota

De 28 de Fevereiro de 1841 a 24 de Abril de 1844
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Francisco Tavares a partir de 20 de Outubro de 1842 - Caetano Farreira da Silva
Vogal – João Raposo Benevides
“ - José Maria Cunha

De 2 de Janeiro de 1845 a 4 de Julho de 1847
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – António Ferreira de Benevides
- José Jacinto Raposo
Regedor – João Botelho Neves Raposo a partir de 25 de Novembro de 1846 – Mateus José Pereira

De 4 de Outubro a 24 de Dezembro de 1847
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – João Inácio Silveira
“ e Regedor – Manuel Martins Furtado Alves

De 21 de Janeiro a 25 de Outubro de 1848
Presidente – Vigário André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – Cura, José Ferreira Afonso

De 15 de Novembro de 1848 a 27 de Janeiro de 1851
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – Cura, José Ferreira da Silva
“ - José da Silva Mota
“ - Manuel Francisco de Teves
“ - António Francisco de Teves

De 31 de Julho de 1851 a 11 de Dezembro de 1853
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – Cura, José Ferreira Afonso
“ - José da Silva Mota
“ - João Inácio Silveira
“ - Francisco de Arruda
“ - José Jacinto Raposo

De 3 de Janeiro a 27 de Agosto de 1854
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – João Maria Botelho Neves
“ - António Ferreira de Benevides

De 2 de Janeiro de 1856 a 3 de Julho de 1859
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – José Jacinto Rasposo
“ António Ferreira de Benevides

De 8 de Janeiro de 1860 a 20 de Dezembro de 1861
Presidente – Vigário André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Tesoureiro – Francisco de Arruda
Vogal – Cura, José Ferreira Afonso
Regedor - Alberto de Sousa Rego

De 30 de Dezembro de 1861 a 7 de Dezembro de 1862
Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Regedor e vogal – Francisco Ferreira de Benevides
Vogal - Francisco Ferreira da Silva
“ - António de Medeiros Melo
“ - Francisco Cordeiro de Miranda

De 13 de Janeiro de 1864 a 15 de Outubro de 1865

Presidente – Vigário, André Francisco Pereira Tavares
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – Agnelo Inácio Silveira
“ - Francisco de Arruda
“ - Francisco Cordeiro Lopes
“ - João ferreira de Arruda

De 1 de Janeiro de 1866 a 19 deJaneiro de 1868

Presidente – Cura, António Jacinto Gouveia
Secretário – Caetano Ferreira da Silva
Vogal – João Jacinto Barbosa
“ - Jacinto José Botelho
“ - Francisco Jacinto Ferreira
“ - António Ferreira de Benevides

De 1 de Abril a 10 de Janeiro de 1869
Presidente – Cura, António Jacinto Gouveia
Secretário – Flaminio de Miranda
Vogal – João Jacinto Barbosa
“ - Jacinto José Botelho
“ - Francisco de Arruda Viveiros
Tesoureiro – João Ferreira Arruda

De 21 de Fevereiro a 21 de Novembro de 1869
Presidente – Vigário, Dr. Augusto Carlos de Melo
Secretário – Flaminio de Miranda
Vogal – João Jacinto Barbosa
“ - Jacinto José Botelho
“ - Francisco de Arruda Viveiros
Tesoureiro – João Ferreira Arruda

De 2 de Janeiro de 1870 a 14 deAbril de 1875
Presidente – Vigário, Dr. Augusto Carlos de Melo
Secretário – António Martins Furtado de Medeiros
Vogal – João Jacinto Barbosa
“ - Jacinto José Botelho
“ - Francisco de Arruda Viveiros
“ - António José de Oliveira
Tesoureiro – João Ferreira Arruda
Regedor José Simões de Almeida

De 2 de Agosto de 1875 a 8 de Outubro de 1876
Presidente – Vigário, Dr. Augusto Carlos de Melo
Secretário – António Martins Furtado de Medeiros
Vogal – João Jacinto Barbosa
“ - Jacinto José Botelho
“ - Francisco de Arruda Viveiros
“ - António José de Oliveira
“ - Jacinto Pacheco Almeida
“ - Francisco ferreira da Silva
“ - Francisco Cordeiro Miranda
“ - Francisco Cordeiro de Benevides
“ - Manuel José Tavares
“ - Francisco Jacinto Ferreira
Tesoureiro – João Ferreira Arruda
Regedor António de Medeiros Martins Furtado

De 25 de Agosto de 1878 a 11 de Julho de 1880
Presidente – Manuel José Tavares
Secretário – João da Silva Mota
Vogal – João de Oliveira Moniz
“ - João Moniz Pavão
“ - José de Sousa Melo
“ - João de Sousa Raposo
Tesoureiro – João Ferreira de Arruda
Regedor – José Simões de Almeida

De 2 de Janeiro a 21 de Agosto de 1887
Presidente – António Ferreira de Benevides
Vice – presidente – Padre, Manuel Augusto Pereira
Tesoureiro – João Ferreira de Arruda
Vogal – Manuel de Sousa Silveira
“ - Victorino Joaquim de Almeida
“ - António de Sousa Melo
Regedor – António de Medeiros Alves

De 4 de Setembro de 1887 a 2 de Dezembro de 1888
Presidente – António Ferreira de Benevides
Vice – presidente – Manuel de Sousa Silveira
Vogal – Victorino Joaquim de Almeidas
“ - João de Sousa Raposo
“ - António de Sousa Melo
Tesoureiro – António de Medeiros Furtado

De 2 de Janeiro a 28 de Dezembro de 1889
Presidente – António Ferreira de Benevides
Vice – presidente – Manuel de Sousa Silveira
Vogal – Victorino Joaquim de Almeidas
“ - João de Sousa Raposo
“ - António de Sousa Melo
Tesoureiro – António de Medeiros Furtado

De 2 de Março a 22 de Dezembro de 1890
Presidente – António de Medeiros Martins Furtado
Vice – presidente – Francisco Soares de Sousa
Vogal – Alberto José de Oliveira
“ - João de Sousa Resendes
“ - José Maria Cabral Cordeiro
“ - Manuel José de Oliveira
Tesoureiro – João Ferreira de Benevides Rego
Regedor – José de Medeiros Martins

De 7 de Fevereiro de 1891 a 2 de Janeiro de 1893
Presidente – António de Medeiros Martins Furtado
Vice – presidente – Francisco Soares de Sousa
Secretário – Victorino Joaquim de Almeida
Vogal – Alberto José de Oliveira
“ - João de Sousa Resendes
“ - José Maria Cabral Cordeiro
“ - Manuel José de Oliveira
Tesoureiro – João Ferreira de Benevides Rego
Regedor – José Simões de Almeida

De 12 de Janeiro de 1893 a Dezembro de 1895

  • Presidente – Manuel José da Silva Oliveira
  • Vice – presidente – Mariano José de Oliveira
  • Tesoureiro – João Moniz Pavão
  • Secretário – Cura, José Duarte Nunes
  • Vogal – Alberto José de Oliveira
  • Regedor – José Simões de Almeida

De 1895 a 1908

Não se sabe quem compunha a mesma desde 1895 a 1908, por não haver livro de actas.

De 14 de Dezembro de 1908 a 6 de Novembro de 1910

  • Presidente – Vigário, João Rodrigues Ferreira
  • Secretário vogal – Padre, Menuel de Oliveira Meneses
  • Tesoureiro vogal – João Ferreira da Silva
  • Vogal
    • José António Santo Cristo
    • Serafim da Silva Fidalgo

Comissão Paroquial Republicana

Com a entrada da República a 5 de Outubro de 1910, foi criada provisoriamente a Comissão Paroquial Republicana, sendo transformada no ano seguinte em Comissão Administrativa Paroquial, intitulando-se também de Junta de Paróquia.

De 20 de Novembro de 1910 15 de Dezembro de 1912, constiruiram a Comissão Parquial Republicana, os seguintes membros
Presidente – João Moniz Benevides
Vogal tesoureiro – Jacinto Ferreira da Silva
Vogal secretário – Alfredo de Arruda Cordeiro
Vogal – João Botelho Neves
“ - José de Medeiros Martins
“ - Manuel de Sousa Moniz
Regedor – António de Medeiros Borges Martins

De 25 de Maio a 28 de Novembro de 1913
Presidente – Nicolau Maria da Cunha
Tesoureiro – João Botelho Sousa Neves
Secretário – João Jacinto Barbosa
Vogal – Alfredo de Arruda Cordeiro
“ - Luís José de Melo
“ - João Ferreira da Silva
Regedor – Manuel Raposo Borges

De 2 de Janeiro de 1914 exercendo ainda funções em 26 de Agosto de 1917
Presidente – António de Medeiros Martins Furtado
Vice – presidente – Francisco Soares de Sousa
Secretário – António de Medeiros Borges Martins
Tesoureiro – João Moniz Benevides
Vogal – José de Medeiros Martins
“ - João Ferreira da Silva
“ - Nocolau Maria Cunha

Já na acta de 1 de Julho de 1917, permanecendo a igreja e estado num só organismo, só a partir de 18 de Outubro de 1940, e que se deu a separação oficial com a constituição da nova Fábrica da Igreja Paroquial da Relva.

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