Igreja Matriz de Lordelo

Igreja Matriz de Lordelo
Lordelo

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A antiga Igreja Matriz de Lordelo trata-se de um templo românico, em ruínas, votadas a um total abandono. Fica situada na freguesia de Lordelo, no concelho de Felgueiras.

Restam partes das paredes ao alto, mais a pedra do púlpito, sem o resguardo dessa tribuna, embutida na silharia da nave despida, faltando a capela-mor e a sacristia, desde há longo tempo, do que era a original igreja matriz de São Cristóvão de Lordelo. Do que foi um templo românico, como outros entre os que existiram e os de melhor sorte ainda existentes na região.

Quando se constatou pessoalmente a situação, para não escrever à toa e fazer as fotografias precisas, para artigo publicado no “Semanário de Felgueiras” em Março de 2001, a visão era desoladora. Vendo-se o estado de abandono e ruína ainda não estanque, enquanto pelo chão do corpo da igreja estavam meio soterradas algumas pedras, espalhadas pelo terreno invadido por detritos e vegetação bravia. Contudo aquela construção resistente ao tempo e maus tratos merece perdurar, em testemunho da história antepassada, quão importante monumento que foi e ainda é, mesmo despojado de quase tudo e em avançada destruição, como algo que poucas terras terão e muitas pessoas gostariam de ter na sua freguesia.

A preciosidade daquela antiga construção ressaltava em conter raridade de altar pré-românico (de arte visigótica, da Alta Idade Média), elemento peculiar de que só havia idêntico na Sé Velha de Coimbra. Além de se destacar também por possuir pinturas murais dentro da característica construção silhada em fiadas irregulares, «de uma rusticidade pouco vulgar», incluindo na fachada frontão encimado por sineira primitiva «de um só olhal rematando a empena principal», ostentando no interior cachorros decorados em estilos geométricas e arco triunfal de duas arquivoltas, aberto em ligação a parede revestida por painéis de frescos (pinturas sobre o reboco) com figuras humanas e vegetais, em cujo chanfro arqueado (recorte de semicírculo) se notavam legendas em letra alemã (derivado ao facto da região haver tido povoamento germânico originário de nobres Godos). Ao lado da porta lateral, virada a sul, tinha inscrição gravada em caracteres bem dimensionados da sagração nos inícios do século XIII, embora sendo anterior (como se notava por acrescento do século XII em que foi construído altar românico de argamassa e pedra miúda à volta do primitivo pré-românico, de uma única pedra). Abria em duas entradas constituídas por pilares lisos, sobre os quais assentavam arcos de meio ponto, com tímpanos.

Possuiu Tombo (escritura eclesiástica dos bens e propriedades) de 1509. Em sinal de ter solidez, relativamente a outras similares ou diferenciadas do antigo concelho do Unhão (sabendo-se que houve também igreja românica em Rande, que ruiu e foi substituída por nova no mesmo local, construída desta a capela-mor em 1730 e o resto noutra fase imediata), na antiga de Lordelo esteve temporariamente instalada, de 1785 a 1791, a sede da Misericórdia de Nossa Senhora do Rosário do Unhão, instituição fundada em 1630 (desde cuja data funcionara em edifício anexo à igreja paroquial de São Salvador do Unhão, até que foi adquirido posteriormente o edifício dos Condes, com aquele período de interregno de permeio em que funcionou em Lordelo por então a igreja do Unhão também ameaçar ruína, tendo mesmo se desmoronado a sineira, mais tarde reconstruída mediante transformação em torre).

Derivado à sua localização erma ao tempo, com acessos por carreiros entre campos, a partir de determinada altura a vetusta igreja de Lordelo não teve atenções de conservação, entrando em estado de lastimável abandono. Sendo então substituída nas funções paroquiais pela capela do Espírito Santo, de traça do século XVII, situada junto à principal via da freguesia. Enquanto a primeira matriz (conforme artigo escrito em 1940 pelo Dr. Pedro Vitorino no Boletim da Comissão Provincial de Etnografia e História da Junta do Douro Litoral) esteve destinada a ser alagada, por estranhos planos de acordos, para possibilitar com suas pedras um planeado aumento da idêntica igreja de São Miguel de Lousada, tida como acanhada para a afluência dos fiéis. Contudo essa ideia não chegou a ir totalmente avante, mas manteve-se a precariedade, sobretudo pela falta de cobertura desde 1938, que originou desde logo, pela exposição à chuva, consequente destruição das pinturas murais, «uma da Anunciação e outra de São Sebastião, pelo menos», ao passo que foram destruídas a capela-mor e a sacristia, e lhe foram sendo retiradas mais pedras para outras construções, conquanto que em 1949 (segundo artigo do Dr. Armando de Matos, no mesmo Boletim do Douro Litoral) ainda tinha «de pé as paredes, e demolida, até meio, uma das empenas do presbitério» (como ainda se vê na actualidade), estando porém «absolutamente perdidas» as pinturas, encontrando-se no seu sítio então também ainda o altar primitivo, «dos de tipo de adossar à parede fundeira da abside, com sua característica caixa de relíquia», tal como se podiam ver «os catorze modilhões que suporta(va)m a cornija…».

Não foram então atendidos os apelos públicos manifestados por eminentes arqueólogos como aqueles, dirigidos a quem deveria «velar pelos nossos valores arqueológicos e artísticos», chamando a atenção para «o cuidado de uma protecção necessária e de um restauro generoso», enquanto escapava «à ignorância de uns e indiferença de outros». Assim como o mesmo insólito facto foi reabilitado do esquecimento depois pelo jornalista Felgueirense Manuel Sampaio (saliente publicista autor de artigos de Notas Históricas e Genealógicas Locais), transcrevendo na imprensa concelhia em 1950 tais reparos pertinentes na época, qual alerta sem resultados. Acabando por ficar em ruínas aquela soberba edificação dedicada a São Cristóvão, no lugar do Assento, sendo parte da pedra vendida «com autorização superior» pelo pároco desse tempo (conforme publicação do Dr. José de Barros da Rocha Carneiro in “Monumentos e Obras de Arte de Felgueiras”, editada em 1983), enquanto outra alvenaria serviu para fazer muros do presente adro paroquial, no qual ficaram expostas por perto algumas pedras de antiga lavra.

No decurso dos anos desapareceram mais peças graníticas do velho templo, «selvaticamente demolido» (em parte), salvando-se o altar que foi levado para a igreja substituta, graças «à cultura e bom senso do Padre Jorge Martins» que o guardou na sacristia desta, considerada popularmente igreja pelo inerente desempenho comunitário. Na qual, igreja mais recente, foi colocada a imagem do Orago numa das mísulas do respectivo retábulo em talha barroca de que é detentora – erigida em 1604, essa nova capela, por irmandade de clérigos e leigos, como capela dedicada ao Espírito Santo, mas que desde 1925, aquando da transferência da primazia paroquial, ficou a ter em lugar principal o Padroeiro da paróquia, São Cristóvão. Tendo posteriormente, segundo informação de pessoas conhecedoras da situação, o antigo altar sido colocado como local das leituras na zona da liturgia da igreja-capela, a servir de ambão, dizendo-se que então já encurtado, tal o seu aspecto de tamanho pequeno. Enquanto, da igreja velha foi roubada a pia baptismal, já no início do século XXI, segundo informações provindas de vozes populares.

Passaram muitos anos sobre os vestígios musgosos de história da igreja desactivada, porém não totalmente demolida (contrariamente ao que consta de publicações oficiais, facto que tem induzido em erro alguns estudos). Arruinada na voragem humana dos tempos, permaneceu escondida entre silvados no olvido e sequencial desconhecimento longos anos, até que limpeza do sítio ocorrida em inícios de 2001 (por iniciativa do então pároco, Padre João Baptista, e acção da Comissão Fabriqueira da Paróquia nessa época) pôs a descoberto uma vista nostálgica da genuína igreja de São Cristóvão. De cujos restos ainda poderá fazer-se algo que perdure a sua memória, digna de figurar em verdadeiro roteiro turístico-cultural concelhio, depois de intervencionada e acessível (tendo havido guia de marcha, em 2001, para plano de recuperação de monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa, sem que esta preciosidade fosse incluída…).

Enquanto isso, sobrevivem ao menos notícias escritas dando conta daquele templo românico tão genuíno num dos extremos de Felgueiras, na mais pequena mas das mais aconchegantes freguesias do concelho: Lordelo – freguesia que, ao invés de seu tamanho, é grande e rica em história e valores patrimoniais, apesar de não ter sido preservada a igreja velha. Mas o que ainda se encontra em pé, como os restos da vetusta igreja românica, atesta toda a importância de um longínquo passado.

Bibliografia

Crónica publicada parcialmente no jornal Semanário de Felgueiras, em Março de 2001, da autoria de Armando Pinto; e extensivamente no livro "Remembranças Felgueirenses" (de futura edição, à espera ainda em 2010), do mesmo autor.

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