Joaquim Pinto Ascensão

Joaquim Pinto Ascensão
Loriguenses

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Joaquim Pinto Ascensão (Joaquim “Faztudo”), nasceu em Loriga, a 11 de Outubro 1895.

Joaquim Ascensão, mais conhecido por Joaquim “Faztudo”, nasceu ainda durante a vigência da Monarquia, e assistiu à Implantação da República. Cumpriu o Serviço Militar e já depois de ter cumprido todo o tempo, foi novamente chamado para o Serviço Militar para ir combater para França, na 1ª Grande Guerra Mundial.

Já com dois filhos, que viriam a falecer, com todos os problemas inerentes à sua condição de pai, lá foi ele integrado no contingente português mobilizado para combater em França. Aí, longe dos filhos e da esposa, viveu inúmeras histórias que preencheriam, mais tarde, os imaginários dos seus filhos e de alguns netos.

Eram tempos muito difíceis! Para se perceber o quanto, basta dizer que, desde a Implantação da República, em 1910, até 1928, altura em que Salazar tomou conta da Pasta das Finanças, só em 1913, com Afonso Costa, Portugal teve um Orçamento de Estado equilibrado. Todos os outros foram deficitários. Não são, portanto, de estranhar as dificuldades de sobrevivência para as crianças de tenra idade. A fome, as epidemias, como a do tifo que dizimou Loriga, eram frequentemente referidas pelo “Ti Jaquim Faztudo”, quando fazia a retrospectiva da sua vida atribulada nesses tempos difíceis. Da Guerra tinha imensas recordações. Nem todas boas. Mas, apesar de tantas atribulações, este homem, não praguejava, raramente se irritava e a todos aconselhava paciência e tolerância.

Da Guerra, contava os episódios que mais o marcaram. Um dia, algures em França, o local onde se encontravam começou a ser atacado. Para além dos habituais bombardeamentos com gazes tóxicos, que punham as populações em debandada, nesse dia houve também uma investida da infantaria alemã.
Da farda, fazia parte um capacete a que chamavam “franquelete”: "Foi o franquelete que me salvou a vida", contava.

"Quando começou o ataque soaram as sirenes e um homem com uma bandeira na mão corria no meio da multidão em fuga gritando:
- Salve-se quem puder!
Ao meu lado corriam duas mulheres. Entretanto uma bala atingiu o meu capacete. O franquelete saltou da minha cabeça com o impacto da bala. Corri ainda mais para fugir da confusão. As mulheres que corriam ao meu lado, nunca mais as vi. Acho que ficaram soterradas nos escombros das paredes que desmoronavam. A morte rondava muito perto de mim. Mas, não tinha chegado ainda a minha hora! O Franquelete salvou-me a vida!"

Regressado da Guerra começou a trabalhar na Indústria dominante em Loriga, os Lanifícios. Devido à competência revelada, cedo se tornou Mestre da Secção das Cardas, da Fábrica Leitão & Irmãos. Tanto mais que era uma das poucas pessoas que , naquela altura, lia e escrevia fluentemente, em Loriga.
A sua curiosidade levou-o a estudar, por iniciativa própria, História Universal. Da sua paixão pela leitura, resultou, consequentemente, uma cultura acima da média na Loriga desses tempos. Para alem do mais e, atendendo à sua religiosidade, dedicou-se, também ao estudo da Bíblia, que passou a conhecer com profundidade. Ao ponto de, em certas ocasiões quase substituir o padre. As palestras bíblicas do “ti Jaquim Faztudo” eram célebres. Falava com eloquência dos vários episódios bíblicos do Antigo Testamento. Os netos de quem era padrinho têm, inclusivamente, nomes bíblicos, como Ismael, Raquel… e Joaquim, que, afinal, era pai de Nossa Senhora.
Esta paixão pelo saber foi transmitida aos filhos e aos netos com quem conviveu mais de perto.
À noite, à volta da braseira, nas noites de inverno, a todos deliciava com a sua sapiência. Ainda hoje recordo como prendia as atenções de todos aos contar os episódios mais heróicos da História de Portugal, de uma forma apaixonada. Não era fácil resistir à sua capacidade de argumentação e astúcia quando se discutia algum assunto mais polémico. Sem nunca perder a calma e o bom senso, a sua força estava na capacidade de dialogo.
Ao longo dos anos grangeou o respeito de toda a comunidade loriguense, fruto da inteligência e capacidade de se relacionar com os outros. Nunca se impunha, mas era escutado.
Foram seguramente estas qualidades que lhe permitiram rapidamente liderar a secção onde trabalhava.
Mas… regressado da guerra, com as mazelas inerentes aos gazes e os traumas devido aos constantes bombardeamentos, encontrou em Portugal uma realidade que não era fácil.
Para melhor se perceber os receios que as pessoas tinham, relativamente a essas sequelas da Guerra, deixamos um episódio ilustrativo.
Enquanto o Joaquim estava na guerra, e como haviam morrido os dois filhos, a esposa, Amélia trabalhava como ama de uma criança de famílias mais abastadas. Porém, quando o marido regressou, a criança foi-lhe retirada, de imediato, não fosse ser contagiada por esses males que se diziam contagiosos.
O período da 1ª República foi muito conturbado e os filhos começaram a nascer.
Primeiro o António, em 8 de Setembro de 1920, depois o Carlos em 25 de Dezembro de 1922. Em 1924 nasce a primeira filha, a Laurinda e três anos mais tarde o Fernando, em 1927, já na vigência do Estado Novo. Em 1929, novo filho, o Álvaro. A 25 de Abril de 1931, nasce a Aurora e dois anos depois o Mário, em 1933 e, finalmente, a Maria Emília em 1935. Ainda nasceu um décimo primeiro filho o Zé, que não consegui sobreviver a uma gravidez tardia e problemática da Amélia.
Mas… estava ainda guardada, mais uma fatalidade para este homem, que tudo soube aceitar com uma resignação de fazer inveja. O Mário, com 7 anos, morre num acidente com um camião.
Este homem ultrapassou mais esta provação, transmitindo a todos um exemplo de coragem, incentivando os filhos a serem melhores e a superarem-se a cada dia que passava.
O tempo passava, os filhos cresceram e havia que garantir o seu futuro.
E, em Loriga, esse futuro, passava invariavelmente pela indústria de Lanifícios. O António trabalhava nos lanifícios, tal como o Fernando e, depois o Álvaro. O António e o Álvaro seguiram as pisadas do pai e tornaram-se encarregados das secções onde trabalhavam. Um na Ultimação e o outro na Tesoura.
O Carlos, entretanto, tinha ingressado no Seminário e prosseguia os seus estudos.
A Maria Emília viria a trabalhar, também nos Lanifícios e a Aurora estudou Corte e Costura e foi durante muitos anos a Encarregada da Secção de Corte da Fábrica de Malhas Nunes & Abreu.
Mas…ainda não tinha acabado as fatalidades do “Ti Joaquim Faztudo”.
Por volta do final dos anos 30 foi vítima de um aparatoso acidente de trabalho.
As fábricas, nessa altura, eram movidas a força hidráulica motriz que punha em funcionamento um engenho com rodas mandantes e mandadas, umas grandes, outras pequenas, ligadas por correias.
As uniões das correias eram feitas com grampos uma espécie de agrafos com tamanhos enormes consoante o tamanho das correias.
Ora, um dia ficou preso num desses grampos e a correia levou-o até ao tecto, tendo depois caído no chão, com grande aparato. Foi levado para Coimbra, para o Hospital da Universidade, onde permaneceu durante bastante tempo em coma.
Nos 8 meses que permaneceu no hospital não recebeu visitas. É que ir a Coimbra, nessa altura era mais difícil do que ir ao Brasil nos dias que correm
Mas…ainda não tinha chegado a sua hora e sobreviveu a mais uma das muitas provações que a sua vida lhe reservou.

Continua…

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