Jose Antonio Fernandes Braga

Jose Antonio Fernandes Braga

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JOSÉ ANTONIO FERNANDES LOPES (BRAGA) (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752015000300787)

Tais mudanças favoreceram a emigração dos irmãos Fernandes Lopes pertencentes a uma família de certa condição social, que enfrentou problemas por conta dos conflitos entre os miguelitas e os partidários liberais de D. Pedro IV (Mata; Valério, 1993, p.136-137). A família possuía algumas terras e era conhecida como marchant, pois criava gado para comercializar o leite e a carne e, devido à situação política e econômica, enviaram seus dois filhos com algum recurso para investir.18

José Antonio Fernandes Lopes nasceu na freguesia de São Paio de Merelim em 2 de fevereiro de 1833 e viveu 15 anos no Rio de Janeiro.19 Sua chegada se deu pelos idos de 1850 com a idade de 17 anos, provavelmente com algum capital e tecnologia que proporcionaram as condições de iniciar a pequena unidade e ainda empregando a mão de obra própria. Fez comércio com lojas de fazenda e foi multado por infringir posturas municipais na freguesia do Sacramento.20 Talvez, por conta disto, em fevereiro de 1854 foi preso pela 2ª delegacia “para averiguações”.21 Importou carnes ensacadas e armazenadas em barris, e provavelmente negociou escravos, pois viajou a Campos em 18 de agosto de 1861, no interior da província, pelo vapor Hermes com “6 escravos a entregar”. No mesmo ano, fora para Ubatuba, litoral de São Paulo, comercializar alguma mercadoria, quem sabe também escravos.22

No primeiro dia de 1862 formalizou a sociedade com os irmãos Costa Braga que liquidaram as suas unidades anteriores,23 estabelecendo “fábrica de chapéus da rua de S. Pedro n. 52, sob a razão social Costa, Braga & C., segundo o respectivo contrato registrado no tribunal do comércio”.24 A sociedade entre os três, portanto, foi formalizada por uma fusão quando os negócios prosperaram. Os dados e as informações obtidos se conflitam quanto ao início da fábrica, guardada na memória pelos descendentes.25

Segundo os dados do Relatório da Segunda Exposição Nacional de 1866, a Costa, Braga & C. era a fábrica com o maior número de operários e de chapéus produzidos dentre as demais na corte imperial.26 Suas trajetórias estão entrelaçadas, pois os irmãos Costa Braga eram também da freguesia de São Paio de Merelim e, como conterrâneos, formaram a sociedade até o ano de 1868.27

Antes de retornar em definitivo para sua cidade natal José Antonio viajou para a França em 1863, certamente a negócios. Em 1866 perdeu a filha de um ano de idade, de nome Amélia, por conta de uma “entero-colité”, sepultada no dia 28 de março. Em abril de 1867, partiu para Lisboa e dali para Braga onde viria a falecer no final do ano. Retornou com alguma fortuna acumulada sendo, por isso, chamado debrazileiro.28Foi identificado como negociante e chamado de ilustríssimo nos documentos cartoriais, tendo feito negócios e dívidas. Não sabemos ao certo qual foi o motivo desse retorno precoce, provavelmente nos anos de 1865/1866 por causa da sua saúde, pois há registros sobre a sua enfermidade e o consequente falecimento aos 34 anos.29

Desenvolveu atividades sociais marcantes na cidade de Braga e nas freguesias de São Victor e de Sam Paio de Merelim, onde, junto com outros brazileiroserigiu a torre da igreja, conforme a placa fixada acima da estátua do santo, onde aparece o seu nome e o nome de um dos seus sócios da fábrica no Rio de Janeiro:

Figura 1 Torre da Igreja em Sam Paio de Merelim30

A referência aos nomes relacionados ao Rio de Janeiro demonstra a conexão que havia com a cidade Braga, tanto na vinda como nos retornos numa outra condição de vida superior àquela quando emigraram. O envio de recursos ganhos no Brasil para as famílias bracarenses era algo regular, havendo registros de negociações, procurações, hipotecas, heranças e investimentos presentes nos testamentos e nas escrituras. Além disso, não poucas construções de casas e de igrejas ocorreram com os recursos enviados do Brasil, sendo a arquitetura das casas influenciada pela cultura abrasileirada desses retornados.31

José Antonio integrou a comissão que convocou a população para ummeeting quando se deu uma grande discussão sobre a situação docaminho de ferro do Porto a Braga. As disputas políticas e os interesses econômicos estavam por trás do lobby em torno do projeto que estenderia a linha de trem até Braga. A comissão fora formada por membros do corpo comercial da cidade, como proprietários e industriais, o que indica a sua ascensão social.

O debate reuniu cerca de três mil cidadãos de Braga e paróquias vizinhas, segundo os números do jornal. Na lista dos membros da comissão, José Antonio era o segundo, logo após Manoel Luiz Ferreira Braga, comerciante, diretor do Banco do Minho e presidente da associação comercial. Outros Braga eBahia fizeram parte da reunião/comissão reforçando a suspeita de que os brazileiros retornados alçaram posições de destaque. A comissão permanente nomeada pelo meeting era composta de “respeitáveis capitalistas e proprietários desta cidade”.32

Outra participação sua foi como vice-secretário do Montepio São José que reuniu como associados trabalhadores (artistas), considerada uma instituiçãopobre e incipiente. Esse relato sobre a pobreza do montepio contrastou com os seus primórdios quando mobilizou a cidade, agregou sócios e promoveu apresentações no teatro São Geraldo com a finalidade de arrecadar mais fundos e recursos. O retorno a Braga coincidiu com outro momento financeiro dos Fernandes Lopes, favorecidos pelos recursos enviados do Brasil e pela expansão dos negócios e do comércio de carnes. A nova condição, enfim, representou para José Antonio a conquista de prestígio social, tal como verificamos nas suas inserções em comissões e outras atividades.33

Ele aparece como credor de dívidas, inclusive oriundas do período em que viveu no Brasil, a exemplo de Manuel Joaquim Gomes que falecera no Rio de Janeiro ainda com o pai vivo, Antonio de Jesus. Sua irmã, Theresa Maria de Jesus, representada pelo marido Domingos Antonio Martins, haveria de receber a herança tanto do irmão como do pai que também falecera. Entretanto, havia uma dívida para com José Antonio contraída desde 1864 no Rio de Janeiro, a qual deveria ser paga com parte ou toda a herança, contabilizados os custos dos juros dos anos passados e dos que ainda viriam caso não fosse paga. Os bens da família ficaram hipotecados diante do valor total a ser pago para o “ilustríssimo proprietário e negociante”, o honradoSegundo Outorgante da dívida.34

Mas nem tudo da vida de José Antonio ficou esclarecido, como em toda biografia. Em outro documento cartorial sobre a definição de fronteira do terreno e da casa onde morava, havia a figura da esposa que não levava o seu sobrenome.35 Essa escritura data de 24 de dezembro de 1867, mas em 29 do mesmo mês José Antonio faleceria como solteiro sem constar no registro de sua morte o nome de Donna Maria da Graça Arantes.36 Da mesma forma seu nome não apareceu na sepultura da família no cemitério ao lado da igreja em Sam Paio de Merelim. Tal omissão leva-nos a considerar um relacionamento fora dos padrões morais e religiosos da época.

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