Lavacolhos

Lavacolhos
Fundão



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Lavacolhos é uma freguesia portuguesa do concelho do Fundão, com 19,38 km² de área e 242 habitantes (2001). Densidade: 12,5 hab/km².

Origens

Encravado no meio da montanha, o lugar que hoje se chama Lavacolhos deve ter surgido por volta de 1580 tendo em linha de conta a presença de remotos vestígios arqueológicos. De facto, a documentação mais antiga que encontrámos, foram os Registos Paroquiais de 1649 (na Torre do Tombo) e pelos óbitos neles inscritos, podemos concluir que Lavacolhos já mantinha, nesse tempo, como freguesia de Santo Amaro, uma vida bastante activa onde não faltavam os baptismos de filhos ilegítimos e casamentos com licença papal. Cremos que, cedo, gentes dos lugares vizinhos se tenham aí fixado. Nos referidos registos, verificámos, além da onomástica como Afonso e Rodrigues, de origem visigótica, uma particular devoção a Santo Ildefonso que, não sendo venerado na freguesia, foi no entanto arcebispo de Toledo de 657 a 667.

Toponímia

Nos registos paroquias de 1758, Joaquim Candeias da Silva1 refere que o nome de Lavacolhos,

"não consta de nenhum Tombo, nem de qualquer arrolamento de igrejas dos séculos XIII-XIV, mas isso não significa que o povoado tenha ficado por repovoar. Temos até motivos para crer que cedo o povoado acolheu moradores e se integrou bem nos esquemas vários da região, que aliás devem ter sido a continuação dos alto-medievais, de traçado eventualmente romano."

Não encontramos a etimologia do nome da aldeia mas ele figura no Dicionário de Pinho Leal, de 1874, com a transcrição de Lavacollos / Lavacolhos que, convenhamos, se trata de um sui generis toponímio. Lava, no sentido latino de labes, quer dizer "queda" (como "lava" de vulcão) e Collos (de coliis), significa um "relevo de altitude moderada". Seguimos as investigações do Prof. José Pedro Machado e do Padre Abel Guerra, que refutam a falsa ideia que a origem do nome viria da ideia de "lavar" tendo por base as regras de acentuação e da etimologia e da fonologia. Tendo em conta que se atesta a presença humana desde os tempos imemoriais, é necessário recuar aos tempos da colonização romana e estudar a etimologia latina: levo (levantar), levis (na acepção de suave, belo), collum (colo, pescoço) , collis (colina, outeiro) que passando para o português: Lava collus - Lavacolos - Lavacollos - Lavacolhos, isto é a terra que levanta a cabeça, o que quadra perfeitamente com a posição elevada da aldeia ou da terra "das altas colinas" (480 metros de altitude).

Património

Nas suas ruas estreitas mas limpas e acolhedoras, podem observar-se ainda algumas casas tradicionais. A igreja, no centro da aldeia, reconstruída em 1890, por dez metros de largura por vinte e três de comprimento. A sua orientação Este-Oeste corresponde à orientação ritual consagrada pelos Doutores da Igreja. Fora do templo, mas contíguas ao lado deste, umas escadas de pedra conduzem ao campanário (de dois sinos desiguais, acordados a uma quinta) e à dependência onde está alojado o mecanismo do relógio, de fabrico manual e exclusivo, que bate as meias e as goras no sino maior.

No cimo da colina em que se encontra a aldeia, a Este eleva-se um modesto monumento chamado Alminhas, que tem a data de 1845 mas substitui outro, que se achava, não longe de lá, perto do cemitério que aí existiu, antes de ser levado para junto da capela de São Sebastião e que está hoje instalado no sítio do Torgal. Aparentemente esquecidas, as Alminhas têm ressonância profunda na memória colectiva. Com efeito, umas das Irmandades da paróquia e um dos altares da igreja são também dedicados ás almas.
A norte da povoação ergue-se, como já indicámos, o Cabeço da Argemela. No alto há vestígios de um majestoso castro e a meio da encosta, as ruínas de três muralhas que o circundaram. Elas parecem ter pertencido a fortificações romanas ou lusitanas e são, talvez, testemunho da luta entre eles. Este cabeço, cujo nome é de origem árabe e poderia vir de al djebel (montanha) e as fortificações que se assemelham pela textura aos "limes" romanos e que foram destruídos para a construção de igrejas, provam bem a presença de romanos nestas paragens.

Personalidades ilustres

Digno de referência, destacamos o Padre Joaquim Angélico Guerra , S.J. (1908 - 1993), ordenado sacerdote em Xangai em 1937, expulso da China e radicado em Macau onde desenvolveu a sua actividade sacerdotal mas também intelectual: professor, linguista , ensaísta e escritor. Um dos maiores sinólogos de sempre, autor de um dicionário de Português - Chinês e Chinês - Português, foi condecorado e homenageado pelos governos de Macau e de Portugal.

Cultura

Orago

A paróquia é dedicada a Santo Amaro e a sua festa realiza-se a 15 de Janeiro e percebemos assim, como já vimos, o facto de Ter sido atribuído em tempos, o nome à aldeia. Santo Amaro foi monge beneditino e um dos primeiros discípulos de S. Bento. O papa Gregório Grande fez da Ordem um instrumento de evangelização dos povos pagãos. Santo Amaro é o patrono dos cavaleiros, protector dos que sofrem doenças de pele e dos membros inferiores.

Feiras, Festas e Romarias

Denominação Data Duração Local
Santo Amaro 15 de Janeiro 1 dia (quando não coincide com fim de semana) Rua de Santo Amaro
Divino Espírito Santo 7º Domingo após a Páscoa 2 dias Largo da Capela do Espírito Santo
Senhor da Saúde e Mártir São Sebastião 3º fim de semana do mês de Agosto 3 dias Recinto da Festa do Senhor da Saúde

Estas festas incluem um ritual religioso e pagão.

  • A parte religiosa, inclui a com missa, procissão de andores com os santos venerados na freguesia.
  • O lado pagão é constituído pelo baile, fogo de artifício, venda de ofertas em leilão (quermesse), os petiscos e bebidas mas sobretudo o convívio entre os populares, amigos e visitantes (nomeadamente os habitantes com residência habitual fora da freguesia que aproveitam estas ocasiões para visitar a família e os amigos).

Tradições

Na noite de quinta-feira Santa, por volta da meia-noite, sai da Igreja Matriz uma procissão: Os Penitentes. A iluminação pública é previamente desligada e os participantes vestem um lençol branco, descalços, de rosto encoberto, saem de forma ordeira e sob a vigilância dos guardas (agasalhados e com um varapau para manter a ordem e o silêncio dos espectadores). Cada "Penitente" tem uma função na procissão, havendo um par responsável pela ladainha a que outros devem responder. Esta tradição secular, estudada por antropólogos e descrita em diversa biografia, pretende dramatizar o percurso de Cristo até ao Calvário acompanhado do seu povo sofredor.

Colectividades

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