Morraceiras

Morraceiras
Faro

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As Morraceiras de Faro exerciam uma profissão que terminou há mais de 50 anos devido à evolução das tecnologias surgidas no período do pós guerra.

A população rural nos anos de 1940 a 1955 vivia essencialmente dos produtos que cultivava numa agricultura de sobrevivência em minifúndios, tanto nas áreas de sequeiro como nas irrigadas ou de "regadio". A área de regadio, ou hortas, estendia-se por uma distância de 5 a 7 quilómetros entre o litoral e o interior o que, no concelho de Faro, se verificava até aos limites da Conceição de Faro, Besouro (com algumas hortas em bela Salema) e São João da Venda.

Actualmente muito se fala em biocombustível e agricultura biológica ou orgânica. No princípio da década de 50, os agrotóxicos apareceram para controlar o carocho americano, ou escaravelho da batateira. Falava o povo ter sido importado pelas multinacionais americanas para vender o DDT. A fertilização orgânica em alguns casos era complementada com a adubação química, que se limitava a alguns correctivos de terrenos, designados por "Buano" e "Nitrato de Amónio".

Algumas máquinas eram movidas pela força animal em tarefas como arar e endireitar terrenos , puxar engenhos na tiragem de água para irrigação e no transportes dos produtos. Nos transportes de pessoas notava-se a situação económica dos utentes: os pobres utilizavam burros, os remediados ou classe médias mulas e machos, enquanto os ricos possuíam cavalos. Também no trabalho agrícola eram empregadas vacas geralmente ruivas, porque as brancas e pretas eram leiteiras.

Os agricultores precisavam de alimentar os animais que com eles conviviam e trabalhavam. A fonte de alimentação estava na Ria Formosa, em paralelo com outros produtos alimentares, tais como peixes e mariscos diversos. Na época não tinham ainda acesso às rações ou concentrados para animais, limitando-se ao farelo de trigo, também denominado de sêmea. A Ria em Faro centralizava-se no Canal que vinha da Ilha do Farol até pouco adiante do local onde a Marinha fundeava as canhoneiras Bicuda e Azevia.
Em ambos os lados saíam as denominadas regueiras que se subdividiam em outras mais pequenas, sendo que no movimento das marés cobriam quase a totalidade dos ilhotes e parchais.

Precisamente nesses ilhotes encontravam-se dois grupos de plantas. Uma delas era a morraça de cor verde com folhas agarradas ao caule. Trata-se de uma planta que, pela sua natureza, pode atingir os 50 cm ou mais. No entanto, o seu melhor valor energético e nutritivo atinge-se enquanto a sua altura não subia além dos 25 cm. O seu valor proteico, talvez na média dos 20%, não é tão concentrada como os grãos das plantas milho, ou similares, mas na utilização alimentar das vacas leiteiras aumentava a produção do leite, embora este adquirisse um paladar característico devido à morraça.

O outro grupo era formado por algumas variedades a que geralmente chamavam de "mato". Eram colhidas por uma "ganchorra", um instrumento que tinha um cabo de madeira e terminava com dentes grossos virados para dentro que, passando pelo mato, o quebrava perto da raiz. Esse mato era utilizado nas camas dos animais, poupando a palha e o feno, e se transformava no estrume, o adubo orgânico, que fertilizava as culturas.

Existia ainda outra planta conhecido por "sêba", com folhas compridas e finas, existentes no fundo do Canal e das regueiras maiores. Ao desprenderem-se, juntavam-se nas areias das ilhas e também dos ilhotes. A sua utilização era a de conservar as batatas evitando a traça.

As morraceiras

Geralmente, eram as mulheres dos agricultores que iam apanhar a morraça, usualmente um dia por semana. Os homens também colhiam mas em muito menor percentagem. Elas vinham desde Machados, Bordeira, Alcaria Cova, muitas da Falfosa, descendo outros sítios até ao litoral. Não é exagerado falar em vários milhares que tinham como ponto de partida os moinhos existentes com seus pequenos cais, desde o da Torrinha até ao do Ferradeira depois do Chale das Canas. Embarcavam em lanchas com destino aos ilhotes para apanhar a morraça. Algumas eram profissionais que apanhavam diariamente a planta para a vender a clientes agricultores. Muitos marítimos que na generalidade vendiam o mato e a sêba, também se dedicavam à morraça.

A venda tinha como medida básica a designação de "maré", o que equivalia a uma quantidade média de cerca de 400 litros, pelo preço de vinte escudos, tendo de pagar vinte e cinco tostões ao barqueiro. Na época, o salário agrícola era para as mulheres de doze escudos e dos homens vinte escudos. Naturalmente, muitos marítimos apanhavam o equivalente a três marés ou mais, mas a concorrência não era significativa até que cobravam das Morraceiras a passagem.

A morraça era apanhada em horários de acordo com as marés, antes da água cobrir os ilhotes. Eram denominadas de marés vivas consoante as fases da lua nova e cheia, enquanto nos quartos minguante e crescente eram as marés mortas. Nas marés vivas, o tempo de trabalho era menor e podia terminar antes do meio dia. As plantas encontravam-se mais viçosas e fáceis de ser apanhadas ou ceifadas com uma foice com cerca de 40 cm com uma pequena curva e dava mais produtividade. Depois tinham de lavar as plantas para separar as lamas, o que acontecia num recorte do ilhote. De Inverno, era um trabalho difícil devido ao frio do clima e da água. Toda essa actividade gerava bastante movimento, especialmente visível na Praia dos Estudantes entre os moinhos do Manuel Lázaro e da Francisquinha Grelha, junto ao qual existia um cais privativo da fábrica Fritz para carga e descarga da cortiça por via marítima.

Ainda existem testemunhas desses factos passado, tal como António Encarnação. Outra delas, Jacob Trindade quase nos 90 anos, mora perto do depósito de água na Lejana. Ainda outra é Diogo Encarnação, que terá sido um dos barqueiros das Morraceiras .

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