Noudar

Noudar
Barrancos (freguesia)

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Noudar é uma antiga vila que se situava no actual território da freguesia e concelho de Barrancos.

Em Noudar vamos encontrar as raízes de Barrancos. No entanto, muito pouco se sabe de concreto das suas origens, da sua historia e das suas lendas, ou mesmo dos motivos da desvalorização do burgo até ao esquecimento.

Ocupando uma plataforma xistosa situada entre as ribeiras do Ardila e do Múrtega, a vila de Noudar é definida por um recinto amuralhado com aproximadamente 12000 metros quadrados de área. Assente na coroa rochosa situada a 275 metros acima do nível do mar, quinhentos metros de perímetro delimitam este castelo com um pano de muralha com quase sete metros de altura média.

Com uma ocupação humana desde, pelo menos, o Calcolítico Antigo, parece-nos existirem duas justificações que marcam a longa continuidade de povoamento deste arqueosítio. Uma primeira, ligada à exploração das potencialidades mineralíferas da região de gado, valorizada pela existência de duas linhas de água de importantes recursos, como são o Ardila e o Múrtega, que terminará à volta do século XI/XII, com a construção de uma estrutura militar islâmica. Uma segunda justificação, que terá a sua génese no reinado de D. Dinis em finais do século XIII, parece-nos relacionada com a demarcação da fronteira entre Portugal e o seu reino vizinho.

É neste contexto histórico-arqueológico que Noudar se mantém habitada até meados do século XVIII, altura em que é definitivamente abandonada. Ali ficaram as estruturas arqueológicas de uma fortaleza militar que se vê votada ao esquecimento durante mais centena de anos, só recebendo na década de oitenta as merecidas obras de restauro da sua muralha e do espaço infra-muralhas.

História

A noticia da sua fundação perde-se nos séculos, não só porque Noudar entrou na coroa portuguesa apenas no século XIII, mas também porque o arquivo camarário ardeu duas vezes, quer pelas invasões francesas, quer durante as lutas liberais. Embora escassos os conhecimentos que podem contribuir para determinar com precisão a sua historia, já existem alguns dados que lhe atestam importância demográfica e militar.

Noudar não escapou aos incómodos sofridos pelas regiões fronteiriças ao longo da História da consolidação de Portugal, tanto mais que se encaixa estrategicamente na porção de território bem demarcada do resto do Alentejo pelo rio Guadiana. Foi notório o papel de Noudar após a reconquista cristã. Gonçalo Mendes da Maia terá chegado a região por volta de 1167, fazendo conquista para o reino de Afonso Henriques. No entanto, a localização longe de tudo e de todos não proporcionava a manutenção do território por parte dos portugueses, pelo que voltou a posse dos mouros durante a ofensiva almoada, tendo sido mais tarde reconquistada pelos cristãos de Castela. É sabido que durante a ocupação dos bárbaros os visigodos não alteraram de forma sensível os quadros eclesiásticos surgidos com a decadência do Império Romano. Mas na fase de unificação da Península, feita pela administração visigótica, em que o clero se tornou a classe social dominante, por os seus elementos se considerarem uma elite representante da antiga cultura, procedeu-se a uma organização episcopal de dioceses e paroquias, a qual foi recuperada com a reconquista cristã e em que Noudar pertencia ao Bispado de Badajoz, tal como Moura e Serpa.

As marcas deixadas pelos árabes em mais de dois séculos de ocupação na região natural do Alentejo tem de se reflectir necessariamente na influência sobre a população. Embora o tipo populacional dominante não tenha sofrido modificações, há marcas fundamentais de uma relação de confronto assumida, mais nos aspectos religiosos do que em qualquer outro, uma vez que as suas técnicas agrícolas e muitos dos costumes foram assimilados pelos povos, tal como muitas formas vocabulares que naturalmente passaram a fazer parte da língua portuguesa. Por exemplo, há quem atribua origem árabe ao vocábulo Noudar, tendo surgido na nossa língua por corrupção, sendo designada ao longo dos tempos por Noudar, Noudall, Nodar, Nordal, Nodre ou Nodal. Na região próxima de Amareleja, ainda hoje, é frequente chamar-se Lodre ou Lodres.

Ainda na posse de Castela em 1253, foi mais tarde doada por Afonso X (0 Sabio), com as vilas de Serpa e Moura, a sua filha D. Beatriz, segunda mulher de Afonso III, em 4 de Março de 1283.

Terminadas as guerras e definida a linha de fronteira pelo tratado de Alcailices (1297), o rei D. Dinis devotou-se a revitalização e reorganização das potencialidades do território. Entre outras preocupações, vocacionou-se para o povoamento. Havia que repovoar as terras que, por estarem mais próximas das fronteiras ou nas estradas mais frequentemente seguidas pelas invasões, sofriam prejuízos em tempo de guerra, favorecendo-as com privilégios. Desta forma concede-lhe foral em 16 de Dezembro de 1295. Em 1543 D. Manuel mantém os privilégios, igualmente pela concessão de foral. O rei «Lavrador» procedeu a melhoramentos na fortaleza mandando reconstruir o castelo do qual fez entrega a Ordem Militar de São Bento de Aviz, na pessoa do Mestre D. Frei Lourenço Affonso.

Um outro privilégio consistia em tornar as povoações coutos do reino, quais refúgios de impunidade legal para criminosos. Ali foi fundado um couto de homiziados, na medida em que, por conveniência do poder central , haveria que manter-se naquele local uma povoação, guarnecida de defensores que pudessem opor resistência às eventuais agressões ou invasões de Castela. Noudar parece tratar-se do mais antigo couto de homiziados do reino, sendo assim estabelecido numa carta outorgada por D. Dinis em 16 de Janeiro de 1308. Encontram-se muitas referências a este couto pelos reinados de D. João I, D. Afonso V, D. Manuel l e na regência de D. Pedro.

Dada a sua posição de guarda avançada no território, conheceu por varias vezes a hegemonia de Castela. Em todas as crises e mudanças sociais sofreu influencias de um lado e de outro da actual linha de fronteira. Fixadas as demarcações com Castela, e Noudar fazendo parte integrante de Portugal, em meados do século XIV ali voltou o senhorio castelhano. Em 1372 e devolvida a coroa portuguesa pelo casamento de D. Fernando com Leonor Teles. E no entanto, após a morte do monarca ern 1383, regressou a jurisdição de Castela. Após os acontecimentos de 1383/85, Noudar inclui-se nas terras que tem voz por Castela. No reinado de D. João I a povoação integra-se de novo em território português e o rei, sendo Mestre de Avis, recebe a comenda da praça.

No ultimo quartel do século XV tiveram importância as incursões castelhanas em território português durante o conflito entre D. Afonso V e os Reis Católicos, devido ao problema sucessório do monarca de Castela, Henrique IV. Tendo sido uma questão de carácter politico-militar, ela afectou a raia portuguesa desde Sabugal ate Alcoutim, com particular incidência no Alentejo. Logo na primeira incursão (1475) perdeu-se a praça de Noudar , que por três anos ficou em poder do inimigo, a quem foi comprada e readquirida para o reino de Portugal. A perda deste posto avançado teve muita influencia nas operações seguintes, em que ficaram ameaçadas as terras da margem esquerda do Guadiana e toda a fronteira ao sul.

Como já foi salientado, sempre se verificaram discórdias entre as populações dos termos de Moura, Noudar, Aroche e Encinasola, por causa das comedias (pastagens) do Campo de Gamos, a sul do castelo. Esta fase, a primeira do problema da «contenda», estende-se ate 1542, ano em que o litígio ficou ultrapassado por acordos entre os governos dos dois reinos. Este problema porem não teve entendimento entre os habitantes das povoações interessadas e foi reaberto duzentos e sessenta anos depois, ficando definitivamente resolvido em 1894. Também as acções das Guerras da Restauração foram sentidas na «villa» de Noudar, tanto mais que a sua posição de posto avançado servia de guarda praças para as fortificadas de Serpa, Moura e Mourão. Em 1644 o castelo foi tomado pelo inimigo, que mais tarde o perdeu. Finda a guerra em 1668, a artilharia foi reduzida as guarniçoes das fortalezas. Fica pois no Baixo Alentejo tropa de artilharia em Serpa, em Moura, em Noudar, em Mértola, em Vila Nova de Milfontes, em Sines e provavelmente em Beja. Também durante a Guerra da Sucessão em Espanha, no ano de 1707, as tropas do Duque de Osuna apoderaram-se das praças de Noudar, Moura e Serpa, sendo repelidas destas últimas no ano seguinte. Contudo Noudar conservou- se em poder do rei espanhol ate a assinatura do tratado de Utrecht entre o rei de Castela e D. Joao V, em que as questões relativas a praças e terras conquistadas ou em litigo foram reguladas nos seguintes termos: restituição mutua de todas as praças e terras conquistadas durante a guerra, entregando-se imediatamente a Portugal o Castelo de Noudar com o seu termo.

De resto constata-se que o castelo foi rnuito afectado quer nas Guerra da Restauraçao quer nas lutas da Sucessão, urna vez que as muralhas se encontram muito destruídas do lado de Espanha, a este e sul. Na planta da praça executada por Miguel Luis Jacob é feita referência

«ao reducto projectado para melhor defesa da Praça no padroasto aonde o inimigo na guerra passada elegeu contra a Praça as suas baterias. Este local e o morro fronteiro a sul do castelo e que se chama de São Gens, em posição dominante relativamente aquele e ali se deveria construir o referido «reducto para substituir a praça depois da guerra da Sucessão nos tempos de D. Joao V».

No entanto não foi até agora encontrado outro documento que refira a necessidade da construção daquela obra de fortificação, que nem tão pouco foi iniciada.Certamente que esse projecto foi preconizado face ao evoluir da fortificação militar, uma vez que o projecto apresenta um traçado abaluartado quadrangular, havendo necessidade de ali manter urna posição fortificada permanente com urna guarnição.

A importância de São Gens corno ponto de vigia e de apoio à defesa do Castelo de Noudar e materializada pela existência no local das ruínas de urna ermida de planta circular, que vigiava o território a sul da fortaleza. Merece aqui notar que a igreja católica dedica a Sao Gens a comemoração a 25 de Agosto e que a festa principal que se realiza anualmente em Barrancos coincide com esse dia.

Em 1704 teria ainda urna população de 350 vizinhos, «com belas residências» e Misericórdia, apesar de já em fins do século XVII «ter entrado em franco declínio. Em 1740 a sua população baixara para 200 vizinhos. Um alvará régio de 1774 colectava as Câmaras Municipais a favor da Universidade de Coimbra. Esta colecta que mais tarde foi substituída pelo chamado imposto literário, e «seria um pouco excessiva», relacionava Noudar como vila e julgado pertencente a comarca de Elvas, pagando um contribuição de 780 réis.

Destituído de seus Coros, despojado de tudo quanto lhe dava vida, votado ao abandono, «o Castelo de Noudar e terrenos que lhe pertencem com a superfície de 7370 metros quadrados» foram anunciados para «arrematação em hasta publica perante o Governador Civil do Distrito de Beja no dia 29 de Julho de 1893 ao meio dia, pela quantia de licitação de base de 300 mil reis». No entanto esta arrematação só veio a concretizar-se em 11 de Outubro do mesmo ano, tendo sido comprado por Juan Barroso Dominguez, proprietário em Barrancos, pela importância de trezentos mil e cem réis, após um processo muito moroso, iniciado por seu pai e que envolveu durante quatro anos a burocracia e a intervenção da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra, o Comando Geral de Engenharia em Lisboa, a Comissão de Engenharia em Évora e, logicamente, o Ministério da Fazenda, além do empenhamento do interessado e das influencias de amigos seus «bem colocados» em Lisboa.

Património

Castelo de Noudar

Um decreto de 16 de Junho de 1910 classifica o Castelo de Noudar como monumento nacional. Dos vestígios da vila, e para além dos cerca de 12000 metros quadrados de área amuralhada, registe-se a imponência da Torre de Menagem do castelo, a igreja de Nossa Senhora do Desterro, também chamada de Entre-Ambas-as-Águas, algumas habitações do século XVIII e um conjunto importante de infra-estruturas de apoio às populações da vila: cisternas, poços, e fornos de pão.

Hoje, Noudar é o grande ex-líbris do município de Barrancos, semi-abandonado, de 168 quilómetros quadrados de azinheiras, aqui e ali pontilhada com imponentes "fincas" resquício do sistema económico agrário que marcou a região até ao último quartel do século passado.

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