Parada de Cunhos

Parada de Cunhos
Vila Real

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Parada de Cunhos é uma freguesia portuguesa do concelho de Vila Real, de perfil semi-urbano, com 7,03 km² de área e 1.789 habitantes (2001), situada na margem direita do Rio Corgo. Das 30 freguesias do concelho, é a 19.ª em área, a 10.ª em população residente e a 7.ª em densidade populacional (254,5 hab/km²). É uma das freguesias periurbanas de Vila Real (confronta com a freguesia urbana de São Dinis).

Localidades

Além de Parada de Cunhos, a freguesia inclui no seu território os seguintes lugares:

  • Cabril
  • Fraga
  • Gaias
  • Granja
  • Relvas
  • Ribeira
  • Silvela
  • Telheira

Toponímia

O topónimo Parada, etimologicamente, significa um lugar de paragem com certa importância, num grande caminho antigo, onde os viandantes podiam encontrar repouso e comida. Era ali que se faziam as mudas de cavalos. Parece que Parada e Estalagem são termos sinónimos, porque tinham idêntica finalidade. Situavam-se junto das grandes vias, próximo de cruzamentos importantes ou de pontes, distanciando-se sempre umas das outras entre cinco e dez quilómetros. Parada de Cunhos, como paragem da grande via romano-medieval que unia Lameco a Aquae Flaviae, situava-se entre a Estalagem da Cumieira e Parada de Aguiar; ligava-se à Estalagem da Campeã, na igualmente grande via que unia Portucale a Brigantia, através das duas Estalagens de Mondrões; às regiões de Sabrosa e Alijó, através da Ponte Pedrinha e da Estalagem de São Cibrão; e à região do Douro, através da Estalagem de Abaças.

Parada de Cunhos existe por ser o lugar mais próximo da antiga ponte de Parada, sobre a qual se construíram as duas actuais, e da ponte medieval da Ribeira, ambas situadas no termo da aldeia. Cunho é um grande penedo solitário. Haveria no local vários destes penedos, que justificam o topónimo Parada de Cunhos. De facto a aldeia foi construída sobre grandes lages de granito e a natureza cavou o impressionante fenómeno geológico das escarpas graníticas do rio Corgo. O foral de Codessais, local também situado nas margens do mesmo rio, na freguesia de Vilarinho da Samardã, dado por D. Afonspo III, em Setembro de 1257, chama às margens do Corgo “Corgo horrível”; e o romancista Camilo Castelo Branco referiu-se às margens do Corgo, vizinhas de Parada de Cunhos, como “o belo horrível”.

História

Embora nada se conheça dos tempos pré-históricos e proto-históricos, na freguesia de Parada de Cunhos, a sua situação geográfica no cruzamento de caminhos sem alternativa, e na margem de um lago que existiu a montante da garganta formada pelo Monte da Forca e a Vila Velha, que nesses tempos obstruía a corrente do rio Cabril, fez do local passagem obrigatória e, por isso, disputada pelos homens de todos os tempos.

Ao lado de Parada de Cunhos, há ruínas do castro mineiro da Feiteira, na margem oposta do rio Corgo, no termo do lugar e freguesia de Folhadela, e o castro que existiu na Vila Velha ficava-lhe também em frente, no esporão formado pela confluência do rio Cabril com o rio Corgo. Da Romanização, foi achado um tesouro de denários da República Romana, no Penedo Redondo, por ocasião do rompimento da Estrada Nacional n.º 15, e aparece abundante tegula na aldeia da Granja.

O primeiro documento escrito referente a Parada de Cunhos que se conhece data de 1128, consistindo numa doação de terras feita por D. Teresa à Ordem dos Templários, onde a terra surge referida como «Parade de Coinolos». Alguns autores referem ainda forais datados de 1202 (D. Sancho I) e 1256 (D. Afonso III), mas não é consensual que a Parada a que se referem seja esta. Seja como for, Parada de Cunhos perdeu o seu estatuto com a fundação de Vila Real (4 de Janeiro de 1289), sendo desde logo integrada no seu termo.

Património

A igreja matriz e as capelas públicas da freguesia de Parada de Cunhos são notáveis em arte, que pode ser vista na traça original, pois os seus restauros recentes encontraram estes belos monumentos como foram feitos de origem e conservaram-lhes a beleza primitiva.

Igreja paroquial de Parada de Cunhos

A igreja paroquial de Parada é um templo setecentista, com alguns testemunhos seiscentistas, onde se pode contemplar o mais completo e harmonioso conjunto de escultura e pintura existente na região. O altar-mor e os retábulos laterais da ábside enquadram-se maravilhosamente com a talha do arco-cruzeiro. A pintura dos tectos e da face interior do arco-cruzeiro, ao mesmo tempo sem exageros e com admirável grandiosidade, incutem no observador uma sensação de apoteose artística. Vale a pena entrar neste templo, parar na soleira da porta principal e contemplar o conjunto, no seu esplendor barroco.

Felizmente, sabemos quais foram os artistas que executaram este belo templo e as respectivas datas em que nele trabalharam. O retábulo da capela-mor, “em talha finamente trabalhada”, foi rematado em 13 de Fevereiro de 1753 pelo mestre Manuel Machado, “artista de grande merecimento”, de acordo com os apontamentos feitos pelo mestre Jacinto da Silva, “o grande entalhador bracarense do século XVIII.” Os seis castiçais, com cruz à romana, e e o frontal, que ainda hoje se conservam no altar-mor, são também de Manuel Machado, que se comprometeu a dar por completa toda a obra até ao dia 1 de Novembro de 1753. O estilo do retábulo pertence, pela data em que foi executado, ao rococó, embora tenha algo ainda do estilo joanino. É obra de talha valiosa, quer em si mesma, quer por servir de referência e documentar a intervenção da escola bracarense na região transmontana. O púlpito, o gradeamento do coro e a pia baptismal são obra de João Pinto de Magalhães, carpinteiro vila-realense, que os fez em 1728. A talha dos altares laterais e especialmente a do arco-cruzeiro são do mais belo que em Trás-os-Montes se produziu. “O tecto pintado, em estilo barroco, é magnífico”.

A torre sineira foi construída em 1769 por João Santa e João Dinis, como reza uma lápide nela inscrita em cartela. As imagens são todas originais, e como tais se encontram, com excepção da imagem de Nossa Senhora de Fátima. Todo este recheio artístico se encontrava em estado de degradação em 1989, mas nesse mesmo ano começou a sua total restauração, que se completou nos anos seguintes. Tudo se conservou no seu estado original, com excepção das madeiras do tecto, que foram substituídas por estarem podres, e a pintura foi reconstituída com todos os pormenores.

Capela da Granja

A capela da Granja é dos princípios do século XVII, e tem o retábulo maneirista mais completo de toda a região, com os seus enrolamentos e carrancas de estilo, e dois quadros pintados a representar São Pedro e São Paulo. Tudo se conserva como foi feito de origem, tendo a sua talha dourada sido recentemente desmontada, desinfestada, limpa e fixa.

Capela de Relvas

A capela de Relvas é também dos inícios do século XVII, com um retábulo onde se mistura o estilo renascentista com o maneirista. As duas tábuas pintadas no retábulo e outra suspensa na parede lateral são de merecimento. A talha encontra-se no seu estado original, com excepção do douramento recentemente feito, porque o que antes havia não era de origem e se encontrava em mau estado de conservação.

Capela de São João Baptista

Há na paróquia uma pequena capela cujo orago é São João Baptista. Encontra-se em estado de degradação, mas a Comissão Fabriqueira recentemente eleita está a tratar do seu restauro e do seu enquadramento no espaço envolvente.

Alminhas do Cimo da Recta de Parada

É uma coluna de granito com 1,84 m de altura, onde sobressai um painel de azulejos coloridos, que resumem, por meio de figuras profundamente dramáticas, os problemas da vida e da morte. O conjunto divide-se em quatro planos: No topo, Deus, representado como um ancião encanecido de cabelos e barbas, só visto do peito para cima, de braços abertos, com uma cruz na mão direita, onde uma legenda afirma: "Ou a cruz neste mundo", a contrastar com outra do lado oposto: "ou o inferno no outro". Um olho, no peito, derrama feixes de luz. Por baixo do olho, a legenda: "Deus vê tudo". Do lado direito, considerando o próprio painel, encontra-se uma orelha, entre nuvens, e a legenda: "Deus ouve tudo" Do lado esquerdo, um livro aberto, onde ágil mão escreve, e a legenda, por baixo: "Deus sabe tudo". No topo do painel, a legenda, em arco: "Omnipresença de Deus".

No centro superior, entre os raios de luz vindos do olho de Deus, outra misteriosa mão, que sai de nuvens, suspende uma balança, em cujo prato direito ajoelha uma figura humana, de mãos postas, vestida com túnica branca, voltada para um anjo que lhe mostra uma página sem mancha; por baixo, a legenda: "Um momento". No prato da esquerda, imagina-se (porque as figuras estão totalmente destruídas) que terá existido a figura de um condenado, com o diabo à sua beira, e a legenda: "Uma eternidade". No centro inferior, há cinco painéis ovais: na oval do extremo da esquerda, um casal, vestido à moda oitocentista, deita esmola no chapéu de um velho pedinte, e uma legenda afirma: "Deus vê: As vossas boas acções serão recompensadas". Por baixo da mesma oval: "O homem justo". Na oval do centro da esquerda, mostra-se uma figura humana moribunda, entre dois anjos, a sustentar uma cruz na mão direita, enquanto uma legenda, escrita quase na vertical, diz: "Vem até Deus". Na oval do centro do lado esquerdo, embora as figuras estejam muito estragadas, pode ver-se um condenado preso com correntes, a olhar com terror para um raio que desce acompanhado da legenda: Vai maldito". E, por baixo, entre chamas, figuras demoníacas representadas por cobras e outros animais hediondos e, ainda por baixo desta oval: "Morte do pecador". Na oval da extrema esquerda, também muito destruída, um homem assassina outro homem, e outra legenda previne: "Deus que tudo vê castiga o teu delito". E, por baixo da aval: "O homem pecador". Ao centro, por baixo das quatro ovais referidas neste plano, a última oval mostra as alminhas do Purgatório, algumas metidas em chamas, outras levadas por anjos para serem acolhidas por Nossa Senhora do Carmo, sentada sobre nuvens, com o Menino nos braços, que mostra o escapulário; por baixo, a legenda: "Almas do Purgatório".

Finalmente, no fundo do painel, em cartela horizontal, esta quadra por baixo de uma caveira, que está sobre tíbias cruzadas:

MORTE CERTA E HORA INCERTA
ETERNO GOZO OU PENAR
SÃO O FIM DE CADA UM
QUE NOS CUMPRE MEDITAR.

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