Património de Torrão

Património de Torrão
Torrão

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Na vila de Torrão, concelho de Alcácer do Sal, destacam-se ao nível do património edificado a Anta de São Fausto, a estátua do escritor Bernardim Ribeiro (natural do Torrão), a igreja Matriz, a Igreja de São Francisco, a Capela de São João da Ponte, o povoado calcolítico do monte da Tumba, o obelisco de Algalé, o Palácio dos Viscondes do Torrão, a Igreja de São João dos Azinhais e a Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso, entre outros.

Anta de São Fausto

É um monumento funerário, composto por esteios e uma mesa, onde os mortos eram depositados, acompanhados de ofertas. Diz-se que nesse local apareceu a imagem de São Fausto. Perto da anta, existe uma igreja com o mesmo nome. Isto deve-se à transposição da lapa de São Fausto para a igreja. Trata-se do único exemplar conhecido neste concelho que se mantém intacto.

Igreja de São Fausto

A igreja de São Fausto, antes do nascimento de Cristo, era uma orada que tinha o nome de “Os Aflitos”. Tinha este nome porque, quando havia pragas de mosquitos, as pessoas corriam a esta orada para que fossem salvas. Situada perto da Anta, esta Igreja foi consagrada a São Fausto. Fausto foi morto montado num cavalo em Córdoba. A imagem aparecia na Anta sendo posteriormente lapidada e colocada na Igreja. São Fausto tornou-se o protector deste povoado contra as febres, pragas e pestes.

Igreja de São João dos Azinhais

Quando os romanos estiveram instalados na vila, tinham um templo dedicado a Júpiter, construído em 400 d.C. e permaneceu até 682 d.C. Pelos vestígios que ainda hoje é possível verificar considera-se que templo tenha sido construído no local onde já teria existido um Templo Visigótico. No ano 682 d.C., os romanos mataram, em Espanha, dois irmãos de 11 anos, chamados Justo e Pastor. Este acto fez com que a população se revoltasse e derrubasse o templo. No mesmo local construíram uma orada em honra dos Santos Mártires, Justo e Pastor, nome que permaneceu até ao século XVIII. Esta Igreja foi restaurada e tem hoje o nome de Igreja são João dos Azinhais.

Igreja e Convento de São Francisco

A igreja possui altares de grande beleza e no convento destacam-se os claustros onde estão arquivados alguns exemplares da epigrafia romana. O convento foi fundado no século XVI e entregue à ordem Franciscana.

A Igreja de São Francisco foi vendida em hasta pública a seguir à Inquisição. O seu proprietário, o Sr. José Moniz Pereira, doou-a à Santa Casa da Misericórdia do Torrão para nele ser feito um hospital. Porém, o Pároco Daniel veio para o Torrão em 1956 e propôs uma permuta entre o Palácio dos Viscondes do Torrão, que era património da igreja e o edifício de São Francisco que era património da Santa Casa da Misericórdia. A permuta foi feita em 1959 sendo a mesma registada em acta. Actualmente a Igreja pertence à Igreja Católica e o Convento funciona como IPSS (instituição de solidariedade social)..

Ponte e Calçadinha Romana

Pertencem à cultura romana e datam do século V.

Monte da Tumba

O Monte da Tumba, ou Povoado fortificado do Monte da Tumba, fica situado a cerca de dois quilómetros do Torrão. Trata-se de um povoado da região da Idade da Pedra com aproximadamente cinco mil anos. É um forte calcolítico e está a ser acompanhado pelo IPPAR.
Constitui um povoado fortificado com uma grande muralha a circundá-lo. As casas de pedra apresentam planta circular. Verificam-se vestígios de objectos em sílex, pedra polida e em barro cru. Não está ainda descoberto o poço ou cemitério. Brevemente, vão prosseguir os trabalhos referentes ao povoado pondo o resto a descoberto pois trata-se do forte calcolítico mais antigo da península ibérica.

Antiga Igreja do Carmo

Passou para a Junta como doação em 1280. Em 1938, nesta igreja, foi criada a Casa do Povo do Torrão. Em 1944, o Padre Manuel Diogo Grego ocupou a igreja e, em vez de a colocar ao dispor do culto, arrendou-a à transportadora Alcarense, retirando daí os lucros. O Presidente da Junta da época não concordou e voltou novamente à Freguesia. Esta igreja, que hoje alberga o Pólo de Biblioteca do Torrão, fica colada à sede da junta de freguesia, antigo edifício dos Paços do Concelho.

Igreja Matriz

Foi construída na época Medieval e reconstruída no século XVI, sendo consagrada a nossa Senhora da Assunção, que é a santa padroeira do Torrão. O seu maior ponto de referência é o portal manuelino na sua fachada, encimado pelas Armas Reais. No interior, há três naves com colunas octogonais de mármore, cujos capitéis todos diversos, são do Renascimento. O interior da capela-mor é revestido de policromos silhares de azulejos seiscentistas “de tapete” e há ainda na mesma um esplendoroso altar de talha de estilo nacional. Nas capelas laterais, existem múltiplos retábulos de pintura maneirista e barroca. No interior existem várias sepulturas com inscrições portuguesas. A sua beleza vai ainda para os diversos altares e capelas consagradas à Senhora dos Remédios, Santa Catarina, Capela do Nome de Jesus e Capela das Almas.

Palácio dos Viscondes do Torrão

O Palácio dos Viscondes do Torrão pertenceu aos viscondes do Torrão e aos duques de Aveiro. Teve como primeiros proprietários José Baião Lança Parreira do Sado e D. Catarina que casou com Joaquim Magalhães Mexia Macedo e Serra, senhor da Casa da Lousã. Deste casal nasceu em 1811 o primogénito Jerónimo de Magalhães Baião de Sande Lança Mexia, que foi Primeiro Visconde por decreto em 14 de Setembro de 1855 tendo falecido em 1875.

O palácio foi confiscado e entregue à Igreja a que pertenceu até 1959, altura em que foi feita a permuta com a Igreja de São Francisco e o Palácio, estando registado em acta na Santa Casa da Misericórdia do Torrão. Este palácio é actualmente propriedade da Santa casa da Misericórdia do Torrão e foi recentemente restaurado.

Ermida Nossa Senhora do Bom Sucesso

A ermida foi construída por ordem de D. Manuel I, que era duque de Beja e rei de Portugal, tendo sido aclamado monarca em Alcácer do Sal, daí a ligação ao Torrão. Gostou do sitio e ergueu a Orada sem a galileia nem anexos. Em 1512, D. Manuel veio de Lisboa a Évora e trouxe com ele um dos seis irmãos de Vasco da Gama de nome Sebastião Gama para a inauguração. Ao inaugurar a orada deu novo Foral à Vila do Torrão.

No século. XVIII foram acrescentados os anexos e a galileia tal como está na data da pia baptismal. O telhado foi restaurado em 1959 e o novo restauro e ampliações de anexos em 1999.

A cruz que se encontra na frente do monumento está datada de 1958, mas não é a original. Essa foi construída em 1850. No entanto, foi substituída por outra que veio do Distrito de Beja a cargo do senhor António José Sanona, que a transportou gratuitamente em 1958, daí ficar assinalada a data acima indicada.

Fonte Santa

A fonte Santa é um vestígio da época romana. Tem uma conduta com cem metros.

Cruzeiro ou Obelisco da Algalé

Este Cruzeiro ou Obelisco de Algalé pretende manter a presente lembrança de uma das mais negras páginas da História de Portugal escrita com o sangue da intolerância política: as vítimas do massacre de Algalé. Este episódio foi talvez o mais cruel das Guerras civis Portuguesas do Século XIX.

“Aqui, da tua Pátria os defensores tragaram do martírio inteira taça, a viandante leva as lágrimas e as flores. Lê só, curva o joelho, adora e passa.”

Escreveu António Feliciano Castilho para o monumento à Memória de cerca de uma trintena de presos ali executados, em 4 de Novembro de 1833, na sequência da derrota dos liberais na batalha da Barrosinha em Alcácer do Sal, dois dias antes. O monumento encontra-se na Várzea da Ribeira de Algalé na estrada Torrão - Alcácer ao quilómetro 9, como museu em honra das vítimas da chacina.

Além do epitáfio, estão gravados nas quatro faces da pedra a descrição das circunstâncias em que ocorreu o massacre e os nomes apurados dos mortos. Rezam os primeiros desses dizeres vinte e nove oficiais do Exército da Rainha D. Maria II, sendo prisioneiros pelas tropas do “Usurpador” da Batalha que em Alcácer ocorreu no dia 2 de Novembro de 1933. Esses oficiais foram conduzidos para Campo Maior com 443 seus camaradas também prisioneiros sendo aleivosamente chamados à frente como protesto de mudança de direcção para o caminho de Beja, a fim de se pouparem aos incómodos duma mais extensa jornada. Assim foram neste lugar barbaramente fuzilados por seis soldados, no dia 4 do referido mês e ano. Foi mandada e presidida tão nefanda execução por Diogo José Vieira Noronha, Carregador de Beja pelo Governo da Usurpação e Ignácio dos Montinhos alferes dos realistas pelo mesmo Governo. Diogo de Noronha obedecia à ordem do General José António de Azevedo Lemos, como alegou mais tarde. Os presos eram conduzidos aos quatro para a vala e fuzilados e, enquanto recarregavam as armas, os outros avançavam para a vala.

Verifica-se a identidade de 17 ou 18 das vítimas, mas o sumiço do embutido da gravação não permite distinguir os nomes dos outros. Não se trata naturalmente do único registo do episódio que, não obstante o muito sangue feito correr pelo conflito entre absolutistas e liberais, deu brado ao tempo pela sua cruel dimensão.

Capela de São João da Ponte

Foi mandada construir por Severino José Xavier e outros devotos. É uma construção do século XVI e foi restaurada muito recentemente.

Convento das Freiras

Teve origem num recolhimento para beatas fundado por Brites Pinto em 1560. Em 1599 a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel, transformou-o num convento de freiras, Ordem das Clarissas, consagrando-o a nossa Senhora da Graça. Na época da Inquisição, o Convento foi vendido em hasta pública à família do Sr. António Mendonça, que vendeu a horta ao Sr. Moreira. Perto dos anos 90, o Convento foi vendido ao Sr. Joaquim Pinto e a horta ao Sr. António Maria Farião.

Cruzeiro da Igreja da Misericórdia

O Cruzeiro foi colocado no largo em 1817 onde permanece até aos dias de hoje. Anteriormente este cruzeiro estava situado na frente do edifício da Igreja porem foi necessário proceder à realização de umas obras, nomeadamente avançar com o edifício na frente, pelo que o cruzeiro teve de ser retirado.

Igreja Nossa Senhora da Albergaria

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia do Torrão ou seja Igreja Nossa Senhora da Albergaria, foi mandada construir por D. Margarida de Areda em 1645 e foi restaurada em 1994. D. Margarida de Areda era contra a ideia desta Igreja fazer parte das Misericórdias e devido a isso as obras de construção da Igreja na altura pararam e só foram concluídas em 1636, quando finalmente a Igreja foi englobada nas Misericórdias por ordem do Cardeal D. Henrique.

Esta Igreja possui no seu interior quatro retábulos de Arte Sacra do século XVI, pintados à mão, alusivos à Anunciação, Visitação, Nascimento e Calvário. Pode ainda admirar-se o lindo altar de talha em ouro. O interior possui ainda imagens em madeira maciça referentes à Nossa Senhora da Albergaria, Nossa Senhora de Fátima, São Vicente, Bispo São Agostinho e ainda o Menino Morto feito em marfim.

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