Relva

Relva
Ponta Delgada



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Relva é uma freguesia portuguesa do concelho de Ponta Delgada, distando cerca de cinco quilómetros desta cidade, com 10,98 km² de área e 2.703 habitantes (2001). Densidade: 246,2 hab/km². Localiza-se a uma latitude 37.75 (37°45') norte e a uma longitude 25.71667 (25°'43) oeste, estando a uma altitude de 19 metros. Relva tem uma estrada que liga Mostreiros e Ponta Delgada. A actividade principal é a agricultura. É banhada pelo Oceano Atlântico a sul. Tem montanhas a norte.

História

História da Igreja e paróquia de Nossa Senhora das Neves - Freguesia da Relva

Do século XV ao presente

Subsídios e documentação cronológica para a sua história

Este é um trabalho de homenagem a esta antiquíssima paróquia de Nossa Senhora das Neves e freguesia da Relva

1. Introdução - origens

No início dos descobrimentos marítimos empreendidos pelos portugueses, dinamizados pelo Infante D. Henrique, terceiro filho de El-Rei D. João I, o qual foi sem dúvida o grande impulsionador , embora estivessem a apoiá-lo seu pai, D. Duarte e seu sobrinho D. Afonso V, monarcas de Portugal.
Depois de 1411 os Portugueses movidos pela expansão da fé cristão e continuidade na reconquista, para com esta última alcançar mais benefícios para a nobreza e burguesia. Obtendo o acordo da Igreja, partiram para o Norte de África à conquista de Ceuta em 1415, e lançaram-se em viagens ao arquipélago das Canárias e posteriormente ao da Madeira .
Descobertas ou achadas as ilhas de Porto Santo e da Madeira, no ano de 1419 , seguiu-se poucos anos depois, por volta de 1427 a descoberta ou achamento dos Açores , por Diogo de Silves , ao regressar de uma viagem das Canárias, ou mais propriamente da Madeira, ao tomar o rumo para noroeste, e depois de estar no mar dos Açores, ser-lhe-ia mais fácil regressar a Portugal, devido aos condicionalismos meteorológicos do Oceano Atlântico, onde terá estão acidentalmente achado a Ilha de Santa Maria e possivelmente também a de S. Miguel , ou ainda até ter passado pelas do grupo central .
Com a descoberta das ilhas, dos grupos oriental e central, sete das nove que compõem o arquipélago das Açores , o Infante D. Henrique, obtém licença de D. Afonso V, por carta régia de dois de Julho de 1439, para povoar as sete ilhas dos Açores, nas quais o mesmo já havia mandado lançar gados .
Mas nos primeiros anos do povoamento, iniciado por volta dos de 1439 , nas Ilhas de Santa Maria e S. Miguel, o mesmo não terá tido de início grande sucesso, pelo menos nesta última, pois aquando da compra da capitania dessa Ilha, por Rui Gonçalves da Câmara, se vê na carta da confirmação da mesma compra, passada pela Infanta D. Beatriz a 10 de Março de 1474, na qual se refere que esta Ilha se encontrava muito mal aproveitada e pouco povoada , no que se referia, certamente à sua dimenção, pois já haviam vindo muitos povoadores a habitar nela .
É então, a partir da vinda do Capitão Rui Gonçalves da Câmara, para a Ilha de S. Miguel, que se vai intensificar o processo do povoamento e desenvolvimento da mesma Ilha, que até então estaria muito pouco acentuado .
A partir desta época, assiste-se a uma nova era nessa Ilha, com a chegada de novos povoadores, e estes a povoarem as zonas ainda desabitadas .
Ora as primeiras partes da Ilha, a serem povoadas, aquando da chegada dos primeiros humanos, foi a Povoação e pouco depois Vila Franca do Campo, seguindo-se Ponta Delgada , a segunda viria a atingir um certo grau de desenvolvimento populacional e produtivo, pelo que viria a obter o estatuto de Vila e sede de concelho, talvez por volta de 1472? , ou no ano de 1474, quando a capitania de S. Miguel se separou da de Santa Maria , tornando-se na cabeça e capital de toda a Ilha .
Quando Rui Gonçalves da Câmara, comprou a capitania da Ilha de S. Miguel, no ano de 1474, Ponta Delgada, era já um lugar , e terá então a partir desta data, sofrido um desenvolvimento populacional considerável, é a par deste incremento da população, também em outras zonas da Ilha que se acentua as dadas de terras, em regime de sesmarias .
Com este desenvolvimento, torna-se necessário a criação do cargo de Contador da Fazenda Real para todas as Ilhas dos Açores, embora residindo em S. Miguel , podendo até ter sido criado um pouco antes, como veremos adiante.
Será então nesta conjuntura, ou talvez um pouco antes que terá sido nomeado para o cargo de Contador da Fazenda Real, para todo o arquipélago, Martim Vaz de Bulhão , que exerceu o cargo por mais de cinquenta anos , e em 1526, era Contador nos Açores António Borges , pelo que terá chegado a esta Ilha, entre 1472 e 1475 , e a sua fazenda, seria composta pelas terras que foram dadas no lugar de Ponta Delgada a 16 de Abril de 1472 , outra referência documentada que poderá confirmar a sua presença aqui é o Capítulo do regimento das sesmarias que a Infanta D. Beatriz, enquanto tutora de seu filho D. Diogo o Duque de Viseu, por este ser menor lhe enviou , antes de 1483, ano em que este já era maior , por este regimento ele e o almoxarife deram terras ao Capitão Rui Gonçalves da Câmara, depois deste comprar a capitania da Ilha , e ele mesmo afirmou numa carta enviada ao monarca D. Manuel I, ter sido criado da Infanta D. Beatriz, de seu filho D. Diogo .
Começando o povoamento desta Ilha, por volta do ano de 1439, como já se disse, pelos lugares da Povoação e Vila Franca do Campo e depois em Ponta Delgada , logo nos primeiros tempos a zona que depois se desenvolveria como Relva, terá tido contacto com o homem, pois vinham os moradores de Vila Franca, em barcos, pela costa, e saiam em terra, onde hoje é Santa Clara, e praticavam por esta zona da Relva grandes caçadas de porcos monteses, por haver muitos, onde permaneciam dois ou três dias, enquanto durava a caça, regressando depois a suas casas, bem providos de alimento .
Com a ocupação humana a estender-se até Ponta Delgada, e a fixação nela dos seus primeiros moradores, por volta de 1450 , o espaço que hoje conhecemos por Relva, vai conhecer outra realidade, com os habitantes desta nova localidade a mandarem os moços e pastores, a levar seus gados a pastar à “Relva”, por neste lugar haver boa erva, onde os “mantinham e criavam”, dai provém o nome desta freguesia “Relva” .
Com a chegada do Contador Martim Vaz de Bulhão, e do Capitão Rui Gonçalves da Câmara a Ilha, entrou numa nova fase de povoamento, com muitas terras dadas em regime de sesmaria, o que a Relva, não seria excepção, pois o seu relevo é plano e de fácil acesso, pelo lado de Ponta Delgada , e com uma nascente permanente de água doce junto ao mar , isto para além dos seus terrenos serem bastante férteis.
Com as terras da Ilha a serem dadas, em regime de sesmaria, como já se disse, também o Contador Martim Vaz de Bulhão, que terá chegado entre 1472 e 1475 , obteve uma grande quantidade de terras, da mesma forma atrás referenciada, e estas foram, nesse local, e que constituíam sua fazenda, podendo então se dizer que o povoamento deste local, se terá dado com a ocupação pelo homem do espaço que hoje conhecemos como a freguesia da Relva, com as gentes de Martim Vaz, a habitar nela, e ele próprio aqui fixou sua residência.
Pelo estudo feito sobre o povoamento da Ilha de S. Miguel, se poderá concluir que a zona da Relva, terá sido oficialmente povoada a partir da fixação neste local de Martim Vaz com a sua gente, como já se disse, pelos anos de 1472 a 1475 , embora por essas bandas, já vivessem pastores a guardar o gado dos moradores de Ponta Delgada, em cabanas improvisadas, e que nas últimas duas décadas do século de quatrocentos, já seria uma pequena povoação.
Não seria de se supor que esta entidade oficial, com grandes responsabilidades, pois ele é o responsável pelas finanças régias em todo o arquipélago, tivesse como seu local de residência Vila Franca do Campo, onde se instalara o Almoxarifado, e posteriormente a Alfândega, o certo é que se instalou no lugar conhecido como “Relva”, constituindo nele sua fazenda com as referidas terras que lhe foram dadas e dando início ao seu povoamento, e ele próprio, anos depois terá influenciado a transferência da Alfândega para Ponta Delgada .
Este Martim Vaz de Bulhão, ou simplesmente Martim Vaz generoso homem, nobre, prudente, e grandioso, criado D’el-rei, do hábito de Cristo, escudeiro da Casa Real, o célebre contador e vedor da Real Fazenda em todas as ilhas dos Açores o primeiro a exercer o cargo neste arquipélago – fidalgo de Portugal; que povou a Relva e nela viveu na com a sua gente.
Exercendo estes cargos por mais de cinquenta anos, casou no Castelo de Almourol, com Isabel Botelho, sobrinha de Rui Velho, comendador de Almourol e sobrinho de Frei Gonçalo Velho Cabral primeiro Capitão do Donatário desta ilha , era Isabel Botelho sobrinha em segundo grau de Frei Gonçalo Velho Cabral e neta de Diogo Gonçalves de Travassos e de D. Violante Velho.
Não existe registo de que ainda fosse vivo depois do ano de 1525 e em 1526 era Contador nos Açores António Borges.
Este deveria ter sido pessoa importante, não só pelo cargo que desempenhava, mas igualmente pelo número de terras que aqui possuía, as quais formavam sua Fazenda, que lhe rendia em cada ano mais de 100 moios de trigo, e que lhe haviam sido dadas de sesmaria. Tomando em atenção as datas atrás referidas é muito provável que estas fossem, como já vimos, as que foram doadas no lugar de Ponta Delgada a 16 de Abril de 1472. Terá então se instalado na Relva entre 1472 e 1475 , onde já alguns pastores guardavam gado por nela haver boa erva , onde se vê que já aqui estaria nos citados anos, e permaneceu até à sua morte que ocorreu antes do ano de 1534 .
Repartiu a Fazenda por seus herdeiros, Manuel de Melo casado com Antónia de Bulhão , Maria Travassos casada com Garcia Roiz Camelo , Joana Botelho casada com Simão Roiz Rebelo e Filipa de Melo casada com Bartolomeu Godinho Machado, creado d’ el Rei, cavaleiro fidalgo da Casa Real .
De entre outros que se terão fixado neste lugar no século XV, foram, Diogo Velho, filho de Nuno Velho de Travassos e de Isabel Afonso, neto de Diogo Gonçalves de Travassos e de D. Violante Cabral , sobrinho em segundo grau de Frei Gonçalo Velho Cabral, 1º Capitão Donatário desta Ilha de S. Miguel, primo de Isabel Botelho mulher do Contador Martim Vaz , e sobrinho de Pedro Velho, que fez a ermida dos Remédios na Lagoa , casando na Relva este Diogo Velho com Maria Falcão de nobre geração , esta Maria Falcão depois de viúva voltou a casar na Relva com António Lopes também desta freguesia , era filha de Diogo Preto e de Catarina de Olivença , este Diogo Preto era homem nobre de Vila Franca do Campo, que foi escrivão em toda a ilha de S. Miguel, teve mercê de escudeiro aposentado por carta régia de D. João II de 27 de Julho de 1486 , instituiu um vinculo por testamento feito em 1512 , para seu filho, que também se chamava Diogo Preto, e na falta de descendência deste, para a filha Maria Falcão.
Ainda no testamento de Rui Gonçalves da Câmara, 3º Capitão Donatário da Ilha de S. Miguel, realizado a 21 de Novembro de 1497, em Vila Franca do Campo, este mandou seu testamenteiro dar, cinco moios de cal a Maria Falcão, filha de Diogo Preto, para a ajudar a fazer sua casa , que seria na Relva, onde casou, como já se disse com Diogo Velho e a sua descendência continuou a viver nesta freguesia , juntar-se-iam escravos, criados e outros trabalhadores que a essses ricos e nobres povoadores estivessem ligados.
No princípio da sua história, como lugar povoado, e à semelhança de outros, congéneres da Ilha, esteve sob a jurisdição de Vila Franca do Campo, mesmo após a elevação de Ponta Delgada a Vila no ano de 1499, por el-rei D. Manuel I, esta permaneceu ligada à antiga capital , e como o primeiro alvará havia sido escrito em papel e se rompera, voltou o mesmo monarca a passar outro em pergaminho, aos vinte e oito de Maio de 1507, e aí alargou o seu termo para uma légua ao seu redor, fazendo “o seu limite além da Relva” , ficando a partir desta data em que se verificou o primeiro alargamento do limite do concelho de Ponta Delgada que terá ficado, sob o domínio do novo concelho, e o seu número de moradores, já havia aumentado, por no documento da renovação do foral, não ser feita qualquer referência a outras freguesias, hoje mais próximas de Ponta Delgada, talvez por estas ainda estarem muito pouco povoadas ou ainda desabitadas, e esta já ter um número de residentes considerável para a época .
Contudo, o seu desenvolvimento seria já acentuado no início do século XVI, e terá sido criada a Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Relva, em data anterior ao ano de 1514? No entanto já em 1526, e pelo o Livro do Almoxarife de S. Miguel – 1526 – 1527, pode ser considerada, como uma das mais antigas e principais freguesias micaelenses , as quais nessa época eram “S. Miguel de Vila Franca; S. Sebastião da Vila de Ponta Delgada; Nossa Senhora da Estrela da Vila da Ribeira Grande; Nossa Senhora dos Anjos da Vila de Água de Pau; Santa Cruz da Vila da Lagoa; S. Jorge da Vila do Nordeste; Nossa Senhora das Neves da Relva; Santa Luzia das Feteiras; Santo António; Nossa Senhora da Luz dos Fenais; Bom Jesus de Rabo de Peixe; Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso; Divino Espírito Santo da Maia; Nossa Senhora da Anunciação da Achada e Nossa Senhora da Graça do Faial da Terra” .

2. Apontamento Genealógico de alguns dos povoadores da Relva, da família de Frei Gonçalo Velho Cabral e outros.

Fernão Velho
Maria Álvares Cabral

Frei Gonçalo Velho
Cabral, 1º Capitão D. Violante Velho D. Teresa Velho
das Ilhas de Santa
Maria e de S. Miguel

Martim Gonçalves
de Travassos
Catarina Dias de Melo

Diogo Gonçalves de
Travassos

D. Violante Velho
Diogo Gonçalves de
Travassos

Nuno Velho Pedro Velho Rui Velho de Melo,
Comendador de
Almourol

Nuno Velho
Isabel Afonso

Guiomar Nunes Isabel Nunes Velho Grimaneza Afonso Diogo Velho Duarte Nunes
Velho

Diogo Preto
Catarina de Olivença

Maria Falcão

Diogo Velho
Maria Falcão

Constança Falcão Francisca Velha

António Lopes Rebelo
1.ª ???
2.ª Maria Falcão

Francisco da Luís Lopes Manuel Lopes Isabel Fernandes
Fonseca Rebelo Rebelo

Constança Falcão
Francisco da Fonseca

Manuel da António Lopes Rui da Rui Velho Maria Falcão
Fonseca da Fonseca Fonseca

João Gonçalves
Ferreira
Catarina Afonso

Pedro Gonçalves
Ferreira

Francisca Velho
Pedro Gonçalves Ferreira

João Velho Manuel Ferreira Diogo Velho Leonor Velho
Diogo Gonçalves
Milhafre

Contador Martim Vaz de Bulhão, primeiro povoador da Relva e sua descendência.

Martim Vaz de Bulhão
Isabel Botelho,
sobrinha de Rui Velho

Isabel Manuel de Joana Filipa D. Helena Maria
Melo Botelho de Melo Travassos

Isabel
Francisco Afonso Soares

Manuel de Melo
Antónia de Bulhão

João de Melo Filipa de Melo Isabel de Melo

Joana Botelha
Simão Rodrigues Rebelo

Luís Rebelo António Rebelo

Filipa de Melo
Bartolomeu Godinho Machado

Francisco de Melo Isabel Botelho

D. Helena
1.º Sebastião Barbosa da Silva
2.º João Rodrigues da Câmara

D. Joana

Maria Travassos
Garcia Rodrigues Camelo

Francisco João Botelho Hierónima Isabel Maria
de Melo de Melo de Melo Botelho de Melo

2. 2 Construção e obras de restauro até meados do século XVII

Terá sido então esta igreja de Nossa Senhora das Neves, mandada construir por este Martim Vaz , após aqui ter chegado como já se disse de 1472 a 1475, construção que se terá verificado, entre finais do terceiro ou inicio do último quartel do século XV. Por outra existe ainda referência que esta igreja, foi mandada construir no ano de 1526 por Martim Vaz , mas tendo em conta que o referido Contador aqui viveu mais de 50 anos, e depois do ano de 1525, não há prova de que fosse ainda vivo, sendo substituído por Alvará de EL – Rei de 8 de Julho de 1525 , em 1526, já a paróquia havia sido criada , e era como já se disse Contador nos Açores António Borges , e Martim Vaz era falecido já em 1534 , a pia de agua benta existente neste templo e classificada como obra do último quartel século XV, que fora encontrada enterrada debaixo do soalho, leva-nos a supor que a sua construção se terá verificado entre 1472 e 1480.
Outro registo de que esta igreja já existiria no século de quatrocentos é um casamento realizado na Relva antes do ano de 1500.
Casamento de Diogo Velho, filho de Nuno Velho de Travassos e de Isabel Afonso, neto de Diogo Gonçalves de Travassos e de D. Violante Cabral , sobrinho em segundo grau de Frei Gonçalo Velho Cabral, 1º Capitão Donatário desta Ilha de S. Miguel, primo de Isabel Botelho mulher do Contador Martim Vaz , e sobrinho de Pedro Velho, que fez a ermida dos Remédios na Lagoa , casando na Relva este Diogo Velho com Maria Falcão de nobre geração , esta Maria Falcão depois de viúva voltou a casar na Relva com António Lopes também desta freguesia, era filha de Diogo Preto e de Catarina de Olivença , este Diogo Preto era homem nobre de Vila Franca do Campo, que foi escrivão em toda a ilha de S. Miguel, teve mercê de escudeiro aposentado por carta régia de D. João II de 27 de Julho de 1486 , instituiu um vinculo por testamento feito em 1512 , para seu filho, que também se chamava Diogo Preto, e na falta de descendência deste, para a filha Maria Falcão.
Ainda no testamento de Rui Gonçalves da Câmara, 3º Capitão Donatário da Ilha de S. Miguel, realizado a 21 de Novembro de 1497, em Vila Franca do Campo, este mandou seu testamenteiro dar, cinco moios de cal a Maria Falcão, filha de Diogo Preto, para a ajudar a fazer sua casa , que seria na Relva, pois a sua descendência continuou a viver nesta freguesia , podendo-se concluir que este templo já existiria nos finais do século XV, época em que já se teria realizado o referido casamento de Diogo Velho com Maria Falcão.
Desta forma podemos concluir que esta igreja terá sido no início, um templo particular pertencente ao Contador Martim Vaz, e mais tarde transformada em paróquia que já estava instituída antes de 1526, ano em que ainda é denominada por “Igreja do Contador”.
Na última década do séc. XVI a capela mor e sacristia encontrava-se muito arruinadas e porque a sua manutenção ser de obrigação de sua majestade foram as obras de restauro arrematadas ao empreiteiro Manuel Tavares e por se terem passado mais de 7 anos e estas não se encontrarem concluídas, foi levantado um auto contra este pelo provedor da Fazenda Real nestas ilhas em 16 de Janeiro de 1601.
Ainda na Capela-mor, no ano de 1620 eram concluídas as obras de recuperação da capela-mor desta paroquial que encontrava-se bastante arruinada pelo que foi reparada por Bento Soares mestre de obras de pedreiro morador na Ribeira Grande , na sequencia do auto levantado pelo Licenciado António Ferreira de Bettencourt, provedor da Fazenda se sua majestade nestas ilhas, por este não concluir a mesma que havia arrematado em finais do séc. XVI, sendo a respectiva despesa 8$500 reis Totalmente paga pela Coroa , houve ainda outro conserto na capela-mor no ano de 1631, pelo qual a Fazenda Real pagou 8$000 reis .
Em meados do séc. XVII em 1649 encontrava-se este templo muito danificado, e então os fregueses de Nossa Senhora das Neves da Relva pediram a El - Rei D. João IV 140$000 reis para reparar a igreja.
Por consulta da Mesa da Consciência das três Ordens Militares, e requerimento do Vigário da Ilha de S. Miguel, se mandou ordem ao desembargo do Paço para se lançar finta aos moradores da Relva da dita quantia para se reedificar a igreja em 6 de Novembro de 1649, não se tendo começado a reedificação, por falta de meios financeiros, se arruinou de tal forma que acabou caindo por terra no início do século XVIII, segundo a provisão régia, trasladada adiante.

2.1. Reedificação e obras de restauro desde o início do século XVIII, até ao presente

Tendo o primitivo templo se desmoronado depois do ano de 1703, porque Manuel Alves Simões, em seu testamento aberto a 14 de Outubro de 1703 diz para ser sepultado na Capela de S. Diogo, capela esta que na nova igreja não existe mas em seu lugar o altar da mesma invocação.
Resolvendo-se reedifica-la com esmolas , por volta dos anos de 1730 - 1732 já estavam concluídas metade das obras, então o seu Vigário, o Licenciado Leandro de Sousa Vasconcelos, informava sua Majestade de que por esta ser grande e muitos dos seus fregueses serem pobres a não a podiam acabar, pedindo-lhe que a finalizasse. O que veio a acontecer por provisão régia de El-Rei D. João V de 18 de Agosto deste mesmo ano mandando o provedor da Real Fazenda nas ilhas dos Açores arrematar as restantes obras e serem pagas pela Alfândega de Ponta Delgada, cujo o ultimo pagamento ao pedreiro se verificou no ano de 1743, ao carpinteiro em 1748, e o douramento da capela mor e o forramento do arco triunfal da mesma pago em 1758, é desta época, primeira metade do século XVIII a bela talha da Capela-mor, em barroco nacional, bem como os altares da Capela do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora do Rosário, os pilares das naves que dividem a igreja, o fontanário da sacristia e o tecto em madeira com frescos pintados nas abobadas do corpo da igreja, que foi encontrado coberto por outro falso, aquando da restauração do telhado nos anos de 1986 a 1987, tendo ainda existido outro pintado em gesso posterior a este, de finais do séc. XIX, que foi retirado em 1950 por se encontrar em estado de ruína e irrecuperável e o belo arcaz existente na sacristia que terá sido pago pela Fazenda Real no ano de 1725.
No quadro seguinte podemos observar os montantes dispendidos em diversos anos pela Fazenda Real para se concluírem as obras de reedificação desta igreja, embora já as da Capela-mor e Sacristia, fossem pagos pela Coroa antes da provisão régia de 18 de Agosto de 1732, por estes serem espaços da responsabilidade da Casa real.

Tabela 1
Ano de pagamento Trabalho executado Montante
1712 Concerto de ornamentos 106$665
1716 Capela-mor entalhador 933$332
1725 Capela-mor e sacristia 466$544
1735 Capela-mor entalhador 2:400$000
1743 Pedreiro 2:400$000
1748 Carpinteiro 1:345$000
1758 Forramento do arco da Capela-mor 53$000
1758 Pintura da Capela-mor 99$000
1758 Douramento da Capela-mor 299$000
Total 8:102$541

Tendo custado à Fazenda Real o total de 8:102$541 reis, quantia bastante elevada, o que demonstra a importância desta igreja naquela época.

O concerto dos ornamentos foi feito por Josefh de Sousa Azevedo em 1712, a talha da capela-mor construída durante 19 anos de 1716 a 1735, executada por Luís Rodrigues oficial entalhador, sendo pintada e dourada, bem como o forramento do respectivo arco por Miguel de Benevides no ano de 1758, a obra de carpintaria por Francisco Pereira Bettencourt paga em 18 de Julho de 1748 e a de pedreiro, por Simão da Costa, concluída em 1743 e paga a 17 de Agosto de 1748, sob observância do provedor da Fazenda Dr. António Lopes de Oliveira de 5 de Dezembro de 1743.
Também António do Rego Baldaia, natural da Relva residente em Minas Novas no Brasil, no seu testamento realizado a 28 de Dezembro de 1737, e aberto a 6 de Março de 1740, ordenava seu testamenteiro que enviasse para as obras desta Matriz (sic) 50$000 reis.
Como data da finalização das obras de reedificação, pode-se apontar para o ano de 1748, porque apenas o forramento do arco triunfal da capela-mor, pintura e douramento da mesma foram executados depois desta data e pagos em 1758, sendo então um templo da primeira metade do século XVIII.

2. 2. Provisão de sua Majestade que Deus guarde para se haver de fazer a igreja de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva

“Marquês de Alegrete dos conselhos do estado e guerra de El-Rei Nosso Senhor, gentil homem de sua Câmara e vedor de sua Fazenda etc. Faço saber a vós Provedor da Fazenda das Ilhas dos Açores, que no conselho da Fazenda de Sua Majestade representou por sua petição o Padre Leandro de Sousa Vasconcelos, vigário da Igreja de Nossa Senhora das Neves do Lugar da Relva da Ilha de S. Miguel, que por ser a dita igreja muito antiga se arruinara de sorte que caíra por terra, e que resolvendo-se a reedifica-la se lhe dera princípio e se achava feito metade dela e a não podiam acabar, por aquela obra ser muito grande, por cujas razões, pediam a Sua Majestade em Lançar da mesma Senhora, fosse servido mandar-lhe acabar a dita igreja em consideração do que e demais que representou da informação que destes e da que deu o escrivão da Fazenda da Repartição de que dêem de tudo nesta ao Provedor da Fazenda de Sua Majestade vos informando que mandeis fazer para esta obra apontamentos a ser e lhes mandeis por em pregão e a arremateis sem haver lanços, procurando e fazendo toda a diligência para que os processos não sejam izurbitantes mas sim convenientes evitando os dolos e conluios que costumam haver nas ditas arrematações, fazendo-se delas escrituras e obrigando-se nelas os mestres das ditas obras a fazerem-nas com toda a segurança na forma de suas arrematações e condições que lhe forem impostas, mas com declaração que não o fazendo assim as tornarão a fazer de novo à sua custa. A que mandeis continuar com as ditas obras e a sua importância mandareis pagar pelos sobejos da feitoria da Alfândega da dita Ilha de S. Miguel conforme as obras que fizerem, dando os ditos mestres fianças seguras e abonadas, as quantias que forem recebendo para as ditas obras de cujos pagamentos se porão verbas nas escrituras algumas e nas notas donde a lançarão nos termos das arrematações referidas de certo que fique sempre a Fazenda Real com segurança e conste a todo o tempo das quantias que receberam e esta se passem por duas vias das quais esta é a primeira e só uma haverá efeito. Xavier Leite de Faria a fez em Lisboa Ocidental aos dezoito de Agosto de mil setecentos e trinta e dois anos Francisco Rebelo de Figueiredo a fez escrever “Marquês de Alegrete Primeira Via” por despacho do conselho da Fazenda de Sua Majestade em os 18 de Agosto de 1732 anos “gratis” e não continha nem mais nem menos a dita provisão do conselho da Fazenda aqui e bem fielmente trasladada, como no primeiro se contém a que me reporto que ter mais a entregar ao Reverendo Vigário Bartolomeu Godinho (de Vasconcelos) que de como a recebeu aqui assinará cervi e conferi com o escrivão companheiro que abaixo será seu concerto nesta digo por comissão do Juiz Contador, nesta Ponta Delgada aos 28 de Fevereiro de 1733 anos.
Com a nova lei decretada pelo regime constitucional, deixou de se enterrar os mortos nas igrejas. Tendo o cemitério desta freguesia sido criado a 19 de Fevereiro de 1833 , onze anos mais tarde em 1844, era decidido pela Junta de Paróquia assoalhar a igreja, tendo sido pago pela mesma no ano de 1845, 11$020 reis a Manuel Simões de Almeida e 24$000 reis a Alberto de Oliveira e António de Oliveira, pelo respectivo soalho.
Outras obras importantes de melhoramentos tiveram lugar no ano de 1847, primeira o lajeamento do resto do adro, pelo custo de 146$160 reis, construção de novos degraus junto ao frontispício principal, por 10$805 reis, nova porta do sacrário executada por mestre Luís Duarte pelo preço de 14$400 reis, dourada por José Soares de Meneses por 11$480 reis.
Outras decisões de relevo foram tomadas em 1848: tais como apear e reconstruir parte das paredes do arquivo que se encontravam quase em ruínas, por 42$160 reis restaurar as grades dos púlpitos por se encontrarem muito danificadas, na importância de 42$000 reis mais 52$200 reis pela pintura e douramento das mesmas e caiar pela primeira vez os pilares das naves que dividem a igreja.
Pelo ano de 1853 foi erigido um novo coro e guarda-vento, visto os antigos terem sido começados na altura da recontrução deste templo e nunca acabados , na importância de 299$900 reis obra a cargo de António Pimentel, nesta altura só havia a porta do centro no frontispício principal, neste ano foi ainda feito um manto novo para a imagem de Nossa Senhora das Neves na quantia de 22$450 reis .
O altar que se encontrava no lado sul da igreja, debaixo do coro foi deslocado no ano de 1862, por sugestão do então vigário André Francisco Pereira Tavares visto este não ter estética e ser alvo de criticas de pessoas da Relva e de outros lugares quando vinham a esta igreja.
O frontispício principal, foi alvo de importantes obras por volta do ano de 1884 ao nível dos portais, das quais provem a alteração do pórtico principal e a abertura dos portais que o ladeiam, tendo as mesmas importado: barro 9$000 reis, transporte 2$880 reis, pedra e verga de pedra 21$960 reis, madeira 30$805 reis, ferragem 32$280 reis e mão-de-obra 110$285 reis . Ainda neste ano eram efectuadas grandes obras de melhoramento na sacristia e restauro do tecto e telhado do corpo da igreja, com as quais se despenderam: pedra 26$060 reis, barrotes ripas e madeiras 70$840 reis, pedreiro 125$365 reis, carpintaria 97$995 reis e transportes 11$380 reis , para o tecto e telhado pregos parafusos e tintas 54$210 reis, cinco quilos de verde inglês e dois litros de óleo 2$440 reis, pintor 27$580 reis, oito moios de cal para o tecto 46$400 reis, dez pranchões do norte quatro com noventa e seis pés 220$000 reis e 6 de cento e sessenta e um pés 360$000 reis, reparação do forro 240$400 reis, quatro mil e cinquenta telhas e sessenta e oito telhões 31$735 reis e mão de obra pedreiro 122$440 reis, também o soalho da Capela-mor era alvo de obras em 1886, e para as quais foram gastos em madeira 31$735 reis e 1$440 reis em transporte e em 1887 foram concluídas as obras de beneficiação da sacristia e arquivo, e construção de uma grade para a Capela do Santíssimo Sacramento e douramento da mesma, por 251$140 reis , tendo custado na totalidade 1.928$370 reis, para as quais contribuiram a Junta da Bula da Santa Cruzada, com 70$000 reis , o Governo de sua Majestade com 625$000 reis , o Senhor Conde da Praia e Monforte com 60$000 reis e a Junta de Paróquia com o restante.
Encontrando-se a Capela do Baptistério em estado decadente foi a mesma restaurada, bem como a reparação do sino grande, isto em 1891.
No ano de 1914, efectuou-se uma pequena reparação do altar do Senhor Bom Jesus (hoje de São José), pela importância de 20$95 escudos em madeira e 39$00 escudos de mão de obra, em 1918 restaurou-se o do Sagrado Coração de Jesus, na quantia de 52$96,5 escudos e em 1927, também o de Santo Antão e S. Cristovão era alvo de um grande restauro, pelo custo de 1.200$00 escudos .
Por designação Papal 1950 foi o ano santo, e foi de facto um ano santo, para a vida económica desta paróquia: Encontrando-se o edifício da igreja em deplorável estado, desde o soalho do chão até ao tecto, ameaçando ruína, começaram grandes obras de restauração, unicamente pelos esforços dos paroquianos unidos em volta do seu pároco .
O tecto interiormente, foi inteiramente entabulado, e o forro por baixo do telhado também em parte reparado conforme a necessidade e também os ferros esticadores das naves que se encontravam deteriorados. Foram iniciadas as obras a 10 de Abril deste ano .
No ano seguinte foi o soalho da igreja totalmente restaurado. Mereceu menção dois subsídios importantes de duas pessoas estranhas à freguesia, depois de reiterados pedidos: madeiras na importância de três mil escudos ofertados pelo Dr. Ernesto Hintze Ribeiro; e madeiras na importância de dois mil e quinhentos escudos por D. Isabel Maria de Andrade Albuquerque.
Durante três anos foram liquidadas inteiramente estas dívidas que se podem calcular num mínimo de cinquenta mil escudos.
No final do ano de 1956 iniciou-se a pintura e douramento da magnífica capela de Nossa Senhora das Neves, camarim, janelas, cornijas e arco, que se completou nos princípios do ano seguinte; tendo custado a quantia de cinquenta e dois contos novecentos e cinquenta escudos.
No mês de Março de 1958 começou o douramento dos restantes altares desta igreja e o andor de Nossa Senhora das Neves que se completou a meados de Setembro do mesmo, custando a quantia oitenta e cinco contos quatrocentos e oitenta escudos exceptuando-se o altar de Santa Filomena (hoje altar de S. José) que foi a expensas do Sr. Francisco Medeiros Brilhante.
Com a chegada da electricidade à Relva em 1972, foi feita a instalação eléctrica na igreja comprados os lustres que mereceu a orientação da comissão de arte sacra de então .
Ao entrar na década de 1980 foram efectuadas outras grandes obras de restauro, então sob a égide do padre João Luciano do Couto Rodrigues.
-1980, restauro completo do tecto e respectiva pintura da capela – mor, tecto e chão da sacristia.
-1982, reboco exterior de todas as paredes da igreja.
-1986 – 1987, substituição de todo o telhado da igreja, e do tecto branco do interior por madeira por ser mais original e de acordo com o estilo da igreja, (foi nesta obra de restauro que foi encontrado nas abóbadas do corpo da igreja o tecto do séc. XVIII, pintado a madeira completamente danificado e irrecuperável) picagem e restauração dos pilares das naves e demais pedra no seu interior, substituição do coro e guarda – vento, reparação das portadas deste e da grade do baptistério e colocação de soalho novo no chão, tendo estas ultimas custado cerca de vinte mil contos, não se contabilizando a madeira que foi toda oferecida e os canteiros do restauro da pedra relevada que eram funcionários do Governo Regional dos Açores.
Recentemente mais propriamente no ano de 1997, beneficiou este templo com uma soberba bancada de acordo com a sua traça, oferta dos emigrantes desta freguesia radicados nos Estados Unidos da América, Canadá e Império da Festa, neste mesmo ano foi totalmente restaurada a pedra lavrada do frontispício principal e a pedra do arco da capela mor que se encontrava coberto por madeira foi o mesmo descoberta e restaurada.
No dia 20 de Junho de 2004, foi reaberta a Capela do Santíssimo Sacramento, depois de um demorado e artístico trabalho de restauro, efectuado pela equipa de artistas da firma “Ouro Brunido” de Lisboa, na qual se integra um conterrâneo desta ilha o senhor João Maria Simas, ainda a 20 de Dezembro do mesmo ano, foi recolocado na capela-mor o antigo altar da missa e respectivo frontal, por recomendação do Dr. António Oliveira, Director do Museu Carlos Machado, por ser uma peça com marco estético no estilo da mesma capela, tendo sido reconstruído pelo paroquiano Manuel Carvalho Oliveira.

3. Capelas

3. 1. Capela de Nossa Senhora das Neves (Capela-mor)

É a capela mais antiga deste templo, existindo desde a sua fundação, sendo alvo de restauros em finais do século XVI e inicio do XVII, e ainda no ano de 1620.
Nela se sepultavam os padres vigários desta paróquia quando faleciam ainda ao seu serviço, excepto se a sua vontade era serem sepultados noutro local da igreja com o padre Manuel de Sousa Pereira falecido no ano de 1767, que quis ser enterrado à entrada da porta travessa junto à pia de Água Benta , nesta também se sepultou João Gonçalves da Rocha, de alcunha o cerne, escudeiro da Casa Real falecido a 19 de Junho de 1572.
O Contador Martim Vaz, fundador desta igreja também terá sido enterrado nela, por volta do ano de 1525, desde o qual não existe registo de que fosse ainda vivo.
Durante a reedificação do templo na primeira metade do século XVIII, foi a mesma contemplada com um belo retábulo de talha em barroco nacional, construído entre 1716 e 1735 , paga pela Fazenda Real e que hoje é um dos excelíbris deste templo.

3. 2. Capela do Santíssimo Sacramento

Não existe qualquer registo desta capela no antigo templo, porém na actual igreja está esta situada ao fundo da nave norte, com uma bela talha da primeira metade de setecentos e um artístico portal bem como a pintura do tecto do século XIX.

3. 3. Capela de S. Diogo

A Capela de S. Diogo foi mandada consruir por Diogo Gonçalves Milhafre, em finais do século XVI ou início do XVII , era este casado com Leonor Velho, filha de Francisca Velho e de Pedro Gonçalves Ferreira, neta de Diogo Velho e de Maria Falcão e bisneta de Nuno Velho Travassos e de Isabel Afonso, e de Diogo Preto e de Catarina de Olivença, Trisneta de Diogo Gonçalves Travassos e de D. Violante Velho.
Por o seu construtor não ter filhos, a sua administração passou para o seu sobrinho Gaspar Gonçalves Simões casado com Maria Álvares, e depois para o filho destes Ascêncio Gonçalves, casado com Isabel Cordeiro, e pela moete deste, o filho João Moreira, que no ano de 1703 era seu administrador e deu autorização a seu tio Manuel Álvares Simões marido de Águeda do Rego Baldaia para se enterrarem nela, tendo ela sido sepultada na mesma ainda no século XVII, e eram pais do padre João do Rego Baldaia.
Não se conhece a data em que faleceu Diogo Gonçalves Milhafre, e sua mulher Leonor Velho, tendo sido antes do ano de 1619, também anterior a esta data, é a construção desta capela.
Com a ruína da primitiva Igreja no início do século XVIII, e após a reedificação deixou esta de existir e em seu lugar no novo templo passou a existir o altar de S. Diogo com talha da segunda metade do século XVIII, tendo hoje a invocação do Sagrado Coração de Jesus.

3. 5. Capela de Nossa Senhora do Rosário

A Capela de Nossa Senhora do Rosário, aparece no Óbito de Mariana Falcão, mulher do Alferes Tomé de Sousa Pereira a 14 de Dezembro de 1722, como sendo propriedade desta, desconhecendo-se como terá sido implantada, nesta igreja, nem qual terá sido o seu futuro, actualmente existe o belo altar da mesma invocação supõe-se que terá sido transforma no respectivo altar, aquando das obras de ampliação da sacristia durante a segunda metade do século XIX.

4. Altares

É importante salientar que depois da reconstrução se mantiveram as mesmas invocações do antigo templo, ou sejam os Altares de Nossa Senhora do Rosário, Santo Antão e São Cristóvão, Benditas Almas do Purgatório, S. José (antigo do Senhor Bom Jesus) e Sagrado Coração de Jesus (antigo de São Diogo).

4. 1. Altar de São Cristóvão

O altar de invocação de S. Cristóvão, foi mandado fazer por João Gonçalves da Rocha, o Cerne, de alcunha, escudeiro da Casa Real casado com Guiomar Roiz de Sousa, moradores na Relva, em seu testamento de 19 de Setembro de 1568, aberto a 19 de Junho de 1572, diz ainda que o mesmo seria no lado sul da igreja e que o custo do retábulo com a imagem do referido santo não devia ultrapassar os 6$000 reis . Era da responsabilidade de quem administrava o legado que se compunha de missa e a manutenção do respectivo altar, como aconteceu no ano de 1687, sendo Manuel de Sousa Rocha, seu administrador foi notificado para lhe fazer o reparo dos frontais e toalhas, como a terra se encontrava arrendada, pagaram seus rendeiros, 8$500 reis da despesa, sendo ainda reparado pelos administradores no ano de 1768, pintado e dourado pelos administrantes da instituição deste legado no ano de 1830 .

5. Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves

Esta igreja era denominada de Matriz, como se pode ver nos seguintes documentos:
No legado pio de Maria Álvares e Gaspar Gonçalves Simões no ano de 1674 , onde está registado que a missa perpétua havia sido rezada na Capela de S. Diogo da matriz da Relva.
Nos termos de óbitos assentados pelo Vigário José de Castro dos anos de 1673 – 1695, é sempre registada esta Igreja Paroquial como Matriz de Nossa Senhora das Neves (sic).
É ainda referenciada como Matriz, (sic.) no testamento de António do Rego Baldaia feito em Minas Novas, no Brasil aos 28 dias do mês de Dezembro de 1737, na doação de 50$000 reis para as obras da Matriz de Nossa Senhora das Neves, decorria então a sua reedificação.

6. Criação da Paróquia e Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Relva

Como consta também do outro artigo, não se sabe ao certo a data, da criação da Paróquia e Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Relva, sendo uma das mais antigas da ilha de S. Miguel, pode-se no entanto admitir que teria sido antes do ano de 1514? Porque a Confraria do Santíssimo Sacramento no seu início pertenceu à Ordem de Cristo , ordem à qual esteve sob jurisdição espiritual as ilhas dos Açores até à criação da Diocese do Funchal a 12 de Junho do referido ano , com a instituição do Bispado Madeirense ficaram estas ilhas sujeitas à nova diocese.
Já no ano de 1526, no livro do Almoxarife de S. Miguel onde estão registadas as ordinárias pagas pela Fazenda Real nessa ilha do ano de 1526, está registado (A f. 22 vº) “A Álvaro Annes, Capelão de Nossa Senhora das Neves, (Relva)” , (A f. 47 “Nossa Senhora das Neves (Relva) das Terras do Contador” – o pagamento da congrua a Alvares Anes capelão de Nossa Senhora das Neves (Relva), com a congrua de 7$000 reis mas que recebeu 2$500 reis porque começou a servir do primeiro dia de Setembro do ano de 1526 , (A f. 13), estão mencionadas as ordinárias novas para o dito ano de 1526, não fazendo referência à de Nossa Senhora das Neves, pelo que se entende que esta já existia (A f. 55 vº) no recibo “Igreja do Contador desconhecendo-se qual terá sido o antecessor ou antecessores de Álvaro Annes, (neste tempo os diversos párocos desta ilha eram conhecidos pelos títulos de Curas ou Capelães, excepto o Vila Franca que tinha o de Vigário).
No tempo do ouvidor Marcos de Sampaio nos anos de 1526 e 1527, em que se enumeram as quinze freguesias que apenas existiam em S. Miguel está Nossa Senhora das Neves da Relva e Alvares Anes (segundo Gaspar Frutuoso) como primeiro padre que houve nesta igreja e freguesia com a congrua de 7$000 reis e que ainda estava nos anos de 1526 e 1527, levando-nos a supor que a sua colocação aqui foi anterior a esta data. Por outra este não terá sido o primeiro, pois o autor das Saudades da Terra não terá sabido se qual o padre ou padres que terão servido nesta paróquia, nem o seu nome , como em outras igrejas em que este historiador também não refere os primeiros vigários, e mesmo nesta igreja em época contemporânea ao Dr. Frutuoso, este não lhe fez referência ao oitavo e nono vigários.
Desta forma podemos concluir que esta igreja terá sido no inicio, um templo particular, pertencente ao Contador Martim Vaz, e só mais tarde transformada em paróquia, que já estava instituída antes do ano de 1526, e que teria havido nela sacerdotes a título privado, que celebravam missa e ministravam os sacramentos à família do referido Contador e aos demais habitantes da Relva, antes da sua instituição como paróquia e freguesia.

7. Curatos

7. 1. Curato de Nossa Senhora da Saúde

No ano de 1719 era criado o curato na ermida de Nossa Senhora da Saúde, Arrifes e nomeado o seu primeiro cura, que embora o Alvará da sua criação o refira como da paróquia de S. José de Ponta Delgada, o certo é que ficou sufragâneo desta paroquial até ao ano de 1833 em que foi elevado a paróquia, ficando a ermida de Nossa Senhora da Ajuda, sufragânea da mesma, até 1845.

7. 2. Curato de Nossa Senhora da Ajuda

A 17 de Junho de 1847 era criado o Curato de Nossa Senhora da Ajuda na Covoada, com cura de almas que ficou sob a sua jurisdição até 1958, ano em que foi elevado a paróquia.

14. Confrarias

Como em todas as demais localidades antigas, também a Relva não fugiu à regra generalizada, erigindo várias irmandades na sua Igreja Paroquial, com os nomes das evocações dos altares da mesma igreja, ou ainda de ermidas; neste caso Nossa Senhora da Aflição.
Consultando-se o arquivo da Igreja de Nossa Senhora das Neves, e vária documentação manuscrita depositada na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, encontram-se vários registos referentes à existência de algumas Confrarias nesta freguesia.
O registo mais antigo deverá pertencer à Confraria do Santíssimo Sacramento, já que esta no seu início pertenceu à Ordem de Cristo, e que terá sido fundada antes do ano de 1514 , porque os Açores estiveram espiritualmente sob a jurisdição desta ordem, até à criação da diocese do Funchal a 12 de Junho do referido ano.
Já em 1568 , para além desta, já existiam as Confrarias de Nossa Senhora das Neves, e a do Nome de deus ou de Jesus . Em 1569, também já estava fundada a dos Fieis de Deus , no ano de 1660 também já se constituíra a de Santo Antão e nos finais do século XVII, encontram-se a do Nome de deus ou de Jesus e a dos Fieis de Deus já com os nomes de Confrarias do Senhor Bom Jesus e das Almas, e ainda a de Nossa Senhora do Rosário.
A função que estas irmandades tinham na comunidade para além de terem a seu cargo a manutenção dos respectivos altares e a realização das festas dos seus Santos Patronos, também exprimiam a vivência colectiva da fé e fortaleciam o catolicismo, mantendo alguma autonomia face à hierarquia eclesiástica.
Era ainda da sua responsabilidade e dever, acompanhar à sepultura todos os seus irmãos e confrades, com as suas respectivas cruzes, mandar dizer por sua alma as missas de sufrágio, como mandavam seus estatutos e de acordo com o estipulado nos legados pios perpétuos sempre que estes os eram deixados sempre fiscalizados pela Provedoria dos Resíduos, entidade à qual eram obrigadas a prestar as contas referentes a estes legados.
A administração destas era composta por um número reduzido de irmãos, aos quais se chamavam mesários, um auto sistema de gestão, sempre vigiado pela hierarquia da Igreja. Compunha-se de um provedor, responsável pela presidência confraternal, um escrivão e um tesoureiro.
Estas irmandades eram compostas por todos os grupos sociais, já que para o acesso era apenas de requisitos morais e económicos pouco exigentes.
As suas receitas provinham das pensões, esmolas e do rendimento das propriedades que lhes eram deixadas como legados pios, pelos seus irmãos, confrades ou outros.
Com a laicização da sociedade a partir de finais do século XVIII, estas foram perdendo importância durante ao longo do seguinte, ficando no final deste completamente inactivas, estado em que se encontram actualmente.

14. 1. Confraria do Santíssimo Sacramento

Esta deve ser a Confraria mais antiga desta paróquia, já que esta no seu início pertenceu à Ordem de Cristo, e que terá sido fundada antes do ano de 1514 , porque os Açores estiveram espiritualmente sob a jurisdição desta ordem, até à criação da diocese do Funchal a 12 de Junho do referido ano.

Alguns dos mais importantes legados pios e esmolas deixados à Confraria do Santíssimo Sacramento.

Simão Rodrigues Rebelo, sobre uma porção de 21 alqueires de terra que possuía, deixou dois alqueires desta propriedade a João Rodrigues, com encargo de um tostão ou $100 reis (sic) anuais de foro, enquanto o mundo durar , não se conhece a data deste testamento mas supõe-se que terá sido realizado durante a primeira metade do século XVI.
Francisco de Melo, neto do Contador Martim Vaz, filho de Filipa de Melo, filha do mesmo Contador, fez seu testamento a 24 de Fevereiro de 1557, no qual deixou um moio de trigo, para com o seu produto ajudar a fazer uma Poma de prata para o Santíssimo Sacramento, desta Igreja de Nossa Senhora das Neves, por a respectiva confraria ser muito pobre, e não ter meios para o efeito.
O escudeiro João Gonçalves da Rocha, deixou a esta confraria, no seu testamento realizado a 19 de Setembro de 1568, dez cruzados ou 1$000 reis, anuais, os quais pagaria sua mulher Guiomar Roiz de Sousa enquanto viva .
No ano seguinte de 1569, Jorge Afonso, faz seu testamento na sua casa dos campinos, limite da freguesia da Relva, no qual deixa, $200 reis perpétuos à Confraria do Santíssimo .
Miguel Gil, lavrador e sua mulher Catarina Simões, fizeram o seu testamento a 20 de Junho de 1598 e de sua terça em um moio de terra no Pico da Amêmdoa deixaram de foro perpétuo dois tostões a esta confraria.
Ao entrar no século XVII, João Francisco fez seu testamento a 12 de Dezembro de 1600, e no qual deixou de esmola um tostão a esta confraria.
No testamento de Miguel Gonçalves, feito a 30 de Junho de 1601, este deixou de esmola a esta confraria 1 cruzado.
Diogo Gonçalves Milhafre, casado com Leonor Velho, em seu testamento realizado antes do ano de 1619, deixou-lhe 1 cruzado ou $400 reis, de foro sobre uma propriedade sua .
A esta confraria, deixou em seu testamento Dmingos Afonso Moniz, realizado a 4 de Setembro de 1621 $100 reis .
No testamento de Maria Malheiro, feito a 16 de Janeiro de 1629, esta deixou-lhe de esmola 3 tostões .
Maria Álvares, no seu testamento feito a 22 de Outubro de 1637, aprovado a 19 de Dezembro, falecendo a no dia 21 do mesmo mês dia de S. Tomé, deixou de esmola a esta confraria 6 alqueires de trigo.
António Gonçalves Neto e sua mulher Catarina Sardinha, em testamento feito a 25 de Novembro de 1641, todas as cruzes das confrarias os acompanharem. À do Santíssimo Sacramento1$000 reis, $500 reis por cada testador.
A 22 de Janeiro de 1660, Simão Velho Cabral fez seu testamento, que foi aprovado a 24 do mesmo mês, e no qual instituiu como legado perpétuo um foro de 1 tostão, sobre o assento onde vivia numa casa à beira mar na Relva.
Maria de Aguiar, mulher de Manuel Cordeiro, herdeira de uma casa de Maria Luís, mulher de Amaro Dias (falecida em casa de Manuel Cordeiro deixando-lhe todos os eus bens) falecida a 16 de Março de 1660 e deixara como legado perpétuo o foro de 200$000 reis ou dois tostões sobre essa casa sita à Rua da Guiné à mesma Confraria , ficando a pagar o mesmo Manuel Cordeiro após a morte de sua mulher a dita Maria de Aguiar.
Em 18 de Janeiro de 1665, Cecília Rodrigues Ferreira, fazia seu testamento, e neste deixou, $100 reis de foro prepétuo, a esta confraria sobre uma casa, sita na Relva, junto à Grota do Contador.
No ano de 1667, Ascêncio Gonçalves, no seu testamento feito a , deixou-lhe um foro de que era possuidor que constava de dois cruzados e uma galinha e lhe pagavam os herdeiros de Manuel Ferreira Escórcio, e mais dez alqueires de trigo, por esta lhe acompanhar à sepultura.
Domingos Martins Margaça, fez seu testamento em 5 de Julho de 1667, no qual deixou a esta confraria, meio quarto de vinho de foro a rectro de cinco mil reis, que lhe pagava Domingos de Sousa, com o encargo de uma missa perpetua a cada um ano .
Em testamento feito a 3 de Agosto de 1673, Pedro Afonso de Aguiar, deixou-lhe de esmola um alqueire de trigo .
Isabel Ferreira, falecendo moça solteira em 24 de Março de 1675, deixou de legado perpétuo à Confraria do Santíssimo Sacramento 1 cruzado a cada um ano, o qual pagava António Simões, sobre os assentos das casas em que morava abaixo do adro desta Matriz, (sic.).
No mesmo ano, outro legado era deixado à mesma Confraria por Manuel Pavão, falecido a 7 de Maio do mesmo ano, que era um quarteiro de trigo (quinze alqueires) anual enquanto o mundo durar, sobre um serrado de 14 ou alqueires de terra sita à Grota da Figueira, que havia comprado a Amaro de Sousa.
No dia 7 de Abril de 1681, falecia Isabel Cordeira mulher de Ascêncio Gonçalves, deixando 10 mil reis à Confraria do Santíssimo.
No seu testamento de 15 de Junho 1695, o Vigário José de Castro deixou dito que seria sepultado na capela-mor desta igreja e deixando – lhe de esmola 8 mil reis e vários castiçais à Confraria do Santíssimo Sacramento ficando como seu testamenteiro o tesoureiro desta paroquial o Padre Manuel Matos da Silva.
Falecendo Manuel Alves Sapateiro a 11 de Janeiro de 1698, deixou um moio de trigo e 50 mil reis à Confraria do Santíssimo Sacramento , sendo sepultado da grade para cima junto ao altar de S. Cristóvão.
No seu testamento aberto a 16 de Outubro de 1703, Manuel Alves Simões, e deixou dito no mesmo que seus filhos darão 3 arrateis de cera à Confraria do Santíssimo Sacramento para a 5ª Feira Santa do ano Seguinte.
O Padre Manuel Jorge de Sousa, que havia sido cura nesta paróquia, em seu testamento feito a 11 de Julho de 1737, deixou à confraria do Santíssimo Sacramento 3$000 reis, para o vigário e respectivos mordomos mandarem fazer um vaso purificatório de prata.
António do Rego Baldaia em seu testamento feito a os 28 dias do mês de Dezembro de 1737, em Minas Novas no Brasil onde residia, deixou 20$000 reis à Confraria do Santíssimo Sacramento.
Francisco da Rocha Teive e sua mulher Catarina Ferreira, em seu testamento de 2 de Abril de 1748, deixava de seus bens, uma casa com uma quarta de terra sita à Rua do Mulato nesta freguesia à Confraria do Santíssimo Sacramento.
Legado Pio de João do Rego Baldaia à Confraria do Santíssimo Sacramento

João do Rego Baldaia, natural da Relva mas residente em Lisboa em 1750, instituiu um Legado Pio à Confraria do Santíssimo Sacramento, por carta que enviou a seu irmão Manuel Alves do Rego morador em Ponta Delgada, na qual doou seiscentos oitenta mil e duzentos reis, para se adquirirem várias propriedades para a dita Confraria. Do rendimento das mesmas se dizer uma capela de missas rezadas às quintas-feiras de cada semana no Altar do Santíssimo e com o restante se dar o azeite para alumiar o mesmo Senhor.

Com este legado foram adquiridas para a respectiva Confraria as seguintes propriedades:

- À Confraria das Almas da Paróquia de S. José de Ponta Delgada seis alqueires de terra, uma mata de fajãs e baldios na Candelária, pela quantia de cento e noventa e cinco mil reis em escritura de 12 de Novembro de 1750.
- A João de Macedo Botelho, sua mulher D. Ana Honorina de Vasconcelos e seu irmão e cunhado o Reverendo Padre Pedro Botelho de Sampaio 2 alqueires de terra lavradia sita na freguesia dos Mosteiros por trinta mil reis, em escritura de 23 de Janeiro de 1751.
- A Manuel Oliveira Ramalho e sua mulher Maria Ferreira, moradores nas Feteiras casa com uma quarta de terra sita junto à Igreja Paroquial de Santa Luzia na mesma freguesia das Feteiras, pela quantia de seis mil e quatrocentos reis em escritura de 16 de Julho de 1751.
- Por arrematação a José da Costa Araújo, seu irmão António da Costa Araújo e sua irmã Vitoria da Assunção moradores na Bretanha meio moio de terra lavradia e matas sita à Lomba do Carvalho da mesma freguesia da Bretanha por duzentos e cinquenta mil reis em escritura de 14 de Março de 1752.
- A Maria de Pimentel viúva de Miguel Gomes e a seus filhos menores Francisco Luís José e Inácio moradores nas Feteiras cinco alqueires de terra na mesma freguesia das Feteiras por cinco mil reis em escritura de 30 de Outubro de 1752.

Carta de João do Rego Baldaia a seu irmão Manuel Alves do Rego de 30 de Março de 1758

Manuel Alves do Rego Lix. 30 de Março de 1758

Meu irmão e Senhor em 10 de Janeiro de 1750, escrevi a vossa merece e remeti a quantia de 6080200 rs. (sic) para se empregar em propriedades que com efeito vossa merece me avisou, estava comprado para do rendimento se mandar dizer uma capela de missas a saber às quintas feiras de cada semana no altar do Santíssimo Sacramento da nossa freguesia e do resto que ficasse se dar o azeite para se alumiar o Santíssimo Sacramento e porque requeiro isto fique por documento que conste para sempre e nunca se faltar a este legado, visto eu dar esta esmola para obra tão pia, qual é a em que estamos: sirva-se como de fazer com que se ponha tudo no resíduo, para que este tome todos os anos conta de como se rectificar este legado por ser este o estilo, e o documento seguro para enquanto houver mundo nunca se faltar ao que determinei da própria e livre vontade, e acção tanto do agrado de Deus e lhe rogo isto com as eficácias do meu maior empenho para que se ponha isto corrente do modo que levo dito para que nunca haja falta e eu fique sem escrúpulo algum neste particular Nosso Senhor guarde ao meu muito amado etc.

De vossa merece Irmão muito venerador e senhor
João do Rego Baldaia

Luís Francisco do Rego, em seu testamento feito em Dezembro de 1843, deixou um legado de 50$000 reis anuais à Confraria do Santíssimo Sacramento .

Bens da Confraria do Santíssimo Sacramento entre 1750 e 1754

Cinco alqueires de terra nos Mosteiros

Trinta “ “ na Bretanha
Seis “ “ e Baldios na Candelária
Cinco “ “ nas Feteiras
Um foro de duas casas nas Feteiras
“ “ uma casa na Rua da Guiné Relva
“ “ “ “ “ Grotinha Relva
“ “ “ 3 alqueires de terra, nos Feixadentes na Relva

Alguns dos seus rendimentos em 1753 e 1804:
- Foro de 3 alqueires de terra -- $300 reis
- Foro de 1 casa nas Feteiras -
-1,5 alqueire de trigo
- “ “ nas Feteiras -
- $360 reis
- Foro de 1 casa na Rua da Guiné Relva -— $200 reis
- “ de 1 casa na Grotinha Relva-— $800 reis
Do legado de Diogo Gonçalves Milhafre --— $400 reis
“ “ Ascêncio Gonçalves -- $800 reis
Total ?
-- 2$860 reis

Receita e despesa nos anos de 1819 a 1821

Nos anos de:
1819
Receita --421$992 reis
Despesa
--163$245 reis
Saldo ---—— 258$747 reis

1820
Receita --— 419$287 reis
Despesa ---— 211$144 reis
Saldo --—— 208$143 reis

1821
Receita --— 365$273 reis
Despesa --— 99$665 reis
Saldo --— 265$608 reis

No ano de 1819, constituíam suas rendas em terras e foros, de obrigação 56 missas de legados pagando de foro 56 alqueires de trigo .

Bens da Confraria do Santíssimo Sacramento no ano de 1850

- 5 alqueires de terra nos Mosteiros
- 30 “ “ na Bretanha
- 1 foro de 6 alqueires de terra e Baldios na Candelária
- 1 “ de 5 alqueires de terra nas Feteiras
- 1 “ de 1 casa nas Feteiras
- 1 “ 2,4 alqueires de terra nos Feixadentes
- 1 “ 10 alqueires 3 quartas e meia na Macaquinha Relva
- 1 foro de 4 casas na Relva

Rendiam estes em 1850

- Renda da Terra dos Mosteiros -— 14$000 reis
- “ “ Bretanha -— 27$000 reis
- Foro “ Candelária -- 55$000 reis
- “ “ Feteiras -
—6$300 reis
- “ “ Foro da casa das Feteiras -
- 15$300 reis
- “ “ na Macaquinha --— 5$162 reis
- “ Casas na Relva -— 3$177 reis
Total -
-- 125$939 reis

Mordomos da Confraria do Santíssimo Sacramento

Alguns dos seus mordomos entre 1584 a 1872

1584 – 1588, Gaspar Fernandes, Rodrigo Fonseca e e Diogo Gonçalves
1584 – 1590, Simão Gomes
1590 - Manuel Barbosa
1601 - 1602, Simão Gomes de Aguiar, tesoureiro
1631 - 1651, Cristóvão de Aguiar (escrivão)
1634 - 1646, Amaro Dias
1637 - António Neto
1639 - 1645, Manuel de Melo
1640 - André da Rocha
1643 - Capitão Francisco de Andrade Cabral (Juiz)
1644 - Matias Pires e Diogo Pires
1645, Pedro Afonso e Cura Francisco Teixeira
1646 - Simão Soares e Amaro Dias
1648 - 1649, Bernardim Ferreira Calvo e Amaro Dias
1649 - Cristóvão de Aguiar, Gaspar da Rocha e Ascêncio Gonçalves
1650 - Gaspar da Rocha e Ascêncio Gonçalves
1651 - Simão Gonçalves
1652 - Amaro de Sousa, Manuel de Oliveira Vasconcelos e Gonçalo Dias
1653 - Vigário Francisco Fernandes Mesquita
1654 – 1655, Cura Francisco Teixeira
1656 - Cura Manuel Moreno da Costa
1658 - Manuel Cabral de Vasconcelos
1659 - Cristovão de Aguiar e Marcos Afonso de Sousa
1660 - Pedro Soares e Pedro Afonso de Aguiar
1663 - João do Rego Baldaia
1665 - Cristovão da Fonseca
1666 - Jacinto Moniz Ferreira
1669 - Pedro de Sousa
1670 - Francisco Rodrigues
1675 - João Pereira da Mota
1676 - António Miranda e Sebastião Ferreira
1678 - Pedro de Sousa, António de Miranda, João Pereira da Mota, João do Rego Vidal e Gonçalo Falcão
1679 - João de Sousa Vasconcelos (pai do vigário Leandro de Sousa Vasconcelos) e António de Miranda
1680 - Pedro do Rego Baldaia e Manuel de Sousa Benevides
1681 – 1682, Domingos Pires e Manuel de Sousa Benevides
1683 - Tomé de Sousa
1684 - Manuel Cabral
1688 - Pedro de Sousa e Manuel Soares
1690 - João Barbosa Soares e João da Fonseca
1691 - Manuel Alves de Aguiar
1692 - Manuel Barbosa
1693 e 1694, Manuel de Sousa Monte Ferreira e Manuel de Sousa Benevides
1694 - Francisco Alves Marreiros
1696 - José Vieira
1697 - Manuel de Melo
1700 - Tomé de Sousa Benevides
1701 - Manuel Moniz Ferreira e André da Cunha Matos
1702 - João Barbosa Soares
1703 - Manuel de Sousa Benevides e João Barbosa Soares (tesoureiro)
1704 - Manuel Moniz Ferreira e Manuel da Silva Benevides
1705 - Tomé do Rego e Manuel Moniz Ferreira (tesoureiro)
1707 - João Lopes Anes, Tomé do Rego e André da Cunha
1708 - Manuel Alves Mendes
1709 - 1710, Domingos Mendes e Francisco Raposo, mordomos depositários, Manuel Alves Mendes e João Lopes Anes
1712 - José de Medeiros, tesoureiro
1714 - 1720, Manuel do Rego, Manuel de Sousa Ferreira, Gregório Ferreira, André da Cunha Matos, Francisco Raposo Ferreira, Sebastião de Sousa Neto e o Vigário Lic. Leandro de Sousa Vasconcelos, (Presidente)
1722 - Manuel Alves Simões, tesoureiro
1723 a 1727, Manuel de Sousa Ferreira, depositário
1728 a 1729, Pedro Ferreira Cordeiro, tesoureiro e depositário,
1730 a 1731, Martinho Cabral de Vasconcelos e Alberto Cabral de Vasconcelos, tesoureiros
1735 - Alberto Cabral de Benevides
1736 – 1738, Manuel Alves Simões
1738 a 1742, José Raposo Ferreira, Manuel do Rego Baldaia, Manuel do Rego Baldaia, Manuel Alves do Rego e o padre Manuel de Sousa Rego
1743 - António Viveiros Moniz
1742 - Manuel Alves do Rego
1743 - Sebastião de Sousa Neto
1747 - 1749, Diogo de Viveiros, mordomo depositário e António de Viveiros

Pelos anos de 1750, 1751 e 1769 a Confraria do Santíssimo Sacramento tinha como mordomos :

1750

- Presidente – O Vigário licenciado Pedro Moniz da Costa
- Provedor – Capitão Leandro de Sousa Vasconcelos
- Escrivão – Manuel Cordeiro de Sousa
- Tesoureiro Depositário - Capitão Manuel Alves Simões

1752

- Presidente – O mesmo Vigário licenciado Pedro Moniz da Costa
- Provedor – Diogo Viveiros
- Escrivão – Manuel Raposo Sousa
- Tesoureiro Depositário – Francisco Neto e Inácio da Cunha

1756 – 1762, Sebastião Neto, Inácio da Costa, Francisco Neto e Francisco de Sousa

1764 - António Viveiros Moniz
1766 - Domingos de Oliveira (depositário)
1767 - Gaspar dos Reis

1769

- Presidente – Vigário Manuel de Oliveira Macedo
- Provedor – Padre Manuel Medeiros Arruda
- Depositário – Aberto António de Vasconcelos
1777 - 1785, Domingos do Rego
1786 - Domingos do Rego e Francisco José da Cunha
1788 - 1789, Francisco do Rego Lima, Sebastião Manuel Alves e Sebastião Manuel Pavão
1790 - 1824 - Tesoureiro Depositário – Luís Francisco do Rego, José Pereira Benevides - Francisco Rodrigues de Lima, José Furtado, Francisco Botelho da Fonseca - Manuel Pereira da Silva, Luís Jerónimo Barbosa, José Correia, João Benevides Tavares e Francisco do Rego
1825 - 1832, José Jacinto Raposo e João Pereira da Silva (tesoureiro)
1846 - Francisco Arruda Pavão e António de Oliveira
1847 - 1848 António de Medeiros Melo
1849 - João Pereira
1850 – 1854 José Barbosa
1857 - Luís Inocencio de Sousa
1859 - José Barbosa
1860 – 1872 Francisco Cordeiro Miranda

14. 2. Confraria de Nossa Senhora das Neves

A Confraria de Nossa Senhora das Neves, já existia no ano de 1568, segundo o legado pio de João Gonçalves da Rocha , sem contudo se saber a data da sua instituição.

Legados Pios e esmolas deixados à Confraria de Nossa Senhora das Neves

Também Nossa Senhora das Neves foi contemplada no testamento de Francisco de Melo, realizado em 24 de Fevereiro de 1557, no qual lhe deixou, cinco cruzados, para ajudar a fazer um frontal para o seu altar, e se não houvesse mais esmolas para este fim se faria um de damascote de cores. Ainda mandou que na festa da mesma Senhora do ano seguinte ao seu falecimento se lhe cantasse uma missa, por ser desta um devoto , no entanto não se sabe se já existia confraria, pois não lhe faz menção.
João Gonçalves da Rocha, deixou-lhe 1 cruzado, no seu testamento datado de 19 de Setembro de 1568.
Logo no ano seguinte Jorge Afonso, também em seu testamento realizado a 2 de Maio de 1569, deixou-lhe de esmola 1 tostão.
A 28 de Novembro de 1596, António Fernandes, faz o seu testamento e deixou de esmola a esta Confraria $300 reis.
Seu irmão Gaspar Fernandes, a 18 de Novembro de 1597, deixou-lhe uma casa com uma quarta de terra.
Miguel Gil, lavrador e sua mulher Catarina Simões, fizeram o seu testamento a 20 de Junho de 1598, deixando neste a esmola de 15 tostões a esta irmandade.
Ao começar o século XVII, a 20 de Outubro de 1600, Roque Gonçalves no seu testamento, deixou-lhe de esmola 1 tostão.
No mesmo ano a 12 de Dezembro, João Francisco, deixou no seu testamento a esmola de um tostão.
Miguel Gonçalves, fez seu testamento a 30 de Junho de 1601, deixando-lhe neste a esmola de um cruzado.
Em testamento anterior ao ano de 1619, Diogo Gonçalves Milhafre, deixou de legado perpétuo, 1 cruzado a Confraria de Nossa Senhora das Neves.
A esta irmandade deixou Domingos Afonso Moniz, meio tostão no seu testamento feito a 9 de Setembro de 1621 .
Maria Malheiro no seu testamento realizado a 16 de Janeiro de 1629, deixou de esmola a esta irmandade 2 tostões.
No ano de 1667, Ascêncio Gonçalves, fez testamento onde lhe deixou de esmola 12 alqueires de trigo.
Pedro Afonso de Aguiar, fez testamento a 3 de Agosto de 1673, e neste deixou-lhe meio alquire de trigo de esmola.
António do Rego Baldaia em seu testamento feito a 28 de Dezembro de 1737, em Minas Novas no Brasil deixou 6$667 reis a esta Confraria.
Sebastião Ferreira Raposo, padre natural da Relva deixava em testamento de 1783, 2 casas e mais um chão de casa.
Luís Francisco do Rego, em seu testamento feito em Dezembro de 1843, deixou um legado de 50$000 reis anuais à Confraria de Nossa Senhora das Neves.
Ainda a partir de 1695, existem outras referências a esta Confraria.

Bens da Confraria de Nossa Senhora das Neves em 1771

- Foro de 3 alqueires de terra -- $900 reis
- Do legado pio de Diogo Gonçalves Milhafre -
— $400 reis
Total -
-——— 1$300 reis

Despesas e receitas dos anos de 1831 a 1834
Despesas ---—-71$212 reis
Receitas 166$505 reis, mais 3$600 reis de foros, juros e legados a dinheiro, totalizando 170$105 reis.

No ano de 1850 tinha os seguintes bens:

- 1 foro de 4 casas e 1 quarta de terra na Relva.
- 1 “ de 4 alqueires de terra nos Feixadentes
- 1 “ de vinha no cascalho

Rendiam neste ano:

- Foro de 4 casas e 1 quarta de terra na Relva —— $750 reis
- “ 4 alqueires de Terra nos Feixadentes -
— 100$000 reis
- Total ---—— 100$000 reis

Mais 3$230 reis da sua caixa de esmolas

Mordomos da Confraria de Nossa Senhora das Neves de 1631 a 1846

1631 - Marcos Pires
1634 - João de Sousa
1637 - Marcos Pires
1639 - Simão Velho
1643 – 1645, André da Rocha
1646 - João Martins Furtado
1648 - Rocha Gonçalves e Amaro Dias
1651 - Amaro da Costa
1656 - Cura Manuel Moreno da Costa
1659 - Manuel de Sousa Benevides
1660 - Bernardim Ferreira Calvo
1663 - Pedro Soares Simas
1665 - Gonçalo Ferreira
1665 - Rafael de Sousa
1679 - Domingos de Oliveira
1680 - Agostinho da Silva
1681 - André da Cunha
1682 - António Moniz Ferreira
1683 - Manuel Cardoso
1700 - Martinho Furtado
1701, João Barbosa
1702 – 1703, Francisco Raposo
1709 - António Pires
1737 - José de Sousa Mota
1758 - João Pavão
1779 - 1782, Matias de Sousa Cordeiro
1799 - 1800, Francisco Rodrigues de Lima
1803 - 1806, Filipe António
1807 - Jacinto da Silva
1808 - 1809, Filipe António
1811 - Jerónimo Correia
1812 - 1814, Luís Barbosa
1816 – 1818, Francisco de Arruda
1819 - José de Almeida
1820 - José Correia
1821 – 1826, Luís Jacinto Barbosa
1827 - João de Benevides Tavares
1828 – 1832, Luís Jacinto Barbosa
1846 – 1856 Caetano Ferreira da Silva

14. 3. Confraria dos Fieis de Deus ou das Almas

Esta Confraria, aparece referenciada no testamento de Jorge Afonso, realizado a 2 de Maio 1569 , no testamento de Diogo Gonçalves Milhafre, feito antes de 1619 e ainda no de Maria de Lima, mulher de Pedro do Rego Baldaia, aprovado aos 28 dias do mês de Setembro de 1654, aberto a 26 de Outubro do mesmo ano, onde a testadora diz ser irmão desta Confraria , estes eram pais de Águeda Baldaia, mulher de Manuel Alves Simões, sendo portanto avós do padre João do Rego, cura nesta Paroquial .

Legados pios e esmolas deixados à Confraria dos Fiéis de Deus ou Almas:

Miguel Gil, lavrador e sua mulher Catarina Simões, no seu testamento feito a 20 de Junho de 1598, deixaram-lhe de esmola 15 tostões.
No testamento de João Francisco, realizado a 12 de Dezembro de 1600, este deixou-lhe de esmola um tostão.
Miguel Gonçalves, fez o seu testamento no dia 30 de Junho de 1601, onde deixou de esmola a esta irmandade 1 cruzado.
Antes de 1619 1 tostão ou $100 reis, do legado pio de Diogo Gonçalves Milhafre e no ano de 1750, os seus rendimentos eram 1 foro de metade de uma casa na Relva pertencente a Maria Alves em 1 tostão anual , mais os $100 reis, que já detinha no referido ano de 1619.
A 16 de Janeiro de 1621, Maria Malheiro fez o seu testamento e neste deixou de esmola a esta confraria 5 tostões.
Domingos Afonso Moniz deixou em seu testamento realizado a 9 de Setembro de 1641, meio tostão a esta confraria.
Em 1641, António Gonçalves Neto e sua mulher Catarina Sardinha, fizeram testamento em 25 de Novembro de 1641, deixando a esta confraria, quatro tostões e dois cruzados.
No testamento de Pedro Afonso de Aguiar, este deixou de esmola a esta confraria meio alquire de trigo.
No testamento de Maria Jerónima feito a 15 de Janeiro de 1692, aprovado em 31 de Março do mesmo ano, esta deixou de esmola a esta irmandade um cruzado.
Legado Pio de António do Rego Baldaia e sua mãe Águeda do Rego à Confraria das Almas.
No mesmo testamento António do Rego Baldaia, manda seu testamenteiro seu irmão João do Rego Baldaia, residente em Lisboa, que logo após a sua morte, mande para esta Confraria das Almas 200$000 reis , para com estes a mesma Confraria mandar dizer uma missa em cada semana do ano, que será autentica nos estatutos dela. Diz ainda para o mesmo enviar mais 20$000 reis, para os gastos da Confraria.
No ano de 1754, sua mãe Águeda do Rego, também natural da Relva e residente na cidade de Ponta Delgada altera este Legado Pio, que havia sido feito por escritura feita nas notas do tabelião António de Faria continuada em 11 de Setembro de 1749 com os referidos 220$000 reis, e em nova escritura de contrato e doação feita no dia 1 de Julho de 1754, troca, recebendo de volta os 220$000 reis e doando à dita Confraria 37 alqueires de terra sita aos seguintes locais: 22 alqueires de terra lavradia, dividida em 3 serrados que pagava foro anual de 1 moio de trigo e 2 galinhas às religiosas do Convento de S. João da cidade de Ponta Delgada; 5 alqueires e 39 varas de biscoito e fajãs nos Fenais da Luz (hoje freguesia de S. Vicente) dizima a Deus nosso Senhor sem pensão nem obriga alguma; 10 alqueires e 1 quarta sita ao Charco da Marquesa nas Capelas foreira à administração de António de Frias em 3 alqueires de trigo de foro fixo anual. Para com o rendimento das ditas propriedades a referida Confraria mandar celebrar a capela de missas pelo dito seu filho às segundas feiras e mais uma por sua intenção às quartas feiras todos os anos enquanto o mundo durar e com início na 1ª semana do ano de 1755.
Nem todos os anos, o legado foi cumprido por falta de padres disponíveis para se rezarem as respectivas missas. Tendo os mordomos desta Confraria solicitado autorização, para as mesmas serem rezadas noutros dias e noutros lugares. Ainda assim havia anos em que esta não conseguia satisfazer o legado. Pelo que o Provedor dos Resíduos condenava a Confraria a pagar uma verba referente aos anos em falta destinada às obras das igrejas deste Bispado, como o de 1791, em que foi paga a quantia de 24$960 reis, para as obras de reedificação da Igreja de Nossa Senhora das Anjos da Fajã e de 1794 a 1800 a obras de outras igrejas deste Bispado o montante de 12$180 reis, por ano.
A partir de 1804 ano em que ainda pagou para obras de igrejas dos Açores, sempre que não se cumpria o legado, era a Confraria obrigada a pagar, ao Hospital da Misericórdia de Lisboa, 8$320 reis e ao Hospital da Misericórdia de Ponta Delgada 4$160 reis , como se verificou nos anos de 1806 a 1808 e de 1810 a 1831, Tendo esta irmandade conseguido com muito esforço satisfazer a obrigação do legado, fazendo rezar as missas pelos padres Franciscanos de Ponta Delgada, Vila Franca do Campo e Ribeira Grande, em 1792, 1793, 1801 e 1803.

Traslado da escritura de contrato e doação de Águeda do Rego

Da fervorosa devoção que tem às Almas Santas do Purgatório e desejando aplicar-lhe algum sufrágio perpétuo enquanto o mundo durar disse que pelo que pelo presente instrumento dá e doa à dita Confraria das Almas as ditas propriedades, como clauzulo e obrigação de mandar celebrar todos os anos enquanto o mundo durar uma capela de missas por sua tenção, ditas e celebradas nas quartas feiras de cada semana, cuja capela terá seu inicio na primeira quarta feira do mês de Janeiro do ano que em boa hora virá de 1755, para esta dita capela aplica ela doadora metade do liquido rendimento das ditas propriedades e a outra metade dá à dita Confraria para por ela satisfazer a capela de seu filho António do Rego Baldaia, ditas nas segundas feiras para desta sorte irem as ditas capelas sempre em aumento e não terem diminuição em tempo algum porque suposto para a capela dada a seu filho se tenha dado 220$000 reis à dita Confraria para se porem em rendimento por escritura feita nas notas do tabelião António de Faria Ferreira continuada em 11 de Setembro de 1749 os quais se acham dados a juro na mão de Rodrigo Velho de Melo Cabral e de Pedro Moniz do lugar de Rasto de Cão, quer ela doadora receber a escritura do dito juro em troca da metade do rendimento daquelas ditas propriedades, por ver que com a dita troca fica com mais segurança a capela do dito seu filho e ser de maior utilidade à dita Confraria cujas capelas quer ela doadora sejam celebradas pelo Reverendo Padre Vigário ou Cura da dita Paroquial e se tomará conta no Juízo dos Resíduos de ambas as capelas em uma só conta anualmente e ao tempo da dita conta serão os ditos mordomos da dita Confraria obrigados a apresentar quitação de como têm satisfeito os ditos foros para que em nenhum tempo tenham descuido no dito pagamento e que a sobra que ficasse seria para os gastos anuais da mesma Confraria das Almas, ou para ainda de se satisfazerem os sufrágios e missas que anualmente se costumam aplicar pelas Benditas almas e dá poder e autoridade à dita Confraria para logo e quando quiser vá ou mande tomar posse das ditas propriedades que para sempre será real actual corporal civil e natural e qual em direito melhor nome tenha arrendando-as e beneficiando-as como suas que ficam. Sendo por virtude desta escritura e já de agora demite de si toda a posse, domínio que nas ditas propriedades até agora teve, tudo larga, cede e trespassa nos mordomos da dita Confraria que hoje são e ao diante forem e se obriga por si e seus herdeiros a vir ao cumprimento desta escritura e género algum de embargos porque Delmbºs (sic) por pervilegiada que seja sua matéria em direito e vindo com eles de nenhuma razão será ainda em Juízo e fora dele sem primeiro e com efeito dar inteiro e verdadeiro cumprimento desta escritura assim da maneira que nela e contem e por sua pessoa e bens e se obriga fazer boas as ditas propriedades a dita Confraria livres de dividas, embargos, embaraço ou alienação que se até hoje depor e havendo quem com eles revenha de a tudo se dar por tutora e defensora a sua própria custa e despesa e de tudo serem findos e acabados e a dita Confraria restituídos a posse delas com todas as custas, perdas e domínios que do caso resultar que aceitarão os ditos doados e aceitantes para a dita Confraria e disseram que aceitavam esta doação e troca e se obrigavam por si e seus sucessores a mandarem celebrar as ditas capelas enquanto o mundo durar e a pagar os foros aos senhorios anualmente sem género algum de duvida desistiam dos ditos 220$000 reis nas mãos da dita doadora que entregaram em mão de seu procurador as escrituras por e onde se haviam dados a juro por ficar a dita Confraria com mais segurança com as ditas propriedades e reconhecerem ser mais certo e firme o rendimento delas para contribuição das ditas capelas e a convirem em violamento as clazulos desta escritura como nela se contem e as licenças de que atrás se faz menção,” . Era mãe de João do Rego Baldaia que fez o anterior legado à Confraria do Santíssimo Sacramento.

Bens da Confraria das Almas em 1754

- 22 alqueires de terra sita aos Poços Fenais da Luz
- 5 “ “ “ “ nos Fenais da Luz
- 8 “ “ “ “ ao Charco da Marquesa Capelas
- 2 “ “ “ “ “ “ “ “ “
- 1 foro de 3 alqueires de terra na Relva

Rendimentos destes entre 1753 e 1804:
1 foro de 3 alqueires de terra na Relva --— $900 reis
1 tostão de metade de uma casa na Relva -- $100 reis
1 tostão do legado de Diogo Gonçalves Milhafre - $100 reis
Total --— 1$100 reis ?

Receita e despesa dos anos de 1819 a 1821

1819
Receita --— 203$339 reis
Despesa ---— 57$ 375 reis
Saldo --——145$964 reis

1820
Receita --— 202$349 reis
Despesa --— 51$730 reis
Saldo --— 150.619 reis

1821

Receita --— 205$579 reis
Despesa --— 50$240 reis
Saldo --— 155$339 reis

Em 1819, tinha de obrigação todas as semanas 2 missas por alma do seu benfeitor António do Rego Baldaia e por sua mãe Agueda do Rego, mais uma capela de missas pelos irmãos defuntos. Tinha de legados 100$000 reis e de foros 8$000 reis .

Bens da Confraria das Almas em 1850

- 1 Vinha nos Natas
- 1 Foro de 3 alqueires de vinha em S. Vicente
- 1 “ 4 “ de terra nos Feixadentes
- 1 “ 22 “ de “ de Quinta nas Capelas
- 1 “ 1 Casa nas Feteiras

Rendiam neste ano:
- Renda da vinha dos Natas -— 9$000 reis
- Foro vinha em S, Vicente -
-- 5$400 reis
- “ terra Fexadentes -— 2$260 reis
- “ Quinta nas Capelas -
-— 30$000 reis
- “ Casa nas Feteiras --— $400 reis
Total -
-—— 47$060 reis

Mordomos da Confraria dos Fieis de Deus ou das Almas de 1631 a 1882

1631 - Gonçalo Ferreira
1634 - Domingos Ferreira
1637 - João da Cunha
1643 - André da Rocha
1645 - Francisco da Costa
1646 - Cristóvão de Aguiar
1648 - Domingos Fernendes de Mesquita e Gonçalo Ferreira
1649 - Simão de Teve
1651 - João Martins
1654 - Manuel Martins Mulato e Cura francisco Teixeira
1656 - Manuel de Matos
1663 - Manuel Cabral Carreiro
1665 - Jacinto Moniz Ferreira
1666 - Manuel Cabral Carreiro
1679 - Pedro do Rego Baldaia
1700 - Tomé de Sousa Cabeceiras
1701 - Gaspar Mendes
1702 - João de Almeida
1703 - Manuel Rodrigues Pinheiro
1709 - Manuel Martins Furtado
1737 - Manuel de Sousa Marreiros
1754 - - Presidente – Vigário o Licenciado Pedro Moniz da Costa
- Provedor – André Cordeiro Velho
- Tesoureiro – Manuel Marreiros
- Escrivão – José de Medeiros Sapateiro
- Mordomo – Manuel da Costa
1758 - Francisco de Sousa
1779 - Manuel Pereira da Silva
1782 - Pedro da Fonseca
1783 - Mordomo depositário, Pedro da Fonseca
1786 - Tesoureiro, Manuel Simões Cordeiro
1789 - Manuel de Sousa Rocha e João de Viveiros, tesoureiros
1792 - António Fernandes, tesoureiro
1798 - Francisco de Faria, tesoureiro
1799 - José da Fonseca Moniz
1800 - José da Fonseca
1801 - Filipe António
1802 - Manuel de Sousa Rocha
1803 - Francisco Rodrigues de Lima
1805 - Luís Barbosa
1806 - José Carvalho Cordeiro
1807 - Filipe António
1808 - 1809, Luís Francisco Barbosa e Manuel Soares
1811 - José Correia
1812 1814 - Jerónimo Correia
1815 - José Correia, tesoureiro
1816 – 1820, Luís jacinto Barbosa
1819 - Francisco de Arruda
1821 - José Correia
1822 – 1825, João Cordeiro Alvares
1826 - 1829, Francisco de Arruda
1827 - Luís jacinto Barbosa
1830 – 1832, Catano Ferreira da Silva
1848 - 1850, Manuel da Silva
1858 - 1870 João Ferreira Arruda
1865 - Francisco Arruda Viveiros
1882 – 1884, João Ferreira de Arruda

14.4. Confraria do Senhor Bom Jesus

Também a Confraria do Senhor Bom Jesus, não se conhece a data da sua fundação, sendo também ela referida no testamento de João Gonçalves da Rocha, realizado a 19 de Setembro de 1568, no legado pio de Diogo Gonçalves Milhafre, como já existente antes do ano de 1619, com o nome de Confraria de Jesus e ainda como Confraria do nome de Deus, também o Padre João do Rego no seu testamento no ano de 1722, lhe deixou um legado, onde já é chamada de Confraria do Senhor Bom Jesus.

Legados Pios e esmolas deixados à Confraria do Senhor Bom Jesus:

A esta irmandade João Gonçalves da Rocha, lhe deixou, no seu testamento feito no ano de 1568, doze tostões em cada ano os quais pagaria sua mulher enquanto fosse viva.
Miguel Gil, lavrador e sua mulher Catarina Simões, fizeram testamento a 20 de Junho de 1598, deixando neste a esmola a esta confraria de 6 tostões .
A 12 de Dezembro de 1600, João Francisco, fazia o seu testamento, e neste deixou a esta confraria a esmola de um tostão.
Miguel Gonçalves deixou no seu testamento feito a 30 de Junho de 1601, 1 cruzado de esmola a esta confraria.
Em ano anterior a 1619, Diogo Gonçalves Milhafre, fez seu testamento e nele deixou, sobre uma propriedade de terra, um cruzado ou $400 reis em cada ano enquanto o mundo durar.
No dia 9 de Setembro de 1621, aprovado neste mesmo dia, Domingos Afonso Moniz, fez seu testamento e no qual deixou, meio tostão a esta confraria.
Maria Malheiro no seu testamento realizado a 16 de Janeiro de 1629, deixou de esmola a esta confraria 5 tostões.
António Gonçalves e Catarina Sardinha, marido e mulher, deixaram em seu testamento feito em 25 de Novembro de 1641, quatro tostões a esta irmandade.
No dia 3 de Agosto de 1673, Pedro Afonso de Aguiar, fez seu testamento e neste deixoulho de esmola meio alqueire de trigo.
Também esta Confraria foi contemplada no testamento de António do Rego Baldaia, realizado a 28 de Dezembro de 1737, com 6$667 reis.
Em testamento de11 de Dezembro de 1765, realizado na sacristia desta paroquial, o padre Manuel de Sousa Pereira que então aqui servia, deixou de deus bens, 3 alqueires de terra de vinha, na rocha do cascalho, para com o rendimento desta se dizer uma missa por sua alma no dia da solenidade da Festa do Bom Jesus e seu corpo enterrado na porta travessa desta igreja junto à pia de Água Benta.

Bens da Confraria do Senhor Bom Jesus

De seus bens sabe-se que antes de 1619, recebia 1 cruzado ou 400$000 reis, do legado pio de Diogo Gonçalves Milhafre , e a partir do ano de 1767, tinha ainda o foro de 3 alqueires de terra de vinha na Rocha do Cascalho, que lhe foi legado pelo Padre Manuel de Sousa Pereira, Vigário desta Paroquial no seu testamento realizado a de11 de Dezembro de 1765 .

- 1 foro de 3 alqueires de vinha no Cascalho

Rendimentos entre 1767 e 1804:
- Foro da vinha do Cascalho -- 6$600 reis
- Do legado pio de Diogo Gonçalves Milhafre -
— $400 reis
Total -
-—— 7$000 reis

Que pagava Sebastião de Sousa Neto e sua mulher Maria do Céu.

Bens em 1850:

- 1 foro de 3 alqueires de vinha no Cascalho
- 1 foro de 4 alqueires de terra nos Feixadentes

Rendimentos em 1850:
- Foro da vinha do Cascalho -— 15$950 reis
- “ terra nos Feixadentes -
—— 2$260 reis
Total -
-- 18.210 reis

Mordomos da Confraria do Senhor Bom Jesus de1602 a 1849

1602 - Jorge e Manuel Barbosa Francisco de Vasconcelos, tesoureiro
1631 - Gaspar Castanho
1634 - Diogo da Cunha
1637 - António Frias
1639 - Manuel de Melo
1643 - Domingos Fernandes de Mesquita
1646 – 1648, Cristóvão de Aguiar e André da Rocha
1649 - Manuel Gonçalves
1651 - Baltazar de Meas
1659 - Francisco Raposo
1660 - Domingos Fernandes de Mesquita
1663 - Francisco de Sousa Benevides
1665 - Cristóvão da Fonseca
1666 - Manuel de Miranda
1679 - António Martins Cordeiro
1680 - 1681, Pedro de Sousa
1682 - Gonçalo da Fonseca
1683 - Tomé de Sousa Cabeceiras
1700 - Manuel Alves Cabral
1701 - Bartolomeu Ferreira
1702 - António do Rego
1703 - Miguel Ferreira Neto
1709 - Francisco de Sousa Pereira
1737 - Domingos Botelho
1758 - Luís do Rego
1777 - António Raposo
1779 - Francisco José da Cunha
1782 - Manuel Pereira da Silva

Tinha como mordomos em 1769

- Presidente – Vigário Manuel de Oliveira Macedo
- Provedor – Inácio Manuel
- Escrivão – Tomé Botelho
- Tesoureiro – Manuel Francisco
- Mordomo adjunto – José Francisco
1773 - Manuel Correia
1799 - 1800, Luís do Rego
1801 - 1803, Manuel de Sousa Rocha
1802 - Filipe António
1804 - Felisberto da Silva
1805 - Filipe Moniz
1806 - Luís Barbosa
1807 - Francisco Botelho da Fonseca
1808 - 1809, Manuel Soares
1811 - Francisco Botelho da Fonseca
1812 - 1814, Luís Francisco do Rego
1816 – 1818, José Correia
1819 - Luís Francisco do Rego
1820 - Francisco de Arruda
1821 - Inácio da Cunha
1824 - 1827, Francisco de Arruda
1826 - Mateus José Pereira
1828 - João de Benevides Tavares
1831 1832 - Francisco Ferreira da Silva
1849 - Luís Jacinto Barbosa

14. 5. Confraria de Santo Antão

Como as restantes, não se lhe conhece a da sua fundação, sabendo-se que já existia no ano de 1598 , e ainda a partir de 1695, segundo referências em testamentos, onde os testadores dizem ser seus irmãos ou confrades.

Esmolas à Confraria de Santo Antão:

Miguel Gonçalves, no seu testamento feito a 30 de Junho de 1601, deixou-lhe de esmola um bezerro.
A 4 de Setembro de 1621, Domingos Afonso Moniz, deixava meio tostão a esta irmandade .
No testamento de Pedro Afonso de Aguiar, este deixou a esta confraria a esmola de meio alqueire de trigo.

António do Rego Baldaia também deixou a esta Confraria 6$667 reis, no seu testamento de 28 de Dezembro de 1737.
Não se encontra referido em documentos consultados que possuísse quaisquer bens próprios.

Mordomos da Confraria de Santo Antão de 1602 a 1866

Só se encontarm registos destes.
1602 – Francisco Correia
1847 - 1857 José da Silva Mota
1859 – 1865 Manuel Cordeiro Gouveia
1866 - João Carreiro

14. 6. Confraria de Nossa Senhora do Rosário

Aparece em testamentos a partir do referido ano de 1695.

Legado Pio e esmola à Confraria de Nossa Senhora do Rosário

Como todas as Confrarias desta paroquial, a da Senhora do Rosário, recebera 6$667 reis, pelo testamento de António do Rego Baldaia , e em 1871, era detentora do foro no valor de 2$636 reis, imposto sobre uma quinta sita ao Canto do Negro na Freguesia de S. Vicente Ferreira.

Receita e despesa nos anos de 1819 a 1821

1819
Receita --— 177$966 reis
Despesa --— 18$030 reis
Saldo --— 159$936 reis

1820
Receita --— 197$096 reis
Despesa --— 57$464 reis
Saldo --— 139$632 reis

1821
Receita --— 120$824 reis
Despesa --— 22$217 reis
Saldo --— 98$217 reis

Em 1819 constituíam suas rendas, esmolas e pensões dos irmãos .

Mordomos da Confraria de Nossa Senhora do Rosário de 1858 a 1869

1858 - Inácio de Sousa Dias
1859 - 1860 Jacinto de Sousa Dias
1861 – 1862 Manuel Oliveira Moniz
1863 - Francisco de Olioveira
1865 - Francisco de Arruda Viveiros
1866 – 1868 António da Silva Mota
1869 – 1884 João de Almeida Arruda

15. 8. Confrades ou irmãos das várias Confrarias que deixam como última vontade serem sepultados na igreja de Nossa Senhora das Neves

No decorrer de vários séculos são vários os testamentos em que os testadores deixam como ultima vontade serem sepultados na igreja de Nossa Senhora das Neves, por serem seus fregueses e alguns eram confrades ou irmãos das confrarias existentes os quais se seguem:
- João Gonçalves da Rocha, o Cerne, de alcunha, manda sepultar-se nesta igreja, em cova sua com letreiro, de fronte do altar-mor, 19 de Junho de 1572
- Jorge Afonso, 11 de Maio de 1579
- António Fernandes, 28 de Novembro de 1596
- Gaspar Fernandes, 18 de Novembro de 1597
- Miguel Gil, lavrador e sua mulher Catarina Simões, 20 de Junho de 1598
- João Francisco 12 de Dezembro de 1600
- Miguel Gonçalves, 30 de Junho de 1601
- João Enes da Grota 20 de Novembro de 1608, faleceu em Maio de 1610
- Diogo Gonçalves Milhafre, antes de 1619
- Domingos Afonso Moniz 9 de Abril de 1621
- Diogo Martins e sua mulher Leonor Fernandes, 8 de Setembro de 1626
- Maria Malheiro, 16 de Janeiro de 1629
- António Gonçalves Neto e sua mulher Catarina Sardinha, na sua cova e com letreiro 25 de Novembro de 1641
- João Barbosa, faleceu a 4 de Dezembro de 1649
- Gaspar da Rocha Benevides 7 de Dezembro de 1657
- Simão Velho Cabral, 22 de Janeiro de 1660
- Maria Luís, 16 de Março de 1660
- Cecília Rodrigues Ferreira 18 de Janeiro de 1665
- Ascêncio Gonçalves, 22 de Março de 1667
- Domingos Martins Margaça 5 de Julho de 1667
- Ana de Aguiar mulher de Francisco Pereira, 14 de Julho de 1673
- Pedro Afonso de Aguiar, 3 de Agosto de 1673
- Manuel do Rego, 1 de Novembro de 1673
- Águeda do Rego, 4 de Maio de 1674, sepultada na Capela de Ascêncio Gonçalves
- Ana Glória, 7 de Junho de 1674
- Manuel Pavão, 7 de Maio de 1675
- Clara de Sousa, 3 de Março de 1676
- Maria de Aguiar, 16 de Março de 1676
- Gaspar Roiz de Sousa, 3 de Abril de 1676
- Maria da Fonseca, 14 de Maio de 1677
- João de Oliveira, 12 de Setembro de 1677
- Ana Ferreira, 10 de Março de 1680
- Úrsula Moniz, 4 de Fevereiro de 1681
- Beatriz Roiz, 20 de Abril de 1681
- Gonçalo Gomes, 26 de Abril de 1684
- Luzia da Costa, 6 de Setembro de 1685
- Águeda Ferreira, 3 de Dezembro de 1685
- Maria Jerónima, 15 de Janeiro de 1692
- Gonçalo Simões Coura, 11 de Janeiro de 1695
- Manuel Alves de Aguiar e sua mulher Isabel Cordeiro, 11 de Janeiro de 1696
- Isabel Cordeiro, 21 de Outubro de 1700
- Manuel Alves Simõe, 16 de Outubro de 1703, sepultado na Capela de S. Diogo
- Francisco Gonçalves Neto, 21 de Setembro de 1705 era confrade de Nossa Senhora do Rosário
- Alferes Pedro do Rego Baldaia, 24 de Agosto de 1706
- Barbara da Fonseca, era confrade das Almas, Nossa Senhora do Rosário e de Santo Antão 23 de Setembro de 1707
- Francisco Alves Marreiros e sua mulher Águeda Ferreira, irmãos das Almas, Santo Antão e Srª do Rosário 21 de Novembro de 1714
- Domingos da Cunha e sua mulher Maria Simões, irmãos das Almas, Santo Antão e Senhora. do Rosário 18 de Fevereiro de 1715
- Clara Luís, irmã da Senhora do Rosário e dos Fieis de Deus 14 de Janeiro de 1717
- Catarina Falcoa, irmão das Almas, Santo Antão e Srª do Rosário 18 de Outubro de 1719
- Águeda da Rocha e Isabel da Rocha, sepultadas junto ao altar de S. Cristovão, irmãos das Almas e Senhora do Rosário 8 de Dezembro de 1721
- Manuel Rodrigues Pinheiro e sua mulher Isabel Ferreira, 25 de Julho de 1722
- Manuel Alves Mendes e sua mulher Barbara Botelho, 6 de Setembro de 1722
- Isabel Miranda 12 de Dezembro de 1722
- Mariana Falcoa, faleceu a 14 de Dezembro de 1722 sepultada na sua capela de Nossa Senhora do Rosário
- Gonçalo da Costa, confrade das Almas, Santo Antão e Srª do Rosário 28 de Dezembro de 1722
- Gaspar Mendes, sepultado na capela-mor 11 de Maio de 1731
- Filipa Pereira, 4 de Maio de 1735
- Catarina Sardinha, 22 de Novembro de 1736
- Antónia de Medeiros, moradora no sitio dos Campinos limite da freguesia da Relva (hoje Arrifes), sepultada na ermida de Nossa Senhora da Saúde sufragânea desta paroquial), era confrade da Sra. do Rosário, Santo Antão e Almas 14 de Novembro de 1737.
- Barbara S. Matias, faleceu a 17 de Maio de 1738, sepultada na Capela-mor, por ser pessoa notável
- João de Sousa Furtado e sua mulher Ana Ferreira, 15 de Março de 1743
- Francisco da Rocha e sua mulher Catarina Ferreira, 2 de Abril de 1748
- António Pacheco Manuel de Pimentel, 6 de Fevereiro de 1750
- Luzia Ferreira, 25 de Janeiro de 1752
- António do Rego Baldaia, sepultado na mesma sepultura de sua mulher 2 de Janeiro de 1755
- Manuel do Rego de Sousa, 01 de Maio de 1757
- Manuel Homem de Sousa, 31 de Janeiro de 1757
- Manuel de Sousa Mendes e sua mulher Francisca Ferreira, 26 de Dezembro de 1758
- João Cordeiro Alonso e suas irmãs Luzia Cordeiro e Antónia Cordeiro, 13 de Maio de 1758
- Manuel Raposo Roca e sua mulher Maria de Benevides, 20 de Julho de 1759
- André Cordeiro, 25 de Setembro de 1760
- Francisco Pavão, 25 de Março de 1763
- Vigário Manuel de Sousa Pereira, 11 de Dezembro de 1765
- Manuel de Sousa Falcão, 25 de Junho de 1773
- Catarina Ferreira, 2 de Junho de 1774
- Domingos do Rego e sua irmã Feliciana do Rego, 25 de Maio de 1775
- Barbara Pacheco, 9 de Fevereiro de 1776 acompanhada pelo colégio desta igreja.
- António da Cunha, 30 de Agosto de 1780
- Francisco de Sousa Homem, 19 de Maio de 1783
- Inácio de Sousa, 1792
- António Cordeiro e sua mulher Luzia Rosa Cunha, 1 de Maio de 1804
- Manuel Cordeiro, 25 de Fevereiro de 1805 (sepultado ermida da Srª da Saúde)
- António Tavares Cordeiro, pai do Padre António José Cordeiro, 27 de Setembro de 1807
- João de Oliveira e sua mulher Antónia Francisca, 22 de Julho de 1811
- Francisco da Silva e sua mulher Francisca do Nascimento, 30 de Janeiro de 1814
- Luís Francisco do Rego e sua irmã Antónia Maria, 18 de Fevereiro de 1829
- Francisca do Espírito Santo, 30 de Abril de 1829.

16. Passal

Também o Passal desta paróquia teve origem num Legado Pio.
Maria de Sousa de Faria, irmão do Vigário desta Paroquial o Licenciado Francisco Fernandes de Mesquita, em seu testamento feito a 10 de Maio de 1668, aberto a 14 de Maio de 1668, deixa o assento onde vive, que se entende por casas e terra, a seu marido Francisco Afonso de Aguiar, com o cargo de 3 missas pelo outavário de Todos os Santos, ofertada cada uma com um alqueire de trigo e uma canada de vinho, sendo uma das missas por sua alma, outra por alma de seu pai e mãe e outra por alma de seu irmão o vigário Francisco Fernandes de Mesquita e sua irmã Margarida de Sousa .
Declarou ainda a testadora, que debaixo das condições acima e atrás declaradas deixa a seu marido, Francisco Afonso, tudo o que se acha ser seu, bens, fazenda e móveis, e depois por morte do dito seu marido, o assento onde vive e a terra junto a ele deixa de passal à Igreja de Nossa senhora das Neves, para o vigário que hoje serve e ao diante servir, com o cargo de uma capela de missas para sempre, todas as casas, torre e terra, e com isto tinha acabado sua cédula. O rogo da testadora assinou Bernardim Francisco Calvo .
Depois da morte do dito seu marido, Francisco Afonso de Aguiar ocorrida a 16 de Novembro de 1685 as casas e a terra anexa, passaram para a propriedade da igreja, na época do Vigário José de Castro e do Vice Vigário António Pais de Vasconcelos, tendo este último declarado que a Paróquia já estava na posse do dito passal entre os anos de 1686, sendo este composto por 2,5 alqueires de terra com suas casas .
Mais de 100 anos depois, em 1790, o Vigário Manuel José do Rego, pede ao Bispo de Angra D. Frei José da Ave-maria, a redução do encargo do legado. O que lhe é concedido por sentença do referido Bispo de 7 de Janeiro de 1791, passando este a ficar encarregado apenas com 6 missas anuais .
Nos anos em que não foi possível cumpri-lo, a igreja pagava $480 reis à Misericórdia de Lisboa e $240 reis à de Ponta Delgada .
Encontrando-se estas casas em ruínas, foram reedificadas por iniciativa do Vigário Leandro de Sousa Vasconcelos, quando assumiu o cargo de vigário desta paróquia em 1711 .
Voltou a sofrer grandes obras de reparação, por se encontrar, em avançado estado de degradação no ano de 1875, com as quais a Junta de Paróquia dispendeu 120$000 reis .
No ano de 1965, foi demolido, por se encontrar completamente arruinado, tendo sido construído um moderno edifício, por iniciativa do Pároco José Gregório Soares de Amaral, destinado para além de residência Paroquial, também a Centro Social, dotado ainda de uma sala de espectáculos, inaugurado no ano de 1968 .
Já no ano de 1998, foi transformado definitivamente em Centro Social e Paroquial.

17. Mobiliário

Sacristia

Imponente Arcaz em pau-santo, com três pinturas magnificas em tela

Início do século XVIII, época de D. João V

Móvel de boa madeira de pau-santo, com três telas pintadas com Nossa Senhora da Conceição, na moldura central, e, nas que a ladeiam, uma cena de S. João Evangelista acarinhado por Jesus, sentado em paisagem arborizada e falando com outro discípulo; e outra, representando o mesmo Evangelista — irmão do apóstolo Tiago, o Maior — a quem Cristo incumbiu de zelar por Maria, sua mãe, quando a tragédia lhe chegasse, mas agora em representação da tentativa gorada de o matarem dentro de um caldeirão de óleo fervente, que ornam o espaldar deste arcaz da sacristia, bom recorte barroco, e seus bronzes em gavetões bojudos, um dos aparatos artísticos de matriz erudita do templo de Nossa Senhora das Neves .
Será produto de encomenda original da reconstruída igreja, o qual terá sido paga pela Fazenda Real no ano de 1725 .
Obras de oficina portuguesa, a figuração da Virgem afirma-se composição barroca italianizante e de lembrança rubeniana, de melhor representação plástica pela animação da veste, dinamismo cenográfico de anjos emergindo de revolucionárias manchas de nuvens, em articulado com a luminosidade cromático do branco que por entre manto azul veste a Senhora.
Pinturas de autor e data desconhecidos, mas que sugerem proximidade a André Gonçalves (1685-1762), que foi pintor prolixo com oficina em Lisboa .
Classificadas do melhor que existe em obras de arte do género na ilha de S. Miguel, supõe-se que a representação de Nossa Senhora da Conceição na tela do centro seja em homenagem à padroeira de Portugal, e as de S. João homenageando o monarca D. João V. No entanto é de referir, que segundo tradição oral na freguesia este móvel teria pertencido à igreja do antigo convento de S. João, que existiu em Ponta Delgada, onde hoje se situa o Teatro Micaelense, e que terá sido doado à igreja de Nossa Senhora das Neves, aquando da extinção dos conventos no ano de 1832.

Bufete (mesa), em pau-santo

Barroco primeira metade do século XVIII

18. Órgãos

No ano de 1722 existe registo da existência de um órgão não se sabendo se havia organista permanente, porque não existe registo que fosse pago pela Fazenda Real .
Em 1847 foi decidido pela Junta de Paróquia adquirir de um órgão para dar maior brilho às solenidades então realizadas , tendo o Governador Civil do Distrito Oriental dos Açores não autorizado a referida compra, e mandou que viesse para este templo o órgão da igreja do extinto Convento de Santo António da Vila da Lagoa, e que a Junta da Paróquia apenas pagasse o transporte deste, o que aconteceu em 1848.
Por deliberação da Junta desta paróquia de 1864, foi mandado reparar o órgão e mandado fazer um coreto para se colocar o mesmo em 1867 .
Um órgão novo foi adquirido no ano de 1866 ao Sr. João Nicolau Ferreira, por 200$000 reis, sendo-lhe entregue o órgão velho .
Um novo órgão harmónio foi comprado em 1955 ao Sr. Leite Pereira, afinador, por oito mil e quinhentos escudos .

19. Assalto

Caso acontecido nesta Paroquial Igreja, entram os ladrões não se sabe quantos, por uma fresta que havia por cima da sacristia do Santíssimo, e com uma corda desceram para dentro, entraram na capela do Santíssimo sacramento, arrombaram o sacrário, vazaram as Sagradas partículas e tiraram as ditas pomas, pondo uma vazia em cima do altar de Santo Antão e levaram a outra, levando também a lâmpada do Santíssimo, e uma grande lâmpada da capela de Nossa Senhora das Neves, que pesava 28 arrateis e uma quarta, e toda a mais prata que acharam na igreja, sem nunca se ter sabido quem foram os larápios, este nefasto roubo aconteceu no ano de 1835 . Felizmente a grande maioria das suas peças de ouriversaria ainda hoje existe e estão em seu poder e guardadas com máxima segurança, talvês por ter sido numa época em que praticamente todas as igrejas estavam a ser assaltadas, as peças não se encontrariam no templo aquando do roubo.

Nota: As iniciais BPARPD, significa Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, BPARAH, Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo e AIPNSN, Arquivo da Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Neves, entre outra bibliografia.

Economia

A agro-pecuária é a principal actividade económica da sua população. Além do sector primário, a freguesia conta também com algumas unidades industriais relativamente importantes nas áreas do comércio, serviços, carpintaria, indústria de salsicharia, serralharia e panificação. Relva encontra-se neste momento num desenvolvimento constante. As infra-estruturas de carácter turístico aí estão para o confirmar. O aeroporto da Nordela, por exemplo, foi quase todo construído em seus terrenos.

Festas e Romarias

Orago

  • Nossa Senhora das Neves

Património

  • Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Neves
  • Ermida de Nossa Senhora da Aflição
  • Teatros do Espírito Santo
  • Casa do Monte
  • Vários fontanários

Outros locais

  • Rocha da Relva, miradouro e parque de merendas

Artesanato

  • Bordados, pintura de flores, trabalhos com escamas de peixe e miniaturas executadas em diversos materiais

Colectividades

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