Santo António das Areias

Santo António das Areias
Marvão



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Santo António das Areias é uma freguesia portuguesa do concelho de Marvão, com 35,91 km² de área e 1.261 habitantes (2001). Densidade: 35,1 hab/km².

História

A zona central e mais antiga de Santo António implanta-se numa suave encosta, maioritariamente, exposta ao poente, drenada por linhas de água de curso sazonal, das quais se destaca o Ribeiro do Lobo e a Ribeira do Tragazal. Ainda que até esta data não tivesse sido identificada qualquer referência a esta aldeia anterior a 1569, poderemos equacionar a hipótese deste lugar ter sido ocupado a partir dos fins do Império Romano. Esta hipótese assenta na estratégia de povoamento da Alta-Idade-Média que se constata na área do actual concelho de Marvão.

Com a destruição da cidade de Ammaia e sob a pressão dos Bárbaros, verifica-se, sobretudo a partir dos finais do século V, uma nova forma de ocupação dos solos. Pequenos e médios casais agrícolas começam a estabelecer-se nas encostas suaves, não muito longe de linhas de água, envoltos por terras com alguma aptidão agrícola mas, sobretudo, não muito evidentes na paisagem.

A instabilidade política obrigava a alguma precaução. Desses conturbados tempos conhecemos vários testemunhos nas imediações de Santo António das Areias. Destes destacam-se os pequenos habitats da Água da Cuba, da Patinha da Burra, da Asseiceira, da Ranginha, do Lagar dos Frades ou o da Feijoeira. Qualquer destes sítios arqueológicos, infelizmente nunca estudados, apresenta uma implantação orográfica muito semelhante à que se verifica em Santo António. Provavelmente, esta aldeia terá origem num desses habitats que, após a Reconquista Cristã, gradualmente foi crescendo vindo a merecer a edificação de um templo dedicado a São Marcos.

Se lermos as “Memórias Paroquiais” lá encontramos a referência a este templo que se implantaria um pouco acima da actual “Casa do Povo”, não muito longe da velha Fonte da Vala. Esse templo, em torno do qual se constituiu o primeiro cemitério da aldeia, terá sucumbido quando se procedeu à transladação colectiva para o actual, já em inícios do século XX.

Embora não tenhamos qualquer informação sobre a data da construção da Igreja de São Marcos ela seria, seguramente, anterior à de Santo António. Esta presunção assenta na maior antiguidade do culto a São Marcos e, sobretudo, na memória toponímica que ainda hoje se guarda, por exemplo, em Valência de Alcântara, em relação a esta aldeia.

Os mais idosos do lado de lá da fronteira quando se referem à aldeia de Santo António das Areias denominam-na por São Marcos. Eventualmente, esta antiga toponímia poderá ter, também, alguma relação estreita com a afluência de espanhóis às festas em honra de São Marcos. Mas, exactamente, a festividade e feira que anualmente se organiza em honra de São Marcos, a maior e mais concorrida do concelho, comparada com a já muito esquecida procissão em honra de Santo António, parece reforçar a nossa interpretação de que, originariamente, esta povoação terá emergido em torno da desaparecida igreja de São Marcos e posteriormente, terá então sido construído um novo templo dedicado a Santo António, no sítio das Areias. A nova igreja, provavelmente construída na segunda metade do século XVI, terá originado outra organização urbana em torno do novo e mais amplo templo, contribuindo para a perca de centralidade da de São Marcos. A data aventada para a edificação da Igreja de Santo António assenta na leitura da inscrição gravada no capitel do cruzeiro onde, com dificuldade, ainda se lê 1569.

Se a nossa leitura estiver correcta e se o cruzeiro for contemporâneo da construção da igreja, a data da centúria de setecentos que se mostra gravada na base granítica que sustentou o púlpito que se encontrava no interior da Igreja de Santo António deverá corresponder a uma fase de remodelação ou reconstrução deste templo e não à data da sua fundação. De qualquer forma, esta data da centúria de setecentos é bastante posterior ao mais antigo registo paroquial que se conhece para esta aldeia. Estranhamente, este registo reporta-se a um baptismo datado de 1715. Dizemos estranhamente porque, por norma, os mais antigos registos reportam-se, exclusivamente, aos óbitos. Naturalmente, esta norma aplica-se, essencialmente, aos registos paroquiais mais antigos, datáveis dos finais do século XV e século XVI.

Iniciando-se o primeiro livro de registos com um baptismo no ano de 1715 e constando no mesmo livro o assento do primeiro casamento em 1716 e o primeiro óbito em 1722, é provável que esta freguesia tivesse sido constituída no ano de 1715, ou um pouco mais cedo, embora já neste local existissem dois templos mas nenhum deles constituído, até essa data, como sede paroquial. As gentes residentes neste local estariam vinculadas a uma das freguesias sediadas em Marvão, ganhando a sua autonomia apenas no início do século XVIII.

Descrição

A entrada principal de Santo António das Areias é a Rua 25 de Abril que nesta terra é mais do que data da Revolução, é também o Dia de São Marcos. Padroeiro de ermida entretanto desaparecida, a este Santo devemos a referência de uma localidade, provavelmente há milhares de anos habitada, onde eu vim a nascer. Esta aldeia é muito mais que um ponto geográfico, terra áspera que outrora suportou a agricultura, é um espaço de grandes afectos. Desenhada por uma interessantíssima história de audácia empresarial, aqui se alberga uma comunidade que faz com trabalho perdurar um espírito verdadeiramente singular.

Tal como há pessoas em que a aparência ou as atitudes não correspondem à idade, e parecem sempre mais novas, também há terras que nos surpreendem, porque revelam uma riqueza intensa para além do óbvio. Esta terra é um desses casos. Veja-se este exemplo. Em 11 de Março de 1893, no Teatro Nacional em Lisboa, estreou a peça "Os Velhos", de um dos maiores dramaturgos portugueses do século XIX, D. João da Câmara. Nela se representam os trabalhos e as paixões de Júlio, engenheiro da capital aqui destacado, a quem cabia negociar terrenos que iriam ser atravessados pela ligação ferroviária a Espanha. e se encantou por Emilinha, filha de um dos proprietários. Ora, o autor da peça foi o engenheiro responsável pela construção da linha do caminho-de-ferro, e a homenagem de grande ternura que presta aos naturais de Santo António das Areias na sua obra é a prova que deve ter sido muito bem acolhido na sua passagem por aqui.

Sem dúvida, esta terra tem um espírito que reforça os laços dos que a partilham e que atrai a simpatia a quem por ela passa. A hospitalidade, a honestidade, e modernidade, são qualidades que conseguem elevar esta comunidade activa e ligada ao mundo, que compensa a distância com a criatividade, e a carestia com o esforço. Por tudo isto, e por muito mais, é bem verdade a letra duma música, das boas que por cá se cantam, que afirma que Santo António das Areias é um cantinho lindo de encantar.

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