Tradições de Unhais-o-Velho

Tradições de Unhais-o-Velho
Unhais-o-Velho

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Unhais-o-Velho sempre foi uma terra observadora das suas tradições. Podemos recordar algumas, bem lindas, como a distribuição do bodo no dia de São Sebastião, no cumprimento dum voto secular dos unhaisenses por ocasião de forte epidemia que grassou na região, fazendo muitas vítimas numa população em pânico perante um flagelo que os remédios não conseguiam debelar.

Distribuição do Bodo

Uma das tradições que mais tem resistido ao tempo, e evidencia o carácter solidário dos unhaisenses, é a da distribuição do Bodo no dia de São Sebastião, a 20 de Janeiro de cada ano, dia santo na aldeia desde tempos imemoriais. Seja qual for o dia da semana que o calendário indica para honrar este santo que morreu cravado de setas, e a quem Unhais dedicou uma capela, é nesse próprio dia que se celebra a festa dedicada a este mártir romano, cujo berço não está bem esclarecido se foi em Narbona ou em Milão, as cidades de que seus pais eram originários.

É voz corrente que, por ocasião de grande epidemia que grassou na região e que fez muitas vítimas entre uma população em pânico perante tal flagelo, já desenganada da eficácia dos remédios e mais confiante na intervenção daquele santo da sua particular devoção, a quem costumavam recorrer nos momentos de aflição, alguns lavradores, porventura os mais abastados, fizeram o voto solene de todos os anos darem uma volta pela freguesia angariando contribuições da população para que no dia de São Sebastião pudessem distribuir um bodo a todos quantos, nesse dia, se deslocassem à sede da freguesia. Assim se lançou a semente dum acontecimento da vida local que, hoje, séculos passados, continua a assumir foros de tradição bem enraizada e que a população da freguesia de modo algum quer ver quebrada, pelo contrário tudo faz para que seja intensificada e animadamente vivida e revigorada todos os anos.

Como nos tempos antigos, e não obstante as mudanças operadas na sociedade, os promotores do bodo continuam a dar a volta pela freguesia, recolhendo os donativos da população. É que, no dizer dos mais velhos, tendo-se abandonado em certa altura esta prática e a consequente distribuição do bodo, a peste voltou a atacar a população, apenas se normalizando a situação com o restabelecimento daquele velho costume.

O dia do bodo era, há décadas, talvez o único dia do ano em que o pão de trigo, a "pica" como se chamava, entrava nas casa da população local, já que a broa, boa e abundante, constituia a base fundamental duma alimentação que tinha nos produtos da terra os componentes tradicionais duma dieta que, embora pouco variada, não deixava de criar serranos fortes como as montanhas que os circundavam e rijos como a natureza agreste do meio em que viviam.

O encargo da organização e distribuição do bodo de São Sebastião compete à população dos vários lugares da freguesia, demorando alguns anos a bater à mesma porta. Como defensor dos hábitos e usanças dos nossos predecessores, interessado no seu estudo e na sua preservação, quero crer que a diminuição da população, com muitas casas que entretanto se foram fechando e, porventura, algum desinteresse que possa surgir, não sejam motivo suficiente para que os unhaisenses deixem morrer esta bonita tradição, o que seria uma perda irreparável para a nossa identidade e para a nossa cultura.

Irmandade do Santíssimo Sacramento

Convirá sublinhar que a Irmandade do Santíssimo Sacramento de Unhais-o-Velho deve ser uma das instituições paroquiais deste género mais antigas do país, mantendo-se activa há quase 300 anos. Foi constituida a 21 de Setembro de 1709 e já em 1732 tinha irmãos em Unhais-o-Velho, Meãs, Dornelas do Zêzere, Vidual de Cima, Vidual de Baixo, Ceiroco, São Jorge da Beira (Cebola), Portas do Souto, Covanca, Bodelhão (Aldeia de S. Francisco), Porto de Vacas, Seladinhas, Malhada do Rei, Cadafaz, Souto do Brejo, Praçais e Barroca do Zêzere. Nos anos seguintes foram entrando irmãos do Carregal, Machialinho, Ponte de Fajão, Orvalho, Póvoa da Raposeira, Pisão de Dornelas, Castanheira da Serra, Fajão, Aziral, Aradas e outras terras.

Os estatutos estabelecidos na data da sua constituição referem que:

"Movidos com zelo da honra de Deus Nosso Senhor e da Venerável atra… (ilegível, no livro do arquivo paroquial) do SS. Sacramento do fruto espiritual das almas, ordenamos e instituímos e erigimos esta pia e louvável Confraria do SS. Sacramento desde hoje 21 de Setembro do ano de 1709 em diante e para sempre, à honra e louvor do SS. Sacramento, da SS. Trindade, Padre, Filho e Espirito Santo e da S. Virgem e de todos os santos da Corte do Céu."

Paroquiava então a freguesia de Unhais-o-Velho o Padre João Mendes Feio que nela permaneceu entre 1703 e 1721.

Duma maneira geral, não havia família em Unhais-o-Velho cujos membros não pertencessem a esta Irmandade, cujo rendimento consistia nas quotas que os irmãos pagavam e nas ofertas que muitos faziam. Nas famílias mais ligadas à terra, e de mais arreigadas tradições cristãs, as crianças eram inscritas na confraria logo que faziam a primeira comunhão, nela se mantendo pela vida fora e passando o testemunho aos descendentes. Quase tricentenária, esta Irmandade ainda continua activa, o que se deve à dedicação de pessoas atentas ao seu passado histórico e desejosas de que este sinal de religiosidade e de cultura se mantenha vivo e actuante na sociedade dos nossos dias.

Outras tradições

A nossa história é feita com muitas outras tradições, como a ornamentação do chafariz e a queima do mastro no dia de São João; a celebração do Natal, com a Missa do galo, o presépio, o beijar do Menino e o cepo a arder no centro da povoação; a visita pascal, sempre desejada pelos moradores e onde a criançada, com campaínhas e chocalhos retiradas aos rebanhos, dava largas à sua alegria; as procissões de enorme simplicidade, com os velhos andores e as veneradas imagens das diversas mordomias; o cantar das janeiras e dos reis, em juvenil animação; as matanças do porco, a simbolizar abundância; as estonadas e as debulhas do milho, a coroar um ano de trabalho; as malhas do centeio na eira, em clima de festa; a secular festividade do padroeiro da igreja paroquial, o venerado São Mateus, encontro tradicional da família unhaisense; os magustos comunitários; o respeito pelos mortos; a Irmandade do Santíssimo, uma instituição quase tricentenária que merece ser devidamente acarinhada por todos, não deixando morrer esta herança do passado, um belo testemunho da fé cristã dos unhaisenses de antanho e que constitui um verdadeiro "ex-libris" da paróquia.

Algumas das tradições atrás referidas ainda subsistem, felizmente, mas outras vão desaparecendo à medida das alterações operadas no mundo rural, mas a verdade é que uma terra que esquece o seu passado, aquilo que tanto em termos humanos como sócio-culturais lhe imprime carácter, acaba por perder valores insubstituíveis na sua caminhada de progresso.

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