Vieira de Leiria

Vieira de Leiria
Marinha Grande



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Vieira de Leiria é uma freguesia portuguesa do concelho da Marinha Grande, com 42,50 km² de área e 5.781 habitantes (2001). Densidade: 136,0 hab/km².

A área desta freguesia é constituída por dois elementos geológicos. Um deles, representado por uma cobertura de areias de praia e de areias e dunas, ocupa toda a faixa litoral. Podem também ser incluídos neste conjunto moderno as aluviões do rio Lis. Na margem sul deste rio, entre as dunas do litoral, a faixa aluvial é muito estreita e os aluviões penetram numa depressão interdunar situada junto à praia de Vieira. São estas condições especiais que a freguesia beneficia que permitem que haja alguma agricultura principalmente nos lugares de Bóco e da Passagem. Não sendo a lavoura uma actividade exclusiva, já que todos os agregados familiares possuem membros empregados na indústria ou no comércio, as explorações agrícolas não são de mercado mas antes de características familiares.

História

Em 1512 separou-se Monte Real da freguesia de São Tiago do Arrabalde e constituiu com os seus moradores uma nova freguesia, de que também fazia parte Carvide e Vieira.

Em 1632 o Bispo de Leiria separou de Monte Real o lugar de Carvide que se constitui em nova freguesia à qual ficou pertencendo Vieira que por sua vez se desanexou daquela em 1740, constituindo-se em freguesia. A primeira referência documental ao nome da freguesia só aparece em 1527 no "Cadastro da População do Reino": "aldea de Carvide cõ casaes da Vieira e da Pasagem, 30". Significa que por aqui existiam 30 fogos correspondentes a uma população estimada entre 100 a 135 habitantes. Crê-se que o crescimento desta zona tenha tido lugar a partir daquela época. É que, como diz o "Couseiro" ou Memórias do Bispado de Leiria "no logar da Passagem está uma ermida, da invocação de Nossa Senhora da Ajuda, feita no ano de 1614". E "outra no logar da Vieira, da invocação de Nossa Senhora dos Milagres, imagem de vulto, feita no anno de 1615". A construção desses templos é um indício bastante para acreditar no certo grau de desenvolvimento atingido pelas duas povoações.

E essa confirmação surge no século XVIII com sinais de que Vieira de Leiria regista um crescimento paralelo ao intensificar da exploração do Pinhal. Dá-se então a criação da freguesia e dezoito anos depois, já existem 200 fogos e 600 moradores. As principais ocupações da população estavam ligadas à mata, com especial destaque para o corte e serração de madeira e para o fabrico do pez. Existe documentação coeva que permite concluir que esta freguesia suplantava quaisquer outras localidades da periferia do pinhal que eventualmente também tivessem a serração braçal como actividade dominante. Em 1767 é inaugurada a igreja matriz de Vieira, mas em 1783 é feito um novo arco na capela-mor por se considerar demasiado pequeno o inicial. O cura era da apresentação da mitra.

O século XIX marcaria novos contornos no desenvolvimento de Vieira polvilhando-o de altos e baixos. Primeiro, as obras de regularização do leito do Lis, depois a Invasão Francesa de 1810. Fugindo diante dela, o povo refugiou-se no Pinhal do Rei, onde escondeu os haveres que conseguiu transportar. O que não foi possível levar foi destruído ou enterrado. Mas o saldo desta invasão foi muito desfavorável para os Vieirenses. Quase metade da população foi dizimada por epidemias e mais de metade das casas foram destruídas ou danificadas pelos franceses.

Com a chegada do século XX, a Vieira vai-se tornar protagonista de uma das mais singulares migrações internas que Portugal conheceu — a dos "avieiros". O agravamento das condições de vida dos pescadores, aos quais a vila nada mais tinha para oferecer para além de um inverno rigoroso e muita fome, criou um grande fluxo migratório em direcção ao Tejo. Grandes comunidades de avieiros se foram estabelecendo junto das vilas ribeirinhas, encaminhando-se depois, para o tráfego comercial fluvial e terrestre. As maiores movimentações terão ocorrido entre 1919 e 1939. Durante décadas esta gente dividiu a sua vida entre o verão em Vieira e o inverno no Tejo, entre a arte xávega da sardinha e a arte varina do sável. Mas chegou o dia em que deixaram de regressar durante o Verão. E para sempre ficaram ligados à história do Tejo, os homens de Vieira, os avieiros.

Património

Edificado

Igreja Matriz

A primeira ermida dedicada a Nossa Senhora dos Milagres, padroeira de Vieira de Leiria , foi erigida em 1615. Pensa-se que tenha sido construída no local onde hoje se encontra o Banco Millenium. Em 1767 é construída a actual igreja, sofrendo em 1783 um alargamento, pelo facto da sua capela-mor ser pequena.

Outros locais

  • Capela da Passagem, restaurada em 2007.
  • Capela Praia da Vieira, considerada Património Civil.
  • Casas típicas, com telhados em tons de creme e azul, pintadas de várias cores.
  • Monumento ao Pescador

Biblioteca de Instrução Popular

Fundada em 1 de Dezembro de 1932. A Biblioteca de Instrução Popular é uma associação privada sem fins lucrativos, fundada a 1 de Dezembro de 1932 em Vieira de Leiria. Desde a fundação tem vindo a desempenhar um importante papel na divulgação do livro e da leitura, bem como na promoção de actividades de cariz, eminentemente, cultural e recreativo. Inicialmente, esta agremiação centrou os seus objectivos na luta contra o analfabetismo na freguesia da Vieira, tendo sido uma das primeiras bibliotecas privadas do país. Sendo uma Instituição privada nunca esteve de costas voltadas para a Comunidade onde se insere, e apesar dos seus 900 associados serve toda a população de Vieira de Leiria. Possui instalações próprias há mais de 50 anos, sendo a actual sede composta por diversas salas e um salão polivalente.

Natural

Praia de Vieira

Num purificante percurso através de uma vasta área de pinhal, encontramos a Praia de Vieira. Uma antiga praia de pescadores, que enfeitam o areal com as suas redes e com as suas embarcações tradicionais.

Rio Lis

Com origem nas proximidades do lugar de Fontes - Cortes - Leiria, a 400 metros de altitude, percorre 39,5 Km até à foz, a Norte da Praia da Vieira. Desenvolve o troço inicial na região do Maciço Calcário Estremenho, com declives elevados, na ordem dos 15 - 30 %, passando rapidamente para regiões onde a cota não ultrapassa os 100m. No seu troço intermédio formam-se verdadeiras planícies aluvionares, de que são exemplo os campos do Lis. Encontram-se classificadas na bacia 55 linhas de água. Atravessa o concelho da M. Grande, particularmente a freguesia de Vieira de Leiria. Desagua no Oceano Atlântico, formando uma pequena planície aluvial.

Na literatura

Na década de vinte deste século, Aquilino Ribeiro anotava no "Guia de Portugal":

"Vieira de Leiria, com as suas fábricas de vidro e de limas. Desce-se agora para os talhões das Eirinhas semeadas de picotas, e não tarda nada que se entre na mata nacional de Leiria. A 3,7 km da Vieira, a praia de Vieira, enorme. Mulheres por vezes muito belas e robustas pintadas de verde, de azul ou de zarcão."

Se mestre Aquilino ainda fosse vivo e viesse hoje a esta freguesia, continuaria a ver o vidro e as limas ainda empregarem muitos dos seus habitantes. Mas na praia, encontraria muito poucas das características habitações de madeira. Sentiria no entanto, se fosse Verão, a doçura do calor na areia e no mar e, veria sempre o azul do céu por cima do azul do mar.

Já no nossos dias é José Saramago que se refere à freguesia na sua "Viagem a Portugal":

"O dia está luminoso, e vivíssimo de claridade, e já se sente o mar. Em Vieira de Leiria há uma Santa Rita de Cássia seiscentista, que o viajante vai espreitar e que por si mesma merece a visita. Aí está agora a praia da Vieira, toda aberta para sul, a foz do Lis logo acima. Há barcos na praia, de curvas e afiladas proas, os longos remos postos ao través, à espreita de que a maré favoreça e haja esperança de peixe".

Ligações externas

Fotografias

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