Vila Nova do Ceira

Vila Nova do Ceira
Góis



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Vila Nova do Ceira é uma freguesia portuguesa do concelho de Góis, com 20,93 km² de área e 997 habitantes (2001). Densidade: 47,6 hab/km².

A freguesia é atravessada por dois importantes cursos de água, o rio Ceira (afluente do Mondego), e o rio Sotam, afluente do Ceira. Os dois rios confluem na localidade de Murtinheira, um pouco antes de um dos locais de maior beleza da freguesia, o Cerro da Candosa, na base do qual o rio Ceira passa num apertado desfiladeiro (Cabril).

Vila Nova do Ceira é nome moderno desta freguesia que até 1927 era chamada “Várzea de Góis”. Aliás, a designação popular da freguesia ainda hoje é Várzea, o que também dá uma ideia da sua geografia.

Localidades

A freguesia é composta por várias povoações, duas delas consideradas as mais importantes: Várzea Grande - (onde se situa a Igreja Matriz e é a sede da junta de freguesia - e Várzea Pequena.

Há ainda uma série de povoações menores, nomeadamente:

História

Sobre o passado remoto de Vila Nova do Ceira, nomeadamente os seus primeiros séculos - como acontece, de resto com todas as freguesias do concelho de Góis -, devido à própria situação num território que carece talvez em absoluto de documentação anterior à nacionalidade ou ao século XII, nada se pode afirmar com rigor histórico. De acordo com a "Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira":

"Apenas a toponímia poderia dar alguma elucidação sobre a antiguidade de povoamento local, mas acresce àquela circunstância negativa a não menos negativa do topo-onomástico local, apesar de abundante e de se tratar de localidade populosa. No entanto, há algumas espécies toponímicas que, sem se poderem afirmar, positivamente, anteriores à nacionalidade, lançam a possibilidade de certo povoamento pré-nacional que só um documento negativo, que não deve existir, pode invalidar."

Assim o nome do lugar Inviando, que é precisamente a forma romance do nome pessoal medievo, muito usado antes do século XII, "Invenandu(s)". Sacões e Rojão poderão ter origem gernâmica, muito anterior à nacionalidade. Telhada deverá ter sentido arqueológico, aludindo a um arcaico forno de telha ou local onde apareciam telhas; Vale de Oleiros contém no seu segundo termo a possibilidade manifesta desse facto. Cabril, topónimo referente a fauna extinta destas montanhas, a cabra selvagem, e por isso de evidente antiguidade. Jurzais, sem dúvida alusivo à cultura antiga da cevada, arcaico "orjo". Campelo e Passô importam ser índices de medievismo. São Silvestre é um hagiotopónimo notável e antigo. Interessante é também o nome do lugar e antiga freguesia de Chapinheira. O topónimo Várzea, finalmente, é notável por ter denominado esta freguesia até tempos recentes (ainda nos finais do século XIX se chamava Várzea de Góis).

Panorama de Vila Nova do Ceira
Panorama de Vila Nova do Ceira

A antiguidade abonada, de certo modo indesmentivelmente, pela toponímia, cuja observação postula e dos habitantes, não está de acordo com o despovoamento alegado para a vizinha freguesia de Góis pelos linhagistas medievos ao falarem do célebre D. Anião da Estrada, D. Anião ou Anaia, que é o rico-homem teresiano-afonsino Anaia Vestruariz, a quem foi doada Góis; mas é natural a aceitação de um despovoamento, não total mas bastante acentuado, desde Góis a esta freguesia, muito longe ainda, evidentemente, de como tal ser instituída. Em todo o caso, o culto local a São Pedro deve considerar-se muito remoto, existindo já a paróquia de São Pedro da Várzea, ao que parece, do século XIII para o século XIV, mercê do repovoamento operado nos primeiros tempos da nacionalidade a que a toponímia faz algumas alusões mais ou menos evidentes: Campelo, Jurzais, Vale de Egas, Carapinhal, Cerejeira, Monteira, etc., para só se citarem alguns casos que parecem bem expressivos sem particular explicação (a não ser Cerejeira, que pode vir de "Cerzeira", arcaico).

A freguesia de Chapinheira foi extinta pelos meados do século XVIII e reunida à de Várzea (de que, por certo, já se havia anteriormente desmembrado), de modo que a freguesia foi muito tempo denominada "Várzea de Góis e Chapinheira".

A Igreja de São Pedro era da apresentação dos condes de Vila Nova de Portimão (marqueses de Abrantes, depois), que nomeavam o vigário, com uns 60 mil réis de renda anual, do século XVIII para o século XIX. O tempo, pela sua incapacidade e antiguidade, foi restaurado em 1881, pelo povo, com a participação do estado, que recorreu, para isso, ao "cofre das bulas". Administrativa e senhorialmente, a freguesia de Vila Nova do Ceira parece ter sido sempre sujeita a Góis.

Património

  • Igreja Matriz dedicada ao culto de São Pedro
  • Ermida de Nossa Senhora da Candosa
  • Praia fluvial das Canaveias
  • Cerro da Candosa

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